Amy sorriu para o atendente do café, já sentindo as bochechas doerem, ela não era tão sorridente como a prima. A cinta abdominal e os saltos também estavam muito desconfortáveis. Mas a liberdade dela dependia disso. Sua historia com Harley também. Faziam duas semanas que ela tinha deixado a Reserva.
Duas semanas sem sentir o carinho, o amor e o desejo dele. E o pior: ele acreditava que ela o tinha deixado porque ele não podia ajudá-la. Ela estava contando as horas, para essa confusão acabar e poder ir atrás dele. Mesmo que precisasse rastejar, ela faria.
"Senhorita, em qual quarto devo debitar a conta ?" o atendente falou pela segunda vez. Ela sorriu mais uma vez.
"Quarto 101, em nome de Charlotte Delacour, por favor." Ela pensou na prima e na traição que sofrera. Charlotte agiu cheia de magoa e rancor, Amy não sabia que ela a tinha procurado, e por conta disso estava sendo acusada de desfalque. Mas ela não estava feliz em se passar pela prima.
No primeiro momento, a ideia a agradou, pois ainda estava muito magoada. Mas depois, raciocinando friamente, ela viu que precisava saber os motivos de Charlotte ter agido assim. Amy amava a prima. Charlotte era extrovertida e alegre, estava sempre com um sorriso no rosto. Amy teria gostado muito de ter a companhia da prima, seria muito bom morar com Charlotte naquela mansão fria.
O celular tocou. Era o investigador Payton.
"tudo pronto, senhorita Delacour. Agora vá para casa e te daremos noticias. obrigado pela colaboração. Já tenho todas as filmagens e agora é comigo, porem ainda te peço para sair de circulação por mais dois dias, quando precisará agir pela última vez.
Mais dois dias sem poder ir até Harley. Amy tinha medo de chegar na Reserva e ele não estar mais lá. Ela estava, para todos os efeitos, em prisão preventiva domiciliar, e ninguém além do tio sabia que isso era para pegar o verdadeiro culpado. De acordo com o investigador Payton, Amy foi considerada suspeita, mas uma simples checagem dos locais onde ela estava, nas datas em que a outra pessoa, no caso a prima, esteve no banco, na Suiça, a inocentaram.
Mas o caso saiu em todas as mídias do país, inclusive já colocando Amy como principal suspeita. E isso fez o FBI chegar ao verdadeiro principal suspeito. Afinal só quem tivesse arquitetado todo o golpe, teria interesse em jogar toda a culpa em Amy. Mas não foi fácil conseguir o nome de quem teria sido a fonte da reportagem. Jornais, telejornais, blogs de notícias e revistas, nenhum queria admitir que poderia estar noticiando uma notícia falsa, então se negaram a colaborar, alegando o sigilo da fonte. Mas o investigador Payton não desistiu e colocou vigilância nos repórteres que tinham noticiado o caso. Depois de alguns dias,um deles se encontrou com um executivo do alto escalão da empresa de cosméticos da família de Amy. Um dos que teriam acesso aos documentos das compras e ao dinheiro destas. Aí o próprio investigador "apertou" o repórter e ele cantou. Disse tudo o que sabia em troca de não ser considerado cúmplice.
Mas havia indícios de que esse desfalque fosse apenas a ponta do Iceberg. Então, o FBI concordou em continuar a investigação por baixo dos panos, enquanto Amy figurava como a criminosa.
Amy se dirigiu a recepção para encerrar a conta. Isso era o mais difícil, falar com o sotaque interiorano da prima, sempre sorrindo e flertando com os homens. A sorte é que na recepção estava uma mulher.
"Oi, querida, estou entregando o quarto." Disse sorrindo. Amy sabia que Charlie estaria falando pelos cotovelos sobre o quarto, sobre o restaurante e até sobre a beleza ou falta de beleza dos garçons, mas preferiu ser direta.
"Sim, senhorita. Vai pagar em dinheiro?" Amy sorriu de novo e despejou várias notas no balcão. E ainda deu uma boa gorjeta para a atendente, esperando que a mulher se lembrasse dela.
"Obrigada, posso ajudá-la em mais alguma coisa?" Ela era todo sorrisos.
"De nada, obrigada a você pelo bom atendimento, vou recomendar esse hotel pros meus amigos."
Os amigos de Charlotte não teriam dinheiro pra comprar nem uma água naquele hotel, Amy riu do pensamento enquanto entrava na limusine e saía do hotel. Pronto!
Ela suspirou fundo. Ainda tinha que conseguir entrar escondida na mansão. Dois dias até poder sair de casa com a cabeça erguida, e o bom nome da família limpo. Mas Amy estava preocupada por Charlie. Ela tinha se metido com gente muito má. E agora quando tudo fosse descoberto, Charlie provavelmente seria presa. Mas Amy fez o investigador Payton prometer fazer tudo o que estivesse ao alcance dele para tentar livrar Charlie o máximo. Amy se sentia muito culpada por toda a história. Ela tinha prometido ajudar Charlie, e, quando foi procurada, não estava disponível para a prima.
O carro de luxo parou na entrada do condomínio, e o oficial que estava na vigilância abriu as portas, fazendo o possível para esconder Amy deitada no piso do carro. Os repórteres tiravam fotos de tudo o que entrava ou saía do condomínio. O oficial fechou a porta e bateu no teto permitindo a entrada da limusine.
Já dentro de casa, depois de tomar um banho e retirar aquelas coisas desconfortáveis e aquela maquiagem, ela se dirigiu ao jardim e respirou fundo enchendo os pulmões com o cheiro das plantas, procurando se acalmar e rogando aos céus por paciência e sobretudo coragem. Não seria fácil a última parte do plano do investigador Payton.
"Amy?" O tio apareceu no jardim." Conseguiu? Você parece muito cansada. Foi tão desgastante assim?"
Amy queria ainda sentir raiva do tio. Mas ele era seu único parente próximo. Ele, mesmo com aquele jeito frio dele, era o irmão mais velho de seu pai, e tinha cuidado dela. Amy não o culpava por tê-la forçado a sair da Reserva como saiu. Se Harley soubesse do plano do investigador, não permitiria. Harley se achava invencível. Ele iria insistir para que Amy ficasse protegida pelos muros da Reserva, mas Amy preferia provar sua inocência.
"Sim, tio, foi. Não é fácil se passar por outra pessoa, ainda mais alguém tão diferente de mim como Charlie." O tio bufou. Se dependesse dele, Charlotte seria jogada numa cela suja e não sairia de lá nunca mais." Tio, o senhor prometeu. Eu quero que ela tenha a melhor defesa, os melhores advogados e faço questão de pagar a fiança, se houver." Amy falou erguendo o queixo.
"Você tinha uns dois anos quando ergueu esse queixinho teimoso pra mim pela primeira vez." Ele disse segurando a mão dela." Eu nunca gostei do pai dela. Ele era inconsequente e um viciado em jogos, bebidas, drogas e mulheres. Eu deveria ter ajudado a mãe de Charlotte, mas não queria ver o grande império Delacour envolvido com as sujeiras dele. Meu pai e o pai dele, meu tio, eram inimigos. Havia muito rancor e inveja enraizados na família, e isso aumentou com o sucesso do meu pai com os negócios. Eu sinto muito por não te falar das vezes em que recebi os recados de Charlotte. Eu instruí a todos os funcionários que não a deixassem entrar e também não te incomodar com as ligações dela."
"Quantas vezes ela ligou, tio?" Amy queria saber de tudo o que ele tinha escondido dela.
" Duas. E veio aqui uma vez, mas não passou da portaria." Ele baixou os olhos." Vou pedir perdão, Amy. Mas não sei se isso seria razão suficiente para ela fazer o que fez. Não tenho seu coração mole. Espero que ela não tenha feito isso como vingança, pois se tiver, eu não sossegarei até que ela pague." Ele se levantou e com passos lentos, voltou para dentro.
Amy sabia que Charlie não faria isso. Ela era a sua prima alegre e cabeça-oca. Com certeza tinha sido enganada.
Ela também entrou e se dirigiu a cozinha. Estava faminta!
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Harley
FanfictionTudo o que Harley queria era continuar sua vida errante em paz, voando pelas estradas em sua moto. Mas bastou um par de tímidos olhos verdes para fazê-lo descobrir que mesmo enraizado num único lugar, ele poderia desbravar as estrelas. Quarta histór...
