Ama-lo ao ponto de esquecer como é me odiar

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Por Elaine

Ele estava arrumando as papeladas da sala em plenas 2 horas da manhã, e havia me tirado do carro apenas pra isso.

- Essas com figurinhas você pode colocar na caixa pra queimar também.- ele disse enquanto separava alguns outros papéis.

Quando olhei bem para os papeis com figurinhas percebi que não se tratavam apenas de papeis com escritas banais, eram cartinhas.

"Eu sempre irei te amar", foi a primeira coisa que li quando olhei a cartas.

- É pra jogar fora, não pra ler.- ele diz me assustando, tava me sentindo uma bisbilhoteira, e ele me parecia bem sério, apesar que não dava pra saber ao certo, apenas pelo seu tom de voz.

- Por que está jogando fora?- pergunto meio receosa com a 'patada' que eu iria receber.

Ele respirou fundo antes de responder.- São coisas que eu quero me livrar.- me surpreendi com a resposta calma. Continuei colocando os papéis na caixa, mas ainda sim estava curiosa para saber do que se tratava todas aquelas cartas, seria daquela moça maluca? se sim seriam muitos anos de namoro, mas eram caligrafias tão diferentes.

Demorou um bom tempo até terminarmos e eu tava morrendo de sono, meus olhos pesavam, e toda vez que eu fechava os olhos eu tinha dificuldade em abri-los novamente.

Sinto ele cutucar meu ombro, o olho piscando os olhos rapidamente, ele faz um sinal com as mãos para que eu levante do chão.

Eu o segui sonolenta até o quarto, e então deitamos, eu apenas fechei os olhos em conforto e em agradecimento por finalmente poder dormir. Em seguida sinto suas mãos gélidas tocarem meu rosto e acariciar-me. Mas eu estava com tanto sono que apenas dormi.

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Acordo com os raios solares entrando pela janela, dessa vez as cortinas não estavam barrando o lado de fora.

A luz incomodou um pouco minha visão me fazendo lacrimejar, me sentei na cama coçando os olhos tentando tirar o embaço. Olho para o lado a procura do rapaz, ele dormia jogado, com os braços abertos na cama e de barriga pra cima.

Um pouco da sua máscara estava fora do seu rosto, e mostrava um pouco de seus lábios e olhos.

"Curiosa..."

Me aproximei um pouco tocando levemente a máscara para tentar ergue-la. Meu pulso e segurado com força me distanciando, o mesmo ajeita a máscara no rosto e me encara.

"Deus, será que eu vou apanhar?"

Foi tão rápido que o encarei com medo. Ele solta meu pulso prendendo a máscara atrás da nuca.

Ele joga o edredom pro lado e levanta, saindo do quarto sem dizer nada.

Encaro a porta por alguns minutos pensando se foi algo muito grave ter tentado tirar sua máscara.

Levantei da cama por causa da demora e fui até a sala, ele estava ouvindo música no celular enquanto fazia alguma coisa no fogão.

"Take me to church"

Ando com paços silenciosos até o sofá e observo ele a cozinhar.

Depois que ele colocou a comida na mesa ele apenas se sentou e me chamou. Eu estava prestes a começar a comer, quando de repente ele fala algo que me deixou incrédula.

- Eu não quero que lembre do meu rosto.- ele diz encarando o garfo que estava em suas mãos.

- Como?- pergunto sem entender.

- É incrível como ainda não tenha se lembrado...- ele agora, me encarava.- Se eu fosse cego, e sentisse seu cheiro, eu saberia que é você.

- Por que está me dizendo isso?- dou um sorriso nervoso e estranhando cada vez mais.

Ele bate os punhos na mesa.- Por que é tão difícil pra você se lembrar de mim?!- meu coração bateu rápido com sua atitude e frase, do que ele estava falando? Do que eu realmente deveria me lembrar? Era realmente muito difícil lembrar de uma pessoa, sendo que tantas passaram minha vida durante todos esses anos.

Uma memória vem na minha cabeça como um flash

"- Ah, vamos Andy.- um tom animado vinha dela.

- Não Juliet, Eu não sinto falta.- ele diz seco e com bastantes grosseria.

- Andrew eu..- ela é interrompida.

- Juliet, Vá embora.-"

Meus olhos se arregalam, e eu fico em estado de choque, além dessas lembranças várias outras veem na minha cabeça, mas dessa vez não era do presente e sim do passado.

" Deus... de novo não..."

Poderia sentir meus olhos se preencherem por lágrimas, mas tentei disfarçar o máximo.

- Elaine? - ele me chama calmo dessa vez.

Ouvir sua voz, ouvir seu nome, me lembrar de tudo me deu um ataque de pânico, um ataque de raiva.

Eu levanto da cadeira em desespero, arrastando tudo ao meu redor, tentando abrir a porta que dava pro lado de fora, sou agarrada por trás, ele me tirou do chão me levando até o quarto.

- ME SOLTA! - eu digo tentando o morder.

- ELAINE PARA DE SER LOUCA!

- ME DEIXA EM PAZ! VOCÊ É O LOUCO AQUI!

Ele ri se divertindo, uma risada horrível, e mesmo assim eu ainda estava procurando a graça daquilo tudo.

Ele me joga no chão trancando a porta. Ele taca sua máscara com força no chão. Mostrando seu rosto completo, seu cabelo bagunçado, e seu sorriso travesso.

- Agora que descobriu quem sou, você vai me deixar?- ele pergunta cínico.- Você não vai sair daqui, nem que esteja morta, eu NUNCA lhe deixarei ir embora, Nunca, nunca NUNCA!- eu poderia afirmar, ele estava louco, eu tentava apenas tampar meus ouvidos e ignorar.

- ME DEIXA EM PAZ ANDREW!!- Grito- Me deixa em paz...- falo me encolhendo, deixando lágrimas caírem do meu rosto.

- Eu não consigo.- ele diz e eu o encaro.

- COMO NÃO CON...?!- sou interrompida.

- É impossível, você permaneceu na minha cabeça por todo esse tempo, e ainda está, foi quando você sumiu... Que eu reparei no que havia perdido, que eu realmente vi que a pessoa que eu procurava não estava mais comigo, e eu me escondi mais e mais, mas agora...- dessa vez eu o interrompi.

- Mas agora eu ~- mentira... Eu sempre o amei, mesmo durante esses anos eu ainda o amei, não foi como antes, mas ainda sim o amei, e várias vezes eu pensava nele, em como seria tê-lo de novo pra mim, se eu poderia fazer dar certo... - Eu não te amo mais.-

"MENTIROSA"

Dizer aquelas palavras me doeu tanto, porque eu sabia que era pra ele que estava dizendo. Mas eu não queria me prender, não queria me entregar, e eu sabia que iria fazer isso... Eu sabia que iria ama-lo... Ama-lo ao ponto de esquecer como é me odiar... Era como se o homem de máscara e ele fossem pessoas diferentes... Como posso amar alguém como ele?

- Eu sei...- ele diz em tom baixo e um sorriso de canto.- Mas não irá mudar nada... não no presente.

O CativeiroHistórias para pegar e não largar. Descubra agora