Voltei para casa de tia Anne em uma noite de domingo, minhas aulas só voltariam na terça-feira, portanto eu teria um tempinho para me preparar para o retorno da minha vida acadêmica. Eu estava morta de saudades de Tia Anne e de sua casa. Ali também era meu lar, me sentia segura e confortável com ela, era uma segunda mãe para mim. Portanto, não pude deixar de esmagá-la em um abraço quando a vi.
- Você está linda, tia! Essas férias fizeram um bem danado pra você!
- Digo o mesmo, Car, você está radiante. Como foram as coisas?
- Melhor do que eu poderia imaginar. Nunca me diverti tanto como nesses últimos dias, parece que a distância nos aproximou ainda mais.
- Sei como é. Também me aproximei mais da minha mãe depois que passei a morar sozinha. A saudade faz com que tenhamos mais zelo pelos momentos juntos.
Ficamos conversando até tarde, eu estava exausta da viagem, mas a vontade de passar esse tempo com minha tia era maior.
- Bem querida, acho melhor irmos para a cama. Foi um longo domingo, teremos todo o tempo do mundo para colocar o papo em dia - disse também exausta pela viagem, já que ela chegara apenas algumas horas antes de mim.
Apenas assenti e subi para meu quarto. Que saudade estava desse lugar! Tomei um banho, deitei na cama e apaguei.
Acordei às 7:40 no dia seguinte, tia Anne já havia ido trabalhar, mas havia deixado a mesa posta. Todas as coisas que eu mais amava estavam sobre a mesa, meu bolo favorito, o suco que eu adorava, as torradas que eram minha paixão e biscoitos de chocolate em que eu era fascinada. Tia Anne era um amor e fazia questão de demonstrar isso nos pequenos detalhes. Tomei meu café sossegadamente, limpei a cozinha, peguei minha bicicleta e fui ao segundo lugar que eu mais senti saudade desde que saí. A cachoeira.
Deixei minha bicicleta no lugar de sempre e desci a trilha torcendo para que Sam estivesse lá. Não tinha notícias dele há quase um mês e a saudade já era gigante. Céus, como queria dar um abraço nele. Para a minha decepção, o lugar estava vazio, portanto o apreciei sozinha, fiquei deitada sobre uma pedra apenas absorvendo a energia local, respirando o ar puro e sentindo o vento fazer cócegas em meu rosto. Mas a cada minuto olhava para as árvores à minha esquerda, na esperança de que ele pudesse estar ali, apenas me observando de longe. Esperança boba e em vão diga-se de passagem.
Fiquei ali por pelo menos uma hora, eu amava aquele lugar e mesmo sozinha pude saborear cada pedacinho dele, entrei na água para um banho e pude sentir minhas energias sendo renovadas, a água era poderosa, não lavava apenas o corpo mas também a alma Após sair e me secar ao sol e na brisa que soprava, resolvi ir para casa, ainda havia algumas coisas para organizar. Enquanto me levantava, ouvi a voz que mais desejei escutar pelos longos 20 dias passados.
- Está fazendo o quê aí sozinha? - Samuel se aproximava com um sorriso divertido e de braços abertos.
Fiquei tão feliz em vê-lo que sorri de orelha a orelha, meu coração pulava em meu peito de alegria.
- Sam!- exclamei enquanto corri para seu abraço.
- Senti sua falta, tampinha! - sussurou enquanto me apertava contra seu corpo.
- Eu também estava com saudade!- disse enquanto elevava a cabeça para encará-lo, seus olhos continuavam tristes mas havia algo diferente e eu não sabia o que era. Ele olhava e sorria para mim.
- Vejo que o colar ficou ótimo em você, fico feliz que o esteja usando - disse se desvenciliando do abraço.
- Eu amei... Como você está? - perguntei enquanto nós sentavamos lado a lado.
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Agora eu quero partir
Romance"E foi com lágrimas nos olhos que eu os deixei partir..." Carolina, uma típica adolescente em seu último ano escolar e Samuel, um jovem misterioso que guarda um segredo muito doloroso sobre seu passado, capaz de fazê-lo tentar contra a própria vida...
