Capítulo 45

274 23 6
                                        

(Alysson)

Estava me olhando no espelho. Vendo algumas cicatrizes nas minhas costas.
Olhando para mim mesma. E pensando no quanto sou uma idiota.
Com a culpa atormentando a minha cabeça. E sempre com um nó entalado na garganta.
Depois daquele dia tudo dentro de mim mudou. E eu não sei dizer como.

Eu vi uma pessoa inocente morrer. Por algo que eu fiz. Por um acordo, sem nem certeza de dar certo. Por negligência, e por um plano mal feito.

Ele teve a capacidade de matar ela, tão brutalmente que eu jamais vou esquecer. Ela nem teve chance de gritar. E aquela foi a pior coisa que eu vi.

Gael disse que ela iria morrer de todo jeito. Talvez ele tenha dito isso, pra não sentir tanta culpa também. Eu sei que ele está sentindo. Vi ele ter pesadelos nessa última semana. Ouço ele levantar de madrugada. Já ouvi ele vomitar até o que não tinha no estômago.
E tudo isso, para me punir. Tudo o que esse homem pode fazer...

Felizmente, ele também estava atormentado.

Em uma manhã, alguém ligou, pedindo uma reunião com urgência. Não ouvi bem quem era. Apenas não estava ligando mais.

Já tinha passado da hora do Gael chegar. E estava ficando bem tarde.

Empregada- Senhora, tem telefone pra você.

Alysson- É o Gael?

Empregada- Não senhora.

Ela sai, e eu vou até o telefone.

Alysson- Alô?

PK- Eai Alysson.

Alysson- Sinto muito, mas o Gael não está.

PK- É sobre o Gael que quero falar. Mas quero te mostrar, quero que venha em um endereço.

Alysson- Eu não posso sair.

PK- Se é com o Gael que está preocupada, não precisa, eu te garanto.

Alysson- Fácil falar, como vou saber que isso não é uma armadilha?

PK- Te garanto que queremos ele morto, tanto quanto você.

Ele desliga. Ele me passou o endereço, mas não sinto confiança para ir.

Sento no sofá e fico encarando o papel. Isso pode ser uma armadilha do Gael. Ele pode estar fazendo isso só pra me testar.

Mas pelo que eu sei, o PK não gosta do Gael. E o Gael provavelmente foi ao morro hoje.
Que droga, não sei o que fazer.

Empregada- Senhorita está tudo bem?

Alysson- A, sim. Sabe me informar se o motorista está aí.

Empregada- Ele está sim.

Me levanto do sofá e vou até o motorista, e ele está encostado no carro fumando.

Motorista- Senhora.

Ele diz acenando a cabeça.

Alysson- Preciso que me leve a esse lugar.

Digo dando o papel pra ele.

Motorista- Não posso.

Ele diz me entregando o papel.

Alysson- Posso saber o por quê?

Motorista- O patrão não autorizou.

Alysson- Acho melhor você me levar nesse lugar agora mesmo, até porque eu também sou a patroa não é?

Ele joga o cigarro e pisa nele.

Alysson- Vou esperar no carro.

Digo e entro no carro. Ele não questiona mais, só entra no carro e me leva até o tal endereço.

O lugar é no meio do nada. Só tem uma espécie de casa no local.
Desço do carro.

Alysson- Não precisa me esperar.

Ele retruca falando que não pode sair. Mas com muita insistência ele vai embora. Tem uma pessoa encostada na parede da "casa", e eu me aproximo.

Alysson- Trevor...

Digo quase em um sussurro, mas ele escuta.

Alysson- Por que está assim? Sua roupa, seu pescoço, está todo sujo de sangue.

Trevor- Longa história.

Alysson- O PK me ligou.

PK- Liguei.

Ele diz aparecendo atrás de mim me fazendo tomar um baita susto.

PK- Quero que venha ver uma coisa.

Ele diz entrando naquele barracão, e eu o acompanho nervosa.

Presa a você. (Concluída)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora