Embry era um garoto tímido e reservado, ao qual teve sua vida virada ao avesso quando se transformou em lobo. Criado apenas pela sua mãe; que pertencia a outra tribo, tinha como a maior dúvida da sua vida quem era seu pai biológico e, dentre Jacob...
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Capítulo 10
por N.C Earnshaw
PASSAR O DIA NA ESCOLA era insuportável. As matérias eram maçantes, os estudantes não paravam de encarar, e os professores pareciam amedrontados de reclamar sobre qualquer coisa que ele fizesse. Embry tinha certeza que, se socasse a cara de algum deles, iriam pedir desculpas no mesmo instante.
O garoto não sabia se gostava de ser temido. A fama de participar de uma gangue não permitia que ele ficasse em paz. Cada passo seu era vigiado por dezenas de olhares, e ele odiava aquela atenção, porque sempre acabava se atrapalhando e se envergonhando mais que o normal.
Naquele dia tinha saído mais cedo, então não poderia pegar carona com Jared para casa, e não iria esperar por Quil — que ainda tinha mais duas classes. O Cameron e Paul eram malditos sortudos por estarem livres do ensino médio. Embry ainda tinha mais um ano e meio de estudos, e desejava largar aquilo de uma vez. Seu futuro não seria distante de La Push, então não precisava de algum certificado que não iria usar.
Quando se lutava todos os dias contra vampiros, arriscando sua pele, e quase todas as horas do seu dia para proteger as pessoas, estudar tornava-se ainda mais entediante.
Ele chutou uma pedrinha para longe, entediado. Não podia se transformar — uma vez que estava vestido com uma das poucas roupas que não tinha um rasgão, e não poderia estragá-las. Também estava com a mochila repleta de livros, e sua mãe o mataria se ele acabasse perdendo qualquer uma daquelas coisas.
Uma buzina alta o fez pular no lugar. Tinha ouvido o carro se aproximando, mas não esperava pelo som estridente que quase chegou a ferir seus ouvidos. Ele olhou para o lado, desejando xingar quem quer que fosse o motorista, mas desistiu quando viu que era Paul o dito cujo.
Embry reconheceu o modelo do carro que ele dirigia na hora. Era o mercedes de Wendy, e parecia ainda mais incrível de perto.
Ele daria tudo para dirigir aquela máquina. E sabia que se pedisse ao imprinting do Lahote, ela permitiria no mesmo segundo. Entretanto, a vergonha não deixava que ele tomasse esse tipo de liberdade.
— Está assustadinho, Call? — gozou o outro lobo, encostando o braço na janela aberta.
Embry fez uma careta, mas não se dignou a respondê-lo. Tinha sido humilhado o bastante na escola, não precisava ser humilhado por Paul, também.
— Está indo pra casa, garoto?
O lobo encarou Paul com uma expressão debochada. Não era muito mais novo que ele. Três anos de diferença não fazia do Lahote um senhor sábio que podia chamá-lo de "garoto".
— Estou voltando da escola — explicou, mesmo que a mochila e as roupas já fossem sinal suficiente para o outro deduzir aquilo.
Paul se inclinou sobre o banco do passageiro e abriu a porta, fazendo com que Embry tivesse que dar dois passos para longe dela, ou seria atingido.