Dia de Domingo

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Por Elaine

- Desculpa. - Digo baixo, eu duvidei de Ronnie, duvidei que ele poderia me ajudar, novamente, havia me precipitado.

- Pelo que? - ele diz sentando-se ao meu lado.

- Por duvidar de você. - eu ainda não conseguia levantar minha cabeça, se eu olhasse pra cima, talvez acordasse deste sonho.- A propósito, aonde estão Jack e Sheila?

Ronnie respira fundo, o que me deixou desconfortável. 

- Sheila está no hospital, e Jack está na casa da Mayvis, junto com a Mãe dela, em segurança.- Ele diz firme.

- O que aconteceu com Sheila? - meu tom de voz aumenta, em preocupação.

- Ela teve uma recaída de pressão, o que resultou em uma convulsão, MAS.- ele diz em enfâse.-Ela está bem, foi algo momentâneo, ela não ficara lá por muito tempo. Não precisa se desesperar. - ele diz enquanto me olhava nos olhos e colocava vagarosamente suas mãos sobre as minhas, eu as tirei quando assustei com a voz repentina de Mayvis.

- Estamos seguros aqui. Andrew não sabe onde é a casa da Sheila, não sabe que a Sheila está no hospital, e não sabe onde Jack está. Não tem como ele saber.- ela parecia estar tentando nos manter relaxados, mas se ele sabia que caminho eu iria passar naquele tempo, era óbvio que ele sabia onde era a casa da Sheila.

- Não..- digo negando o argumento que parecia ter feito Ronnie se despreocupar por alguns segundos.- Andrew sabe onde é a casa de Sheila, se ele não fosse ciente disso, ele não teria me sequestrado naquele dia.

- Como iremos fazer, não podemos deixar ela aqui então, Radke. Se for assim, logo Andrew vai aparecer por aqui. - Mayvis engoliu a seco e começou a olhar frequentemente a janela.

- Vamos arrumar um jeito, precisamos arrumar um jeito.- Ele se levanta caminhando até a porta do apartamento. O que ele iria fazer?

- Vem.- Mayvis me leva até o banheiro.- tire as faixas e as roupas, vou refazer seus curativos assim que...- a fiz paralisar sem querer, quando retirei a faixa, mostrando uma cicatriz enorme no pulso na vertical, uma queloide enorme.

- Não vai precisar, estou usando essas faixas a bastante tempo, Oliver cuidou dos meus ferimentos como ninguém, graças a ele, não preciso mais.- digo encarando a grande cicatriz, aquilo não estaria só preso no meu corpo, como também o momento na minha memória. Pensar em Oliver deixou meu coração quentinho.

Ouço Mayvis respirar fundo e quando notei ela limpava as lágrimas, ela parecia muito querer me questionar, mas estava seguindo o que Ronnie havia dito.

- Eu sinto muito, você não mereceu passar por isso.- ela diz tentando se acalmar.- Ok, vou arrumar uma roupa pra ti.- ela se recompõe sorri docemente, logo saindo do banheiro.

Olhei para a banheira, abrindo a torneira, tirei minhas vestimentas, e quando coloquei meu corpo abaixo d'água, um pequeno flash de Andrew me afogando na banheiro vem na minha cabeça, me fazendo saltar. Meus pulmões se encheram de ar rapidamente, já que minha respiração se elevou. Segurei a barra da banheira como se fosse me afogar a qualquer momento. Estava cheia de deslaces, traumas, causado por lesões e impactos que Andrew havia me cedido.

Eu precisava me acalmar, não estava mais em suas mãos. O cheiro, a energia, o ambiente, era um dos meus lares veras, era onde eu poderia me sentir segura, era onde eu sabia que podia vir toda vez que me sentisse mal, quero que continue sendo.

Mas porque meramente eu não consigo sentir-me segurança?

Lavei meus cabelos e logo enrolei na toalha, meus olhos miravam em todos os cantos da casa, como se fosse um lugar desconhecido, como se eu não reconhecesse aquele local. Entrei no quarto de Sheila aonde tinha uma roupa em cima da cama. Fechei a porta e me vesti; Um vestido leve de cor branca, me olhei no espelho, era como um dia de domingo de meses atrás, antes desse filme de horror começar.

Eu encarei as fretas de luz solar que vinham da janela, estava de tarde, e o sol não queimava; Me aproximei da janela olhando lá para baixo, todos corriam andando pela calçada, adultos, crianças, animaizinhos. Como é sentir que sua vida é normal demais? ou monótona demais? Que nada pode te surpreender, ou te fazer sair de uma imutável vida maçante

Como é não estar consciente que sua vida está mediante de um fio? não estar sobre domínio do seu medo de sucumbir?

Você nunca sabe o que realmente acontece na casa do seu vizinho, você realmente nunca conhece as pessoas ao seu redor, e nunca sabe o que elas podem se tornar daqui alguns anos, e isso pode ser assustador; Portanto, agora tenho medo do desconhecido e daqueles que acho que conheço.

O CativeiroOnde histórias criam vida. Descubra agora