Capítulo 34

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(Alysson)

O Gael é inacreditável.

Voltamos para o hotel do RJ. Contra minha vontade.
Com ele por perto eu não tenho escolha nenhuma.
Única coisa que passa na minha cabeça é o quanto eu o odeio. O quanto eu quero ver ele morto definhando.
Cínico e manipulador.

Ele mexe com a minha cabeça de uma forma inexplicável.
Ele não muda nunca.

Mas tudo isso foge da minha cabeça, quando suas mãos me tocam.
Quando ele passa os dedos no meu cabelo de madrugada. Quando ele coloca sua mão em minhas bochechas. Quando sua boca toca meu rosto.

Eu devo estar ficando louca igual a ele.

Ele tem um poder de manipulação impecável.

Em nenhum momento des de que ele me achou fizemos amor. Sempre me afasto e ele sempre respeita.
Fico surpresa com essa atitude dele. Ele nunca aceitaria isso.

Estávamos jantando em pleno silêncio, como todas as noites.

Gael- Fomos convidados para uma festa.

Hoje ele resolveu quebrar o silêncio.

Alysson- E qual seria a ocasião?

Gael- Basicamente uma confraternização de companheiros.

Um monte de mafioso e traficando num lugar só. Isso chega até parecer piada.

Ele pega na minha mão e aperta de leve.

Gael- Quero que vá comigo.

Ele diz olhando fundo nos meus olhos.

Alysson- Está pedindo ou mandando?

Digo em um tom de ironia. Ele continua me encarando.

Gael- Pedindo.

Franzo a testa surpresa. Acenti com a cabeça concordando.

Estava me preparando para dormir. Me enrolei e fiquei encarando o teto.
Ele está do meu lado encostado na cabeceira, mexendo no seu notebook com um monte de nota de recebimento, provavelmente são as notas do depósito de armas e drogas que ele manda pros morros.

Alysson- Pode me comprar alguns livros?

Digo a ele. Mas ele nem me olha.

Gael- Quais gêneros de livro você quer?

Ele pergunta sem tirar os olhos do notebook.

Alysson- Qualquer tipo. Menos romance.

Finalmente ele me encara, com aqueles olhos azuis da cor do mar. Seu cabelo está meio bagunçado, e seu rosto está com aparência de cansaço.

Gael- Claro mi amor.

Ele responde num tom calmo quase um susurro.
Viro- me dê lado, mas ainda sinto seus olhos em mim, queimando como brasa. Olhando cada detalhe do meu corpo.

No dia da festa, estava terminando de me arrumar. Encarando minha imagem no espelho.

Se meses atrás alguém tivesse chegado em mim e falado que eu estaria usando joias mais caras que uma casa, eu mandaria internar.
Mas cá estou eu. Usando joias mais caras que uma casa, e vestido caríssimos de marcas com nomes difíceis de pronunciar.

Eu gosto disso. De me sentir rica.
Sentir como se tudo que eu quiser, vai estar nos meus pés no estalar dos meus dedos.

Olho para a aliança que está no meu dedo. Onde carrega o nome do Gael.

Até que a morte nos separe.

Essa frase me causa um calafrio no estômago. Pois é um lembrete de que tudo isso nunca vai acabar.

Sinto suas mãos em minha cintura, e sua boca em meu pescoço dando leves beijos, quando ele chega por trás.

Gael- Está belíssima meu amor.

Dou um sorrisinho sem mostrar os dentes.

Ele se afasta um pouco e me olha de cima a baixo.

Gael- Está irresistível...

Ele diz com a voz um pouco rouca, e com o olhar unicamente atraente que ele tem. O olho de cima a baixo também. Com seu terno impecável como sempre, seu cabelo penteado, com a gravata perfeitamente laciada. Com seu corpo perfeitamente desenhado... Ele percebe que estou olhando muito.
Desvio o olhar, e me recompondo.

Tenho que odia-lo.

Mas isso se torna um desafio quando estamos tão próximos assim...

Presa a você. (Concluída)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora