Capítulo 17

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(Alysson)

Gael me trouxe para a empresa junto com ele hoje.
É afastada da cidade, um prédio grande. A recepção é impecável. Tem uma moça atrás de um balcão enorme, que quando vê o Gael, abre um sorriso. Mas o Gael a ignora descaradamente.

Ele recebe muitos acenos com a cabeça, muitos homens de terno, mulheres de saia envelope e blusa de botão branca. Parece um uniforme.

Alysson- Quantos tipos de empresas seu pai tem?

A pergunta sai com tanta espontaneidade que eu fico surpresa.

Gael- Muitos tipos. A preferida dele é a de carros.

A empresa Ducar. A empresa de carros da família Duarte é a mais famosa dos Estados Unidos.

Alysson- Essa se resume a que?

Gael- Essa basicamente é onde passa todo o orçamento, pagamentos, onde resolvemos problemas inacabados.

Alysson- Por que aqui no Brasil, especificamente no Rio?

Gael- Porque aqui é onde roda mais orçamentos.

Morros. É claro.
Gael ganha uma grana alta com o morro, dinheiro sujo de drogas e armas. Mas um motivo para eu fugir dele. Se caso a polícia descobrir toda essa corrupção, eu vou ser presa também. Apesar do crime terrível do meu pai...
Entramos no elevador, e ele aperta no botão do último andar. No elevador ficamos em silêncio. O elevador me deixa um pouco tonta.

Quando chegamos, tem um corredor enorme, e uma porta logo depois de uma recepção. Tem uma mulher asiática sentada atrás do balcão. Ela conversa com o Gael com o idioma brasileiro impecável, provavelmente mora aqui faz um tempo. Ele sorri para ela, e pega na minha mão me levando até a porta. Seu escritório imagino.

Fico encantada quando ele abre a portas. Janelas enormes de vidro, com enormes cortinas. Sofá mil vezes maior que eu, tão macio que eu poderia dormir o dia todo nele.

Tem uma mesa grande, organizada com um notebook no centro, uns papéis ao lado e uma cadeira de couro grande. Atrás mais no canto tem uma prateleiras com livros. A sala está um pouco escura, mas posso ver claramente tudo.

Ele coloca sua mão em minha cintura e eu arrepio.

Alysson- O lugar parece confortável.

Confortável? O lugar é maravilhoso. Agora entendo o motivo dele ficar aqui o tempo todo.

Gael- Esse era o escritório do meu pai. Mas eu reorganizei do jeito que eu gosto.

Alysson- Como o seu pai conseguiu tudo isso?

Gael- Corrupção é a palavra certa.

Arqueio as sobrancelhas surpresa.

Gael- Meu pai desviava dinheiro de suas eleições como prefeito. E foi ficando cada vez mais ambicioso. Cada vez mais ganancioso. O dinheiro o fazia se sentir poderoso, e fazia ele achar que tudo e todos estavam em suas mãos.

Parece que ele está falando de si mesmo.

Gael- Ele criou a máfia. Conseguiu aliados que confiava. Seu pai era um deles. Trabalhavam pra ele, em troca de dinheiro. Fazia certos trabalhos avassaladores, tudo em troca de dinheiro. Porque o dinheiro e a ambição o cegou. Apesar de tudo, sempre foi bem prestativo a família. Apesar de não ter dado certo com a minha mãe, eles eram amigos ainda.

Engulo em seco. Eu não deveria mencionar o pai dele.

Gael- Apesar disso tudo. Sempre foi um bom pai pra mim. Não merecia o fim que teve. Tudo o que plantamos, um dia colhemos. Cedo ou tarde.

Seu olhar baixa. Está triste.
Sinto a culpa subir pela minha garganta, e meu coração doer, como se estivesse uma faca cravada nele.
Gael solta minha cintura, e vai até a sua cadeira, abre o notebook e começa a trabalhar.

A angústia fica entalada na minha garganta. Assim como a culpa de ser cúmplice.

Presa a você. (Concluída)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora