Composição

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Por Elaine

Seus olhos fixados em mim, apenas deitei minha cabeça na quina da banheira, as vezes eu apenas encarava sua clavícula, eu sentia suas pernas encostadas na minha, era um nível de intimidade muito grande, estar ambos nus dentro de uma banheira, a proximidade que eu nunca tive com ninguém, e ser com ele era sinistro.

A água está até o meio dos meus ombros.

Ele sai da banheira, eu apenas fecho meus olhos, sinto sua mão erguer minha cabeça da quina e deixa-la reta. Ele começa a lavar meus cabelos, por fim um cabelo "apropriado".

Meu olhar morto não saia de meu rosto, um sentimento de vazio e isolação vinha percorrer todo meu corpo, era como se uma faca estivesse entrado dentro de mim.

Fecho os olhos aproveitando a pequena paz, silêncio, e a massagem na cabeça.

Ao terminar, ele me ajuda a ficar de pé e me enrola na toalha, pega-me no colo novamente e me senta na cama, eu não podia estar me acostumando com isso, mas já estava, era como se eu já vivesse isso a anos. Meus olhos sempre mirados para baixo, estava impossível descrever todo esse sentimento.
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As íris azuis me seguiam por todos os lados, eu tinha uma tensão em meu corpo, e uma dor horrível, conseguia ver os roxos por toda minha pele, e mesmo assim, eu ainda tinha que arrumar o resto da casa.

Depois da noite anterior, eu não aguentava nem encarar aquela máscara. A sensação dolorosa de cada movimento já me deixava agonizando pelas lembranças.

Minhas pernas tremiam com o esforço, sentia que eu ia me partir no meio a qualquer segundo, não sabia como estava me mantendo de pé, talvez pelo medo e pressão que ele estava me colocando enquanto me observava fazendo todo aquele trabalho cativo.

Já havia chegado o almoço, e eu ainda não havia terminado de arrumar, faltando apenas dois cômodos da casa, a suíte na onde ele dormia, no caso o quarto e banheiro...

11:36

- Gosta de hambúrguer?- ele diz repentinamente, eu estava passando pano na sala, enquanto ele estava sentado encima do sofá com os pés sobe a mesa de centro.

Deveria responder sim?
- Eu...- Dou uma pequena pausa, respirando fundo.- Gosto.- concordo comigo mesma, estava certa de que gostava, por mais que nem ao menos recordava como era sentir o gosto de um.

Não durou muito até eu ter algumas lembranças, melhor hambúrguer que já havia comido, dou um pequeno sorriso com a recordação.

- Algum problema?- ele diz, não pude deixar de olha-lo, mas rapidamente desvio o olhar.

- Não.- digo voltando a prestar atenção no que fazia. Só de olhar para ele, poderia ver minhas memórias boas sumirem, e relembra-las não era tão bom, não mais.

- Vou pedir hambúrguer, senti vontade de comer, quer de que? - Ele parecia gentil, bom humor talvez, a noite anterior foi como se não fosse nada, como se não tivesse acontecido pra ele.

- Qualquer coisa.- paro e penso, eu tenho uma preferência, mas qualquer coisa parecia servir
Mais uma lembrança

eu a Alie, sentadas na lanchonete, o segundo melhor hambúrguer que já comi, com muito cheddar, chega a me dar água na boca...

O CativeiroOnde histórias criam vida. Descubra agora