CAP 13 OLIVIA EM PERIGO
VISÃO: JANE
Eu estou a um tempo na sala de registros. Quando o alarme soou, eu fiquei desesperada e me sentei no chão, mas percebi que havia uma câmera na sala, então levantei discretamente e fiquei em um ponto cego, abaixo dela. Na falta do que fazer, abri umas caixas por perto e comecei a fazer Origamis para me acalmar e me salvar do tédio. Eu... Tô com medo. Não posso mentir. Na minha décima dobradura de papel, escuto passos apressados por toda a base e congelo, esperando pela minha prisão. Mas passa um tempo e começo a respirar aliviada. Ouço uma batida leve e hesitante na porta, e uma voz familiar em seguida:
- Jane? Você tá aí? - Eduard sussurra do outro lado
Me levanto desesperada, derrubando os origamis do meu colo. Chego na porta e a abro, olhando para a figura encapuzada de Eduard na minha frente.
- Jane? Venha, vamos! Antes que alguém perceba que eu não me escondi e me siga- ele diz já agarrando meu braço, mas eu o paro.
- Eddie... Eu senti saudades - digo, com a voz chorosa. Ele parece desistir de ser ágil e abre os braços. Me encaixo em seu abraço, tentando não pensar em nada ruim neste momento. A tensão deixa seu corpo e ele se permite relaxar no breve momento.
- Jay? Chega de melação, precisamos correr - percebendo minha desconfiança ele acrescenta - Eu também estava com saudades da minha ami... - ele hesita, como se estivesse pensando no termo - Amiga? A coisa mais próxima que posso sentir de alguém que apareceu na frente da minha casa de madrugada e me puxou para uma viagem interdimensional acho. - Eduard finaliza, terminando o abraço.
Sigo ele pelo labirinto que é a base para procurarmos a Oli no nosso ponto de encontro, antes de chegarmos lá, paramos de supetão em uma esquina, ao som de vozes conhecidas.
- Luke, o plano deu certo. - o homem diz, confiante- Olivia está aqui e me contou todo o planos dela e de seus amigos, e tenho certeza que está gostando de mim - finaliza com frieza
- Benjamim, ou melhor, irmão. Ou prefere ser chamado de Ben? - Luke caçoa de Ben - Pena que ela foi tão ingênua de confiar em você não é mesmo? - ele solta uma risada nasalada - Sabe, ela pode estar até gostando de você, mas essa paixão termina no momento que ela percebe o tipo de pessoa que você é.
- Jay, temos que achar Liv - Eduard sussurrou preocupado no meu ouvido - Ela está aqui em algum lugar, temos que procurá-la e levá-la pra longe dos dois. Eddie falando o óbvio como sempre.
- Obviamente, podemos fingir que não sabemos de nada pra ele pensar que Liv estava mentindo sobre o plano. - digo, no mesmo tom que ele.
Nós sorrimos debaixo da máscara e eu senti uma imensa vontade de tirar sua máscara e beijá-lo ali mesmo, mas definitivamente não é uma boa hora. Pego sua mão e me ponho a correr em silêncio e a toda velocidade pelos corredores, preocupada com Oli e torcendo para ela nunca mais cair na daquele canalha. Ele era um cretino por fazer tudo o que nos fez e depois se juntar a Luke. Argh, só de pensar nisso me dá vontade de vomitar. Pode parecer nojeira ou exagero, mas não é. Ele tá enganado minha amiga e ninguém engana minhas amigas. Passamos mais ou menos meia hora procurando ela, sem nos separamos. Teve um momento que escutamos sons de passos ao longe, e ficamos escondidos por um tempo até acharmos um corredor que dava para uma ala desconhecida, Eddie ficou de guarda enquanto eu ia ver se tinha algo de interessante. Acabei vendo Luke carregar uma menina pelo braço. Ela estava com os pulsos amarrados e vendada, mas com o cabelo igualzinho ao que eu fiz em Oli quando saímos da casa de Ben. Pensei em gritar seu nome e atacar Luke, mas iria chamar muita atenção dos seguidores dele, e sem armas decentes eu e Eduard não conseguiríamos derrotar uma base inteira. Antes deles entrarem na floresta, vi Luke conversar com uma espécie de guarda. Sem querer perdê-los de vista, vou rapidamente até Eduard e conto o que acabei de ver.
- O que? Temos que sair daqui o mais rápido possível! - ele diz esbaforido.
Concordo e rapidamente vamos para a porta. Passando pela entrada, Eduard se dirige aos guardas:
- Acabou nosso expediente, podemos ir? - ele diz, confiante
- Claro, podem passar. Vocês devem fazer parte do grupo AXB - o guarda da direita responde, ao que o guarda da esquerda nem presta atenção em nós.
Seguimos em frente, acompanhando as pegadas na mata, e quando já estávamos distantes do olhar dos guardas, nos despimos de nossas túnicas, fazendo uma trouxa e usando-a como mochila. Fomos correndo para acharmos eles mais rápido. No meio do caminho, achamos a máscara da Liv, manchada com sangue seco e lascas de unha, nos mandando uma mensagem. Estávamos andando até os limites da floresta, para a cidade do Bosque Decepado, quando eu vi eles. Luke andava rápido, com raiva, e Liv estava amordaçada e amarrada, parecendo igualmente raivosa. Seguimos eles por um tempo. Chegamos na cidade e Luke entrou em uma pensão, uma casa administrada por um proprietário, que pode morar ou não no local. Há opções apenas para homens, apenas para mulheres e acomodações mistas, que parecia ser o caso dessa. Para que ele não nos reconhecesse, decidimos mudar o visual. Com uma tesoura que peguei emprestado de uma menininha na rua, cortei meu cabelo na altura do queixo e com uma agulha que achei no meio fio, fiz uma capa com as túnicas e com o resto do tecido, uma espécie de barraca. Não ficou tão ruim. Minhas rápidas aulas de costura com Oli serviram de algo afinal. Cortei o cabelo do Eddie também, e ele arranjou uma touca e uma armação de óculos quebrada, que arrumamos com fita crepe. Só então entramos na pensão procurando um quarto, mas infelizmente estava lotada. Fomos para o hotel ao lado e conseguimos um quarto de frente pra pensão. O quarto era simples, mas meio acabado. Havia manchas de mofo e de água no teto e as camas pareciam estranhamente inclinadas. É melhor que as pedras da floresta devo concordar. Nos dividimos em turnos para ficar de olho na pensão, o que gera uma pequena troca de farpas por minha parte:
- Quer ir primeiro? Você deve estar mais cansada que eu - Eduard ofereceu
- Você sabe que não é verdade seu sedentário - retruco cansada, com um sorriso no rosto - Mas aceito seu gesto de cavalheirismo
Ele sorri e se vira para a janela enquanto vou ao banheiro. O lugar não é melhor que o quarto, mas é aceitável. Há escovas de dentes e chuveiro, o que considero um luxo. Tomo um bom banho, tirando toda a sujeira do meu corpo e escovo bem os dentes. Me sentindo limpa, volto para o quarto e encontro Eddie dormindo no chão com a cabeça apoiada na cama. Sorrio e o cubro com sua nova capa, então me sento ao seu lado e começo minha vigia.
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Os três mundos {(Livro 1)}
Science FictionTrês adolescentes vivem em realidades diferentes e, sem saber o porquê, acabam sendo levados para dimensões que não são as deles. Eles vão ter que encarar esta nova realidade e descobrir o motivo de estarem lá.