Sam foi embora primeiro, me deu um beijo na testa e prometeu me mandar mensagem mais tarde. Fiquei mais um pouco no balanço e pude finalmente respirar com mais calma. Precisava ordenar meus pensamentos e por mais que eu amasse a companhia de Samuel, naquele momento eu precisava e queria ficar sozinha. Pensei sobre o que Sam havia me dito sobre as pulseiras e por ora me senti satisfeita com sua resposta, no entanto algo ainda me incomodava sobre o assunto. Mas o que seria?
Pensando com mais calma, pude notar como fui cruel ao imaginar que Sam talvez pudesse ter feito algo com Daniel. Ele não faria aquilo, eu não sentia maldade nele. E se realmente ele tivesse feito alguma coisa para machucar o irmão, Leo não ficaria apenas de provocações, algo teria sido feito à respeito.
Era o que eu queria e iria acreditar.
Aproveitei o balanço ao máximo e passava os dedos delicadamente em cada folhinha de plástico que adornava a corda trançada. Não podia deixar de sorrir ao pensar nele, Samuel era um menino incrível, ele nunca faria mal ao irmão, jamais.
Incrível. O descrevi tantas vezes com essa palavra que já não imaginava ela sendo usada para descrever outra pessoa ou situação. Ele me fazia sentir-se única e especial, eu não poderia desconfiar dele. E foi exatamente o que fiz, deixei toda desconfiança se dissipar e resolvi que iria esperar por sua explicação, torcendo para que ela viesse o mais rápido possível. E só depois eu decidiria o que fazer.
Voltei para a cachoeira, subi a trilha, peguei minha bicicleta e fui embora.
Cheguei em casa após o colégio às 18:30 e como havia me prometido mais cedo, Samuel me enviara uma mensagem.
18:28 Já chegou em casa, tampinha?
18:31 Acabei de chegar!
18:32 Sua tia se importaria de nós assistirmos a um filme hoje?
18:33 Sério?
18:33 Se você quiser...
A ideia me deixou animada, meu coração começou a bater mais forte e uma sensação gelada desceu em meu estômago. Fui correndo ao quarto de tia Anne e a encontrei saindo do banho, tinha um sorriso bobo no rosto, me parecia bastante alegre e com as bochechas ruborizadas, o que me deixou um pouco surpresa.
- Oh querida, que bom que está aqui, já ia te chamar - disse eufórica, antes que eu pudesse dizer alguma coisa.
- Está tudo bem, tia? Você parece meio... agitada?- perguntei, tentando adivinhar o que havia acontecido com ela. Mas no fundo eu já desconfiava.
- Você se importa de comer sozinha hoje, Car? - perguntou, ruborizando ainda mais as maçãs do rosto.
- Ahn, não, tudo bem! Mas, você tem algum compromisso hoje?- perguntei esperando que ela dissesse algo sobre um encontro.
- Um jantar de... negócios!-respondeu hesitante, mas não conseguiu guardar o sorrisinho ao final da frase.
- Está mentindo agora, senhorita Anne? Acho que já passamos dessa fase, não é?- retruquei, cruzando os braços sobre o peito e estreitando os olhos. - Diga logo, como ele é?
- Deixei transparecer tanto assim?-perguntou sorrindo e vendo que eu acenei em concordância completou -Digamos que é o meu tipo, aliás, mais do que meu tipo!
- Espero que eu tenha um tio tão maravilhoso quanto você! - brinquei fazendo a rir. - Tia, já que você está de bom humor e eu terei que jantar sozinha, o Samuel poderia vir assistir a um filme comigo hoje?
Tia Anne continuou se vestindo, virou-se para mim com um meio sorriso e com a sobrancelha esquerda elevada, mas suavizou o rosto em seguida.
- Acho que não fará mal nenhum. Mas lembre-se querida, não se envolva demais. Ok? - disse e eu apenas concordei, saindo do quarto.
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Agora eu quero partir
Romance"E foi com lágrimas nos olhos que eu os deixei partir..." Carolina, uma típica adolescente em seu último ano escolar e Samuel, um jovem misterioso que guarda um segredo muito doloroso sobre seu passado, capaz de fazê-lo tentar contra a própria vida...
