(Gael)
Privilegiado. Essa palavra define muito o início e o fim da minha vida.
Eu decidi ela, dês de o princípio. São escolhas que fazemos no início, que ditam nosso futuro. E não a nada que possamos mudar, depois que fazemos essa escolha.
Em 20 anos da minha vida, vi as escolhas dos meus pais, ditarem o futuro de merda deles.
Seja escolha de poder, e mais poder. Dinheiro, ostentação.
E a escolha da traição, adultério.
Vi as consequências das escolhas deles. E foi aí que eu percebi, que pra todo erro, tem uma consequência. Para cada ato imprudente, tem sempre o acerto de contas.
Sempre vivi com meus pais juntos. Até que um dia, por causa de uma escolha, eles se separaram. E cada um foi viver a vida que bem queria. Fiquei morando com meu pai, pois achei que me identificava mais com ele.
Ostentação. Poder, poder, poder. Dinheiro.
Eu admirava isso nele. O quanto ele tinha tudo e a todos na palma da mão na hora, e no lugar que quisesse.
Mas a única pessoa que eu queria ter, é a Alysson. Tudo nela era estritamente perfeito. Ela é belíssima. Seus cabelos ruivos, e seus olhos verdes, suas belas curvas...
Eu a queria. Eu a desejava. Queria que fosse minha.
E eu iria te-la.
Saio do restaurante, e coloco a blusa de frio, fumaça sai do meu nariz, e tem alguns pingo de neve caindo do céu.
Acendo um cigarro, enquanto olho para o céu escuro e estrelado.
Dou uma tragada, e a sinto do meu lado. Ela joga o papel toalha no meu rosto furiosa.
Alysson- Se acha que ficar deixando bilhetinhos de mal gosto vai me conquistar. Posso afirmar que está bem longe disso.
Dou um gargalhada baixa.
Gael- Ora, mesmo eu deixando o bilhete, ainda veio até mim querida...
Me aproximo dela, e ela não se afasta. Fecho os olhos, e sinto seu cheiro. Sua respiração acelera, mas ela não se move.
Mesmo estando um frio congelante, sinto meu corpo arder, pegar fogo, como se estivesse em chamas.
Passo meus dedos em seus lábios frios, e ela fecha os olhos.
Suas duas mãos encostam em meu peito, e ela me empurra.
Alysson- Fique longe de mim, seu babaca...
Ela diz quase em um sussuro atordoada, e volta para a lanchonete. Dou um sorriso de lado, e olho para o céu.
Ainda naquela madrugada, levanto com um estrondo vindo do andar de baixo. Assim que chego perto, meu corpo treme com o barulho de um tiro.
O escritório do meu pai treme, quando outro tiro é dado.
É bom ressaltar. Pessoas manipuladoras, são traídas por quem elas menos espera.
O erro do meu pai, foi achar que aliados eram amigos.
Nunca sabemos como e quando nos preparar para a morte. Ela bate na porta, levando quem amamos, sem do e sem piedade.
Ao me deparar com aquela cena, eu senti como se tivessem me tirado o chão. Como se, meu coração tivesse sido esmagado.
Nunca a esperamos. Mas algumas pessoas carrega a morte nas mãos.
E tudo resumidamente a escolhas de merda.
O pai da Alysson estava com a morte nas mãos. E estava com os olhos arregalados. Mas era tarde demais. Ele se sentou na poltrona do meu pai, enquanto o sangue quente escorria por todo o escritório.
Ele não me viu, mas tentou me matar também. Incendiando a minha casa, e queimando tudo que tinha de prova contra ele.
Ele tinha acabado de fazer a escolha dele. Que iria ditar o futuro. Mas pra infelicidade dele, eu fazia parte dessa escolha, pois cada ato tem a sua consequência.
Victor. Será saboroso o ver sofrer.
