Harley parou a moto em frente a cabana de Vengeance e desceram. Bateu na porta, já testando a maçaneta, viu que estava aberta e entrou pegando na mão de Amy, a puxando rapidamente.
"Essa não é a sua cabana." Amy disse admirando o local. Não havia muita diferença da dele mesmo, mas ela parecia muito curiosa com tudo que fosse relacionado ao seu povo. Pelo menos a cabana de Vengeance era impecável, a de Harley era meio bagunçada.
"Eu te trouxe aqui para ganharmos tempo. Eu acabei de saber de tudo, Amy, e quero te ajudar. Você deve devolver o dinheiro. Sei que vocês humanos são apegados a ele, mas eu..."
"Que dinheiro? Eu não sou apegada ao dinheiro, Harley. Eu sou rica, mas não sou consumista. Eu nem gosto de fazer compras!"
Ela falava com os olhos arregalados, como se estivesse surpresa. Mas Harley não queria ser enganado mais.
"O dinheiro do desfalque, da empresa dos seus pais. Você está sendo procurada pela polícia por isso."
A cada palavra que Harley dizia, Amy ia ficando mais pálida. Até que ela se sentou no sofá e colocou a cabeça nas mãos.
Harley sentiu pena. E ficou triste por tudo isso estar acontecendo. Ele realmente estava gostando dela. Muito. Mas ela parecia derrotada. Não havia muito o que fazer. Ela iria pra cadeia.
Ou não, sua mente gritou. Nas suas andanças de moto, ele correu milhares de quilômetros. Eles poderiam fugir. Ele faria, se fosse o caso.
"Minha mãe nunca gostou do meu tio. Dizia que ele tinha muito ciúme do meu pai. Ele era muito mais velho, mas meu avô deu a presidência da empresa pro meu pai, não para ele."
Ela dizia numa voz tão triste que Harley sentiu vontade de beijá-la até que ela esquecesse de tudo que não fosse eles.
"Então, minha mãe teve câncer. Ela lutou durante anos. A cada ano, meu pai se afastava mais da empresa, para cuidar de minha mãe e eu. E no fim, depois de alguns meses da morte dela, ele se foi. Não podia viver sem ela."
Harley se lembrou de Brass. Quando Sophia estava grávida dos gêmeos, e ela corria risco de vida, Brass disse a quem quisesse ouvir que se mataria. Foi um tempo sombrio na Reserva.
"E então, com meu pai morto, meu tio se tornou o presidente. Eu sou a herdeira da parte do meu pai, mas eu nunca quis aprender como administrar o negócio, então passei o poder de decisão que vem com a maioria das ações para meu tio. Algum tempo atrás, eu me apaixonei, por um dos executivos da empresa. Ele, como meu marido poderia ser o presidente, então tudo estava nessa direção. Eu estava feliz e meu tio parecia concordar. Mas ele estava me traindo. Com outra acionista. Parece que o plano era ele se casar comigo pelas ações. Mas eles continuariam juntos."
Harley nunca entendeu como os machos humanos podiam ser tão imbecis. Para os Novas Espécies, felicidade significa ter uma companheira, filhotes, casa, comida e trabalhar numa atividade prazerosa. Agora humanos eram atraídos pelo poder. Harley sentia muito por eles.
Ela o olhou e o coração de Harley bateu mais forte. Ele ainda estava se acostumando com essas sensações, mas tinha certeza de que estava se apaixonando.
"Então, meu tio propôs que eu abrisse mão das minhas ações para ele. Ele disse que eu ainda teria todo o dinheiro, a mansão, os carros e apartamentos em vários lugares do mundo, além de receber os dividendos dos lucros, mas ele seria o presidente, ele teria as ações e o poder de decisão. Eu aceitei. Eu fiz história da arte e tomava conta da galeria de arte da família. Eu catalogava, cuidava e até restaurei alguns dos objetos. Era uma vida feliz, mas eu queria fazer meu doutorado na Europa. Meu tio foi contra. Eu decidi dar meu grito de independência saindo da mansão, sem guarda-costas, sem dizer a ele onde ia. Depois que eu voltasse, eu iria para a Europa. Era uma ideia ruim, eu sei."
"Mas e o dinheiro. Pelo que você me disse, você deu a ele todo o poder, como ele está te acusando de roubar a empresa?"
Ela suspirou. Parecia desiludida. Harley entendia, a maior traição é que vem pelas mãos daqueles que amamos.
"Eu não sei. Teria que ver do que sou acusada. Eu nunca tive nada a ver com a administração da empresa, eu só comprei..."
Ela voltou a segurar a cabeça com as mãos escondendo o rosto. Harley se ajoelhou a frente dela no chão e retirou as mãos dela do rosto.
"Amy, eu quero te ajudar. Estou disposto a fugir com você se quiser."
Ele estava. O curioso é que depois que falou ele sentiu um alívio tão grande no peito.
"Eu comprei alguns quadros realmente caros para a coleção do meu avô. Eu assinei os recibos de compras, e o dinheiro provinha da empresa. Se meu tio estiver fazendo lavagem de dinheiro, ele pode ter mais recibos com a minha assinatura. Com isso ele pode provar que eu pegava o dinheiro para compras que não existiram."
"Como você assinaria mais recibos do que o necessário?"
Harley também não entendia porque eles usavam dinheiro da empresa, se a galeria era particular, mas deixou para perguntar depois.
"Porque eu sou muito ingênua. Eu sempre demorava muito a me decidir por qual quadro comprar. E a maioria desses quadros são comprados em leilões. Não tem como saber até que valor o quadro vai chegar. Então eu assinava um recibo do valor aproximado, e no caso de um valor menor fazia a devolução do restante. Tudo isso gerava uma quantidade absurda de assinaturas. Eu, como uma idiota, saía assinando tudo o que ele me punha na fuça. Sem ler, apenas rabiscando meu nome onde ele ou a secretária dele me indicava."
Então, Amy poderia estar assinando por um monte de dinheiro que saía da empresa, sem ser apenas para as compras dos tais quadros.
"Mas para onde ia o dinheiro? Se saia mais do que era necessário, para onde ia o restante?"
"Seria muito fácil enviar o dinheiro para um paraíso fiscal. E a conta ainda poderia estar no meu nome. Eu assinei uma procuração com plenos poderes. Meu tio teria acesso a elas."
Se ela dissesse tudo isso para um advogado, eles conseguiriam provar a inocência dela?
Precisava falar com Kat. Mas antes eles tinham que fugir. Nesse momento, alguém bateu na porta. Devia ser Joe.
"Tio?" Ele disse entrando e se achou estranho Amy sentada com ele ajoelhado entre as pernas dela não disse nada. Bom garoto, o gêmeo bonzinho, com certeza.
"Oi James." Ela estava enxugando o rosto e não reparou bem em Joe. Harley fez sinal para que continuasse assim.
Joe logo assumiu o ar imponente que James sempre exalava.
"Você falou com Tiny?" O filhote fez que sim."Então vão. Cuidado com esse cabelo, não deixe escapar do capacete."
"Certo, ti..., Certo, Harley." E foi. Enquanto Joe chamava a todos de tio, para James só Vengeance tinha a honra de tê-lo como sobrinho. Era um filhote muito arrogante.
"Pra onde ele vai na sua moto? Pensei que você tinha me oferecido ajuda. Eu tenho uma pessoa que pode me ajudar, mas tenho que chegar na casa dele, antes de ser presa."
Bom. Ele só tinha pensado em fugirem sem destino enquanto Kat investigava o caso de Amy. Se havia mais alguém, melhor ainda.
"Ele vai levar todos atrás dele. Assim podemos sair sem saberem pra onde vamos."
Ela se levantou e ficou de frente para ele. Como era baixinha, deu um beijo no peito dele, e ficou com o rosto lá, enquanto o abraçou pela cintura.
A temperatura de Harley esquentou. Ele ergueu o rosto dela e tomou sua boca. Estava sedento dela. O beijo foi de tremer as pernas. E logo, ela estava estendida no sofá com Harley em cima. Da boca ele passou ao pescoço, e estava tentando subir a blusa de malha dela, quando ouviu a voz de Vengeance do quarto:
"Conversar, tudo bem, agora compartilhar sexo, é muito abuso Harley. E você está sem tempo, idiota!"
Ele até tinha esquecido que o macho estava na cabana. E ele estava certo. Tinham que fugir. Mas na primeira oportunidade...
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Harley
FanfictionTudo o que Harley queria era continuar sua vida errante em paz, voando pelas estradas em sua moto. Mas bastou um par de tímidos olhos verdes para fazê-lo descobrir que mesmo enraizado num único lugar, ele poderia desbravar as estrelas. Quarta histór...
