Terminei de arrumar minhas malas e desci para aguardar meu pai, que com toda certeza já deveria estar chegando.
Tia Anne voltou mais cedo da floricultura e assim que entrou em casa me chamou.
— Sim? Estou na cozinha, tia! — gritei enquanto lavava a louça do café que acabei deixando sobre a mesa mais cedo.
— Leo por um acaso passou por aqui? — perguntou curiosa elevando sua sobrancelha esquerda, porém, antes que eu pudesse respondê-la, continuou — Vejo que sim, sabia que aquelas flores eram pra você. Nunca vi alguém tão tímido enquanto escrevia um cartão. — disse olhando para as flores que repousavam em um vaso.
— Fofo, não é? E veja, Samuel também me deu um presente — falei enquanto erguia o pingente em sua direção.
— Uau! Querida, é lindo! — seus olhos brilhavam de excitação.
— Maravilhoso!— exclamei admirando o pequeno cordão.
— Eles são... encantadores, mas me corta o coração saber que sofrem tanto.
— Ele foi se tratar, digo, o Sam. — contei.
— Isso será bom, espero que ele consiga... conviver melhor com o luto.— disse melancólica e continuou — Já fez suas malas? Seu pai chegará em breve, pegarei uma carona com vocês até o aeroporto.
— Sim! Vou sentir saudades, tia Anne — disse olhando-a fazendo um biquinho de criança mimada.
— Eu também querida! Mas não muita — disse sorrindo e me dando um abraço — Brincadeira, é bom te ter por perto.
Ao meio dia em ponto, meu pai buzinou. Posso dizer que papai era um cara bem legal, aos 48 anos, tinha um sorriso encantador, um porte físico de 20 e humor de 60 anos na maior parte do tempo. Ou seja, o cara perfeito para minha mãe.
Deixamos tia Anne no aeroporto e seguimos viagem para nossa cidade. Eu estava eufórica e morta de saudades de mamãe e meus dois irmãos, Manuela e Lurian, de 10 e 4 anos respectivamente.
Assim que chegamos, desci do carro e corri para abraçá-los, já que me aguardavam ansiosos na calçada. Passei o dia todo com minha família, brinquei até cansar com as crianças e conversei a tarde inteira com meus pais, sobre tudo e nada ao mesmo tempo. O fato de não morar mais sob o mesmo teto nos aproximou ainda mais.
Somente durante o jantar mamãe viu o colar em meu pescoço e perguntou curiosa:
— Que lindo colar Carol, sua tia quem te deu?
— Ah, isso? Não, eu ganhei de um amigo que fiz por lá...— respondi um pouco titubeante.
— Amigos não dão joias Carolina! — papai exclamou me olhando com as sobrancelhas franzidas. Ele não era o tipo rígido como minha tia, mas era um pouco ciumento quando se tratava de garotos.
— Bom, esse me deu e aquelas flores ali no jarro também foram dadas por um amigo.
— Filha, você quer nos contar alguma coisa? — minha mãe perguntou, repousando o garfo no prato enquanto me encarava ansiosa e meu pai fez o mesmo.
— Eles são realmente meus amigos!— finalizei resoluta, o que agradou a ambos.
— Fico aliviado e que mantenha assim! — disse meu pai e eu não pude deixar de sorrir assim como minha mãe e minha irmã.
Os próximos sete dias passaram voando, eu preenchia todo meu tempo com meus irmãos e fazendo atividades com meus pais, como idas ao mercado, salão de beleza, pesqueiros, parques, praças, lanchonetes ou então apenas assistindo a um filme ou novela juntos. Estava adorando ter todo esse tempo de qualidade com eles e por isso por alguns dias não tive tempo de pensar em Sam ou Leo. Mas isso mudou na semana seguinte.
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Agora eu quero partir
Romance"E foi com lágrimas nos olhos que eu os deixei partir..." Carolina, uma típica adolescente em seu último ano escolar e Samuel, um jovem misterioso que guarda um segredo muito doloroso sobre seu passado, capaz de fazê-lo tentar contra a própria vida...
