(Alysson)
Eu me segurei tanto para conter os gemidos. Mas falhei.
Ele está em cima de mim, com o corpo suado. É quase madrugada.
Ele se movimenta rápido, suspiro em seu ouvido, e ele continua, continua. Até eu chegar lá. Até ele chegar lá.
Ele continua em cima de mim, dentro de mim. Com minhas mãos em suas costas, ele ergue um pouco o rosto, e me encara.
Gael- Você é maravilhosa mi amor.
Ele diz alisando minha bochecha.
Ele sai de dentro de mim, e vai até o banheiro. Estou nua enrolada em leçoes de seda brancos.
Estamos em lua de mel a quase 3 semanas. Dês de que tive o pesadelo, estou tentando achar uma forma de desaparecer. Uma forma do Gael não me achar.
Uma parte minha está me odiando nesse momento. Hesitando. Não quer fugir disso. Está amando isso. E a minha parte normal, pensa no quanto meu pai pode estar sofrendo. No quanto sou tola e ingênua para estar acreditando nessa farsa. Ele só está comigo por causa da sua vingança. Nada além disso.
Na madrugada quando o Gael está dormindo, passo a mão em seu rosto, sentindo a sua pele em meus dedos. Está quente, e ele dorme profundamente.
Levanto da cama sem fazer nenhum barulho, me visto, pego minha bolsa e coloco algumas roupas necessárias dentro. Abro a porta de fininho e saio do nosso quarto. Pego o elevador para descer, quando o elevador abre, não tem uma alma viva. O recepcionista está com a cabeça encostada na parede de boca aberta roncando. Penso que seria muito fácil alguém entrar e assaltar.
Saio do hotel, e o vento forte e gelado da praia bate em meu rosto, ouço o barulho das ondas. A rua está vazia.
Fico imóvel parada por um estante. Estou hesitante. Não posso voltar, ele vai perceber. Eu tenho que continuar.
Eu poderia alugar um quarto em outro lugar, outro hotel. Bem longe daqui. Mas não tenho dinheiro, não tenho nada. Começo a me arrepender dessa decisão inusitada.
Andando com a cabeça baixa, olhando para meus pés, tomo um susto quando alguém esbarra em mim.
Alysson- Me desculpe, eu estava distraída.
Xx- Eu percebi.
Um garota de cabelo curto quase loiro com olhos claros me encara.
Alysson- Perdão. Só estou perdida.
Xx- Ta precisando de ajuda?
Alysson- Sim. Mas você não pode me ajudar.
Ela ergue uma sobrancelha surpresa.
Xx- Uma mulher andando sozinha de madrugada, nas ruas do Rio de Janeiro. Deve ser muito corajosa. Ou deve ser burra.
Alysson- Suponho que você também seja uma mulher andando sozinha nas ruas do Rio de Janeiro.
Ela dá uma risada.
Xx- Não estou sozinha. Estou com meu irmão.
Me sinto envergonhada.
Xx- Mas que tipo de ajuda você está precisando?
Alysson- Preciso fugir de uma pessoa.
Xx- Meu irmão e especialista em esconder coisas.
Alysson- Que tipo de coisas?
Fico curiosa.
Xx- Nem queira saber. A propósito, me chamo Lia.
Alysson- Eu sou a Alysson. Acha que seu irmão pode me ajudar?
Lia- Creio que sim.
Ela se vira, e aponta para o fim da rua.
Lia- Ele está vindo.
Assim que o vejo, minhas pernas ficam bambas. Sinto vontade de correr, correr para bem longe.
Ele olha pra mim de cima a baixo, e vejo seu sorriso irônico no canto da boca.
Lia explica toda a situação a ele. Fico calado o tempo todo. Não sabendo se corro, ou se fico e confio em alguém que praticamente me ameaçou.
Trevor- Eu sei de um lugar, onde você pode ficar temporariamente. Mas, tenho que saber quanto vai me pagar por esse favor.
Ele olha pra mim de cima a baixo com um olhar indecifrável. É claro que tem dinheiro no meio disso.
Mas a questão é, onde eu vou arrumar dinheiro. Minha solução é mentir.
Alysson- Eu sou casada com o Gael Duarte. Assim que eu conseguir os papéis do divórcio, vou ficar com metade da sua fortuna.
Trevor- Pretende se divorciar?
Alysson- Se estou fugindo dele. Pretendo sim.
Digo sem perceber que fui muito irônica.
Ele apenas faz um aceno com a cabeça, e manda eu o seguir.
Concordo com a cabeça. Sem dizer uma palavra. Sigo eles. Decido confiar neles. Não tenho nada a perder. Se ele não me matar, o Gael vai.
Mas algo me incomoda. Ele nem se quer me questionou. Não pediu nem metade do dinheiro. Não estimou um valor. Nem nada do tipo.
É um troféu e tanto.
Talvez ele me dedure para o Gael. Talvez eu morra. E se eu morrer, a culpa disso acontecer vai ser minha.
