Capítulo 14

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Tia Anne se soltou timidamente do abraço e olhava com ternura para Sam. Os dois se entendiam na dor e isso bastava para mim.

— Desculpa, atrapalhei vocês, mas essa música mexeu um pouco comigo — confessou.

— Está tudo bem, tia — retruquei e Samuel apenas assentiu, um pouco acanhado.

— Vou subir para meu quarto. Podem... continuar — disse e virando-se para Sam continuou — Você canta muito bem, Samuel. — dito isto, subiu as escadas e sumiu pelo corredor.

— Mais uma vez você foi incrível Sam, não cansaria nunca de te ouvir diariamente — elogiei Samuel e ele apenas sorriu, enxugando as lágrimas que insistiram em sair.

— Posso cantar pra você sempre que quiser — disse ainda sorrindo, um sorriso tão lindo que fez meu coração palpitar.

— Cuidado, eu posso aceitar.

Samuel colocou o violão no chão e sem dizer uma palavra se aproximou me fazendo chegar para trás recostando no sofá, apoiou sua mão direita ao lado da minha cabeça e chegou tão próximo que ficamos cara a cara, fiquei tão surpresa que o máximo que pude fazer foi abrir a boca e o encarar.

— Eu adoraria — disse baixinho, olhando alternadamente entre meus olhos e minha boca. Apenas engoli em seco, já que foi a única reação que tive. Seu perfume era delicioso e pude sentir o calor que seu corpo emanava.
Se um dia eu o achei bonito, agora ele era ainda mais.

— Não vou negar — praticamente sussurrei e ele sorriu me dando um beijo na testa antes de se afastar.

Esse garoto queria me deixar louca, só pode. Meu coração batia tão forte que quase era possível ouví-lo. Acho que tia Anne estava certa, o coração podia ser traiçoeiro.

— Vou sentir sua falta, Car — disse pegando o violão e a mochila.

— Você não vai se livrar de mim tão fácil assim — retruquei.

— Espero que não. Eu preciso ir agora, e...— Samuel sentou-se ao meu lado, pegou minha mão e a segurou delicadamente — Obrigado por hoje, foi a primeira vez em anos que me senti como eu mesmo. Por algumas horas eu me esqueci de tudo e me diverti como uma pessoa normal. Obrigado, Car! — Samuel levou minha mão aos seus lábios e depositou um beijo leve, que me fez sorrir como uma idiota.

Samuel se levantou e foi embora. Ainda sentada no sofá, pude ouvir o som do carro se afastando.

— Também vou sentir sua falta, Sam— sussurrei para o vento, lembrando que havia esquecido de contar que iria para casa na manhã seguinte.

xxx

Assim que o despertador tocou, me levantei no primeiro alarme. Meu pé já estava quase 100%, podia facilmente dar alguns passos sem dor alguma.

Peguei meu celular afim de enviar uma mensagem a Sam, contando o que deveria ter dito no dia anterior. Mas antes mesmo de abrir o aplicativo de mensagem, o celular o notificou.

7:12 Precisava te contar algo ontem, mas acabei esquecendo, na verdade me diverti tanto que fiquei sem coragem de dizer...

7:13 Ficarei sumido por alguns dias, então não poderei te ver antes de vc viajar. Sinto muito por não cumprir o que disse.

7:14 Tudo bem Sam, mas pq vai sumir assim de repente?

7:14 Quando voltar eu te conto melhor...

7:14 Ok, eu também precisava te dizer algo ontem mas me esqueci

7:15 Diga

Agora eu quero partirHistórias para pegar e não largar. Descubra agora