CAP 29 - A MANSÃO

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CAP 29 - A MANSÃO
VISÃO: SILAS

Após a curta conversa entre nós, Amanda e Gi caíram em um sono profundo encostadas uma à outra. Não foi muito agradável devo dizer... Era eu o acordado e mais quatro pessoas estranhas no trem. A cabine também não ajudava muito, todas as janelas estavam fechadas, ou seja, o ambiente estava muito quente. Eu realmente não estava com sono, então peguei um livro da mochila ao meu lado, sentindo o tempo todo os olhares dos passageiros em mim. Apesar de ser um dos meus livros preferidos, não consegui prestar atenção nele, já que toda vez que prestava atenção a uma palavra, o trem sacolejava e eu perdia a página ou uma das gêmeas começava a berrar. Não era nada bonito. Depois de um tempo, desisti do livro. Não havia porquê. Isso foi realmente um erro, sem o livro, pude me concentrar em outros elementos na cabine, como a música. Repito, um erro. A música era totalmente inebriante, apesar de chata, e foi me deixando cada vez mais com sono. A última visão que eu tive antes de adormecer foi a da velhinha olhando para mim: seus olhos eram negros. Depois de muito, muito tempo, eu acordei. As janelas estavam abertas e uma leve brisa soprava no ar, a cabine estava tomada pela natureza e não havia ninguém comigo. Gi, Amanda, o fisiculturista com o machado, as gêmeas e a velhinha demoníaca, todos sumiram. Me levantei e peguei minha mochila, olhando em volta. A cabine do maquinista foi a primeira coisa que me veio à cabeça, pois ele podia ser o culpado, já que tinha aquela máscara. Nada à vista, somente um papel em cima do maquinário. Dei de ombros. Não custa tentar. O bilhete estava estranho, como se tivesse sido feito as pressas e faltava uma parte, mas dizia:

"Eu achei, finalmente achei! O início de todo o poder sagrado que o senhor sempre procurou. Ele vai te achar... Eu sei que é ele. Seus olhos, sua aparência... E aquele ... igual o quadro que o senhor tem em casa. Ele não pode fugir."

Eu não estava entendendo nada. Quem ele está descrevendo? Quem é esse "senhor"? Apesar das minhas muitas perguntas, ninguém iria escutá-las. No final do bilhete, um endereço: Mansão StoneHill, 345. Será que foi uma entrega que deu errado...?

- Maldita ideia de queimar o orfanato... - suspirei, batendo minha cabeça no batente da porta

Não ia adiantar nada eu ficar naquela cabine vazia e abandonada, apesar de querer muito ficar num lugar "conhecido" e "seguro". As portas do trem estavam escancaradas, tomadas por heras e desgastadas pelo tempo. Estranho, parece que dormi por 100 anos e não por três horas. Era um pequeno bosque, como uma área de camping abandonada. Havia restos de uma fogueira e a marca de uma barraca na grama. Andei por um tempo até avistar uma cabana. Ótimo, sinal de vida. Mas antes, janela. Me esgueirei com cuidado até debaixo da janela, espiando com cuidado. Havia um homem sentado na mesa, chorando desesperado. Me abaixei, me sentindo mal por ter presenciado um momento tão íntimo, mas não podia deixar de lembrar que não sabia onde estava. Suspirando, bati na porta da frente. Escutei a movimentação dentro da casa e fiquei esperando por um tempo até o homem abrir.

- Quem é você e o que quer? - ele disse, os olhos vermelhos e inchados e uma careta impaciente.

- Eu.. - hesitei, esquecendo de criar uma história suficientemente rápida - Estava na floresta investigando, me perdi dos meus colegas de trabalho. O senhor pode me ajudar? Sou o novo detetive da cidade, não moro aqui e estou realmente perdido. - disse, mentindo rapidamente.

- Detetive, hum? Como se o velho Richards tivesse se aposentado - ele disse sacando seu telefone - Olhe garoto, não o que você quer e nem quem você é, mas não estou em um bom dia hoje. - ele disse - Ou seja, vou chamar a polícia se você n...

- Não - digo, me odiando por ter que fazer aquilo mais uma vez - Você não vai chamar a polícia.

Sinto o formigamento já familiar atrás dos olhos, e sei que eles estão ficando brancos. Começo a escutar a voz do homem à minha frente, mas ele logo silencia à medida que eu forço a entrada em sua mente, às vezes é doloroso, mas não com esse cara. Seus muros emocionais estão destruídos e me sinto ainda mais culpado por invadir sua cabeça. Abro os olhos e vejo ele, com os olhos inteiramente brancos, esperando por permissão, como um fantoche. Odeio esse poder.

- Entre na sua casa e me deixe entrar também, você irá me dizer tudo o que sabe sobre onde estamos e me dirá quem é você - ordeno, olhando para baixo

Ele acena e me deixa entrar, puxando uma cadeira mecanicamente.

- Essa cidade se chama Sweetviews. Nosso prefeito é um homem misterioso, e não sabemos quase nada sobre ele, mas ele faz a cidade funcionar. Você está na orla da cidade, em um bosque pouco visitado. Se você seguir pela trilha atrás da casa, chegará ao começo do bosque.

- Conhece esse endereço? - digo, pegando o bilhete na minha mochila e passando para ele por cima da mesa

- É a mansão do prefeito. Fica no alto de uma colina, na parte mais afastada da cidade.

- Interessante... - murmuro para mim mesmo - E você senhor? Quem é?

- Meu nome é David e eu comprei essa casa a poucas semanas. Não conseguiria morar na mesma casa de onde meu filho desapareceu - ele disse, com uma voz embargada - Ele sumiu a pouco mais de três meses e a polícia disse que não há nada mais para fazer

- Qual.. Qual era o nome do seu filho? - digo, não contendo minha curiosidade

O homem começa a gorgolejar, se afogando. Seus olhos começam a sangrar e minha cabeça explode de dor. Alguém está bloqueando a conexão. "Não, não... Você não vai descobrir isso agora, meu amor". Eu não conheço aquela voz, mas sei que tenho que quebrar a conexão entre nós, senão os dois poderiam explodir.

- Argh! Porra, isso dói! - digo, apertando minha cabeça, tentando parar com a dor.

O homem jazia desmaiado na cadeira, com o nariz sangrando. "Desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa", digo mentalmente, tentando ajustá-lo confortavelmente na cadeira. Merda. Seu plano tinha dado errado, mas pelo menos eu consegui as informações. Saindo da casa, encontrei a trilha como o homem disse, e a segui até chegar na cidade. A área parecia tranquila, com casas simples e bonitas, um bairro de classe média. Comecei a procurar a mansão, mas sem chegar perto de ninguém, com medo do que poderia acontecer.

- Mansão... Mansão... Não é tão difícil achar uma mansão em uma colina! - murmurei comigo mesmo - Ali! - exclamo, dando um sorriso ao avistar uma casa grande ao longe - Finalmente!

Me encaminho apressado para a mansão, sem saber exatamente o que deveria esperar. Chego a um portal de metal muito bem cuidado, já preparado para entrar à força, mas quando fiquei de frente com o portão ele se abriu, como se minha chegada já fosse esperada. Andei por um caminho de pedras, observando o terreno. era grande em todos os lados, mas não tinha muita coisa, a grama era o elemento principal ali. A mansão era gigante, construída em tons escuros e as janelas eram imperiosas, mas estavam fechadas com enormes cortinas brancas. A porta era de madeira escura, com um batente em forma de leão. Havia dois homens parados em frente a porta, com máscaras cobrindo seus rostos, dei um passo pequeno e cuidadoso em direção a porta, pronto para usar meus poderes, mas eles não mexeram um músculo. Eu sabia que era uma armadilha, mas não tinha outro jeito, aquela era minha única pista. Segurei na maçaneta antiga e empurrei a porta, que abriu quase sem esforço. O hall não deixava a desejar, assim como o resto da casa. Era grande, e um tapete vermelho grande e longo subia da porta até o andar de cima. No topo da escada, um quadro. Respirei fundo. Aquilo não podia estar acontecendo. Retirei cuidadosamente uma corrente feminina do meu pescoço e olhei fixamente pro quadro. Aquele colar era o meu segredo, nem a Amanda sabia da existência dele, ele foi o único objeto deixado comigo e a Sra. Smith havia dito que pertencia a minha mãe. Olhei para o quadro mais atentamente. Sim, era o mesmo colar, mas a mulher não se parecia em nada comigo. Estava tão concentrado em descobrir qual era minha ligação com aquele lugar que nem percebi o homem de meia idade descendo a passos lentos escada, até ele chegar na minha linha de visão. Ele não parecia ter mais de quarenta anos, era alto e loiro, seus olhos eram azuis e seu corpo estava adornado de relógios, todos pendurados em sua roupa.

- Você chegou! - ele disse - Você não sabe o quanto tempo esperei por isso, meu filho!

Os três mundos {(Livro 1)}Onde histórias criam vida. Descubra agora