Capítulo 26

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Samuel vinha melhorando dia após dia. Cinco dias depois e ele já se sentava sozinho, falava com mais firmeza, dava alguns passos pelo quarto e não se sentia mais tão cansado como antes. Já que eu o visitava de manhã, pude acompanhar seus atendimentos fisioterapêuticos matinais e pude ver o quanto ele havia melhorado. Não demorou muito para que ele tivesse alta médica, visto que todos os seus exames neurológicos haviam sido satisfatórios.

Portanto, oito dias após ter aberto os olhos, Samuel finalmente voltaria para casa, momento em que todos nós que o acompanhamos por tanto tempo no hospital, aguardávamos ansiosamente. Os atendimentos de fisioterapia continuariam em ambiente domiciliar, pois mesmo já estando melhor, ele ainda tinha muito o que recuperar por ter ficado tanto tempo desacordado. Todas as minhas visitas agora, seriam em sua casa.

— Como se sente de volta ao lar?—  perguntei após ter me acomodado ao seu lado na cama.

— Digamos que seja uma sensação maravilhosa!— respondeu-me enquanto segurava minha mão —  Gostaria de te agradecer mais uma vez Car, eu nunca saberei recompensar você por tudo que fez e tem feito por mim — Samuel se aproximou e depositou um beijo em meu rosto.

—  Não precisa me agradecer, Sam. Só me prometa que não me deixará de novo —  ele não respondeu. Apenas olhou para nossas mãos, apertou a minha carinhosamente e me olhou nos olhos enquanto sorria.

— Não vejo a hora de voltar à cachoeira — disse-me de repente.

— Eu também, confesso que não voltei lá desde o dia de seu acidente —  falei, Sam olhou para frente. Não havíamos conversado sobre a tentativa de suicídio dele, na verdade nem tocávamos no assunto e apenas referiamos áquele dia como um acidente.

— Então a visitaremos de novo, juntos! Combinado?— eu apenas assenti sorrindo, ganhando um terno beijo na testa.

Samuel voltou a me dar flores todos os dias, me recebia toda manhã com algumas rosas brancas e ás vezes com algumas vermelhas também. Eu só podia dizer que amava tê-lo de volta.

— Bom dia Car! — disse me aguardando na sala, com um buquê de rosas vermelhas nas mãos. Me abraçou e me entregou.

— Bom dia Sam, você me deixará mal acostumada desse jeito. Como você está? — perguntei.

— Me sinto ótimo essa manhã! Podemos ir a cachoeira, o que acha? Vamos reinaugurá-la? — perguntou animado.

— Que tal irmos em outro lugar hoje? Prometi que te levaria em um local muito especial, assim que você acordasse...— disse lembrando do que havia dito enquanto ele ainda estava desacordado.

— Pode ser! É muito longe? — perguntou um pouco preocupado.

— Não se preocupe, já combinei com Leo. Ele irá nos levar até lá, vamos? — o convidei e seguimos juntos para a garagem onde Leo já nos aguardava no carro.

Percorremos todo o caminho em silêncio, havia combinado com Leo no dia anterior de irmos até lá pela manhã. Na verdade, Leo e eu já tínhamos ido juntos a esse lugar diversas vezes, principalmente depois que Sam abriu os olhos. Era uma pequena capela no final da cidade, toda branca com detalhes em mármore, que destacava a enorme figura do Senhor crucificado ao centro. Perdi as contas de quantas vezes ajoelhei em prantos naquele altar, orando por um milagre na vida de Samuel, pedi muito para que ele acordasse o mais rápido possível assim como orei para que Leo conseguisse lidar com tudo sem se mutilar ou se entregar.

Imediatamente ao entrar na pequena igreja, meus olhos marejaram e um nó se formou em minha garganta, mas dessa vez, foi por finalmente trazer o milagre pelo qual tanto pedi, junto comigo.

Agora eu quero partirHistórias para pegar e não largar. Descubra agora