Capítulo 4

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Era segunda de manhã, tia Anne, teria um compromisso às oito horas e por esse motivo eu ficaria novamente na floricultura para ela. Fazia três dias que eu não ia à cachoeira, a reação de Samuel e o episódio com Leo me deixaram desconfortável e amedrontada. Estava me sentindo uma completa idiota.

Tia Anne me deixou às sete na loja e se dirigiu ao seu compromisso, disse que queria chegar mais cedo, porém eu sabia que ela só queria se esquivar um pouco do trabalho da manhã. Havia diversas encomendas de cestas, buquês e alguns vasos de flores para serem montados, além da manutenção de todas as plantas da loja. Peguei o borrifador e pus-me a umidecer todas as flores e folhagens , o que me custou pelo menos 40 minutos, nesse meio tempo o telefone não parava de tocar e diversas encomendas começaram a surgir.Precisava me apressar ou ficaria sobrecarregada e minha tia, uma fera comigo.

Comecei pelos esboços dos buquês, assim ficaria mais fácil para montá-los. O primeiro cômpus com mini rosas brancas, asltilbes, erva-bezerra e rosas cor de rosa. O segundo foi um clássico, rosas vermelhas com ramos de astilbes. E os três seguintes não foram muito elaborados, sendo um apenas de lírio calla amarelo, um de girassóis e dois de gérberas coloridas.

Enquanto montava os buquês cuidadosamente, o tilintar do sino ecoou pela loja, fazendo com que eu olhasse imediatamente pela porta e para minha surpresa Leo acabara de entrar e sorria distraídamente para mim. Como um robô treinado para agir lhe dei as boas vindas:

— Bom dia, seja bem vindo. Posso ajudar em alguma coisa?— senti minhas bochechas arderem e tive certeza que estavam coradas. A última pessoa que queria ver nessa manhã era ele.

— Bom dia, moça! Vou dar uma olhada na loja.— disse, indo em direção aos vasos já montados nas prateleiras.

Ele estava realmente bonito hoje, com uma blusa cinza de mangas compridas que foram puxadas até o cotovelo, o que evidenciava todas suas cicatrizes. O cabelo dessa vez penteado, emoldurava seu rosto desenhado e seus olhos estavam tão azuis e gélidos quanto o mar. Ficou passeando pela loja, olhando todas as flores expostas e conferindo todas as disponíveis em nosso catálogo de estoque. Continuei montando os arranjos, já estava ficando atrasada com os pedidos que logo seriam pegos pelo entregador.

— Hey, você poderia me dar uma ideia?— Leo veio em minha direção, um pouco acanhado e sem graça.

— Claro, é pra alguma ocasião especial? perguntei um pouco receosa, estava muito envergonhada devido ao nosso último encontro, por três dias refleti em como fui idiota por ter chorado compulsivamente em sua frente.

— Um pedido de desculpas conta como ocasião especial?— indagou timidamente olhando para um buquê que pairava sobre o balcão.

— A flor preferida seria uma ótima escolha, mas caso você não saiba, rosas sempre serão uma excelente opção. respondi torcendo para que ele escolhesse logo e fosse embora.

— Se fosse para você, o que escolheria?— perguntou-me um pouco desajeitado e como queria me livrar dele o mais rápido possível, respondi prontamente.

— Rosas brancas! São lindas e remetem a pureza, o que traria um significado maior ao pedido de desculpas.

— Ótimo! Pode preparar um arranjo com seis rosas brancas, por favor. —  sorri aliviada e rapidamente o montei. Escolhi três rosas semi desabrochadas e três completamente abertas e com alguns ramos de gipsófilas, montei um mini buquê, enrolei em celofane e entreguei junto com um envelope.

— Aqui está! Espero que seu pedido de desculpas seja um sucesso.

— Obrigado!— sorrindo pagou pelas flores e saiu.

Agora eu quero partirHistórias para pegar e não largar. Descubra agora