(Alysson)
Não sei quanto tempo se passou. Já não estava mais aguentando. A dor já fazia parte de mim.
Gael- Alysson! Porra! Você acha que eu gosto de te deixar assim?
Ele se abaixa na minha altura, e diz chorando.
Alysson- Por que está chorando? Sou eu que estou amarrada sendo torturada.
Gael- Você merece.
Alysson- Não. Ninguém merece isso, e você não tem direito nenhum de está fazendo isso comigo. Você diz que me ama, pra mim isso é obsessão.
Gael- Eu te amo. Mas você não está colaborando comigo.
Alysson- Eu que não estou colaborando ou você que não quer acreditar? Porque eu digo e repito. Fiz tudo sozinha.
Ele bufa.
Gael- Sabe, eu tô adorando esse seu jeitinho atrevido. Antes nem nos meus olhos olhava.
Alysson- Sabe, as pessoas mudam.
Gael- E também não tinha essa língua afiada.
Alysson- Vai ver ela ficou entediada de tanto ficar presa.
Ele começa a rir.
Gael- Continue assim meu bem.
Ele diz se aproximando.
Alysson- Assim como?
Gael- Assim atrevidinha.
Alysson- Quer me ver bem mais atrevida?
Ele ri.
Gael- Você nunca foi dessas.
Alysson- Dessas como?
Gael- Para de me provocar.
Alysson- Você tá pedindo.
Gael- Não mesmo.
Alysson- Eu vejo, nos seus olhos.
Gael- Alysson...
Alysson- O que...?
Ele vem se aproximando, chega perto do meu ouvido e diz.
Gael- Se você continuar me provocando, não vou me segurar.
Alysson- E quem disse que é pra você se segurar?
Ele começa a me beijar, e desamarrar as cordas, sinto um pouco de dor, mas tudo esta indo como planejado. Ele começa a me levar para um sofá que tinha ali.
Paro de beijar ele.
Gael- Por que parou?
Ele diz bravo.
Alysson- Não quer ver a surpresa?
Ele estreita os olhos.
Alysson- Encosta no sofá, e relaxe.
Ele fica bem receoso. Infelizmente não consegui pegar a adaga. Escondo a agulha, e sento em seu colo, ele dá um sorriso.
Alysson- Vou acabar com esse seu sorriso, seu maldito.
Enfio a agulha em seu pescoço. Ele se levanta me derrubando no chão.
Gael- Desgraçada!
Ele diz vindo em minha direção, mas logo cai desmaiado no chão. Levanto pego-o e o coloco na cadeira onde estava, e o amarro.
Pego a adaga e coloco em seu pescoço, mas minhas mãos tremem muito.
Eu... Eu não consigo mata-lo. Saio daquele lugar, fecho o porão no cadeado e escondo a chave. Fico andando sem rumo, sem saber onde estou. Ando muito, até que chego em uma ponte, não tem nenhum carro passando nela, está totalmente vazia.
Eu estou sem saída. Eu não tenho ninguém. Eu estou sozinha.
Essa é a solução, subo no degrau da ponte, é uma queda longa, provavelmente vou me afogar e então minha dor vai se acabar. Estava pronta.
Xxx- Visão bonita daqui de cima.
Tomo um susto quando escuto a voz de uma pessoa, viro e ele está lá olhando a água.
Alysson- Não reparei. Vim fazer outra coisa...
Xxx- Ora, não aconselharia. Se você pular, vai sentir um impacto grande com a água, depois vai morrer agonizando sem ar. É isso que quer?
Alysson- Isso não interessa ao senhor.
Xxx- Todos somos seres humanos, todos sentimos dor... Física, ou psicológica. Só tem alguns tolos como você que desistem fácil assim.
Alysson- Não sou tola. Apenas saia!
Xxx- Chega uma hora que realmente não aguentamos.
Alysson- Por favor me deixa em paz.
Xxx- Você só tem que achar uma solução para continuar.
Ele ri.
Xxx- Você sabe quem realmente é. Só tem que parar de se renegar.
Não respondo.
Alysson- Está me atrapalhando!
Xxx- Não estou te segurando. Se for se matar, que não seja na frente de toda essa gente.
Alysson- Do que esta falando, eu estou sozinha.
Xxx- Não, não está.
Alysson- Quem é você?
Xxx- Nem queira saber...
Pisco os olhos, e ele some em menos de segundos.
Xxx- Moça está tudo bem?
Uma mulher aleatória me pergunta. E então me dou conta, a pista está com vários carros passando de um lado para o outro. E o barulho do trânsito está muito alta. Eu estava em trase?
O homem que estava conversando comigo simplesmente... Sumiu.
Mas eu não vi e nem ouvi nada? O que diabos está acontecendo comigo?
