CAP - 27 AGORA OU NUNCA / VISÃO: Gi
Eram mais ou menos umas 5:00 da manhã quando eu acordei de um pesadelo. Eu não conseguia enxergar nada, mas escutava uma cacofonia de vozes, e mãos tentando me puxar de todos os lados. Abri os olhos, ainda sonolenta. O sol ainda não havia saído, mas o céu já estava começando a clarear. Resolvi pegar um copo de água na cozinha do acampamento, mas não queria sair da barraca de jeito nenhum... Me lembrei da noite passada, quando Silas foi dormir. Eu e Amanda colocamos todas as malas na terceira barraca e dormimos juntas, agora ela está me abraçando por trás, e eu tenho medo de que ela acorde. Lembrei então que Silas falou que ela dorme que nem uma pedra, então me desvencilhei com cuidado e sai da barraca, caminhando lentamente até a casa no fim da colina. Era lá que ficavam os donos da área de camping, dois senhores muito bondosos que nos acolheram com sorrisos gentis. Decidimos não nos aproximar muito, já que, com toda essa situação mal resolvida, colocar os dois em risco não seria inteligente. Eu voltei para a barraca lentamente e me sentei em um toco na ponta do morro, absorvendo a vista. Era tão linda! A cidade era grande, então eu não conseguia vê-la por inteiro, mas o pedaço que eu via... Uau. O céu entre a noite e o dia dava um toque ainda mais especial ao lugar. Voltei para a barraca, me aconcheguei em Amanda e cochilei um pouco. Acordei um pouco cansada, mas despertei assim que ouvi vozes. Silas e Amanda já tinham acordado e estavam tomando café sem mim. Saí da barraca com cara feia e parei na frente dos dois, cruzando os braços.
- Ei! Vocês não me esperaram! - disse, emburrada. Me sentei no meio dos dois, só para irritá-los e me servi de pão com geléia e suco de laranja - Huummm! Que delícia!
- Aiai essas mudanças de humor adolescentes - Silas debochou. Dei uma cotovelada nele e tentei falar de boca cheia:
- Maf tu é muifo chafo! - disse, mastigando e olhando irritada para sua cara debochada
- Repete que não escutei - ele me provoca.
Olho para Amanda, pedindo alguma ajuda, mas ela está tentando não cair na gargalhada. Dou um sorriso a ela e ignoro Silas completamente.
- Hunf! Odeio ficar de vela - ele murmurou, alto o suficiente para que nós duas consigamos ouvir.
Amanda lança um olhar irritado pra ele e eu lhe dou outra cotovelada.
- Ai! Tá, tá. Paro de encher o saco de vocês duas - ele diz, mostrando a língua - Enfim, assunto sério. Vou repassar o plano, pra vocês não se esquecerem ok? É sério - ele diz, após ver nossas caretas de desânimo. Ele insistiu que nós revisássemos o plano umas trezentas vezes na tarde passada, mas concordamos com a cabeça, pedindo que ele continue. Ele assente e começa a explicar: - Eu e a Gi iremos escondidos em um caminhão com a comida da prisão e iremos levar algumas armas para a proteção. Amanda se entrega para a polícia como uma criminosa arrependida e ajuda os Miller a saírem de lá.
- E meu poder? - digo, tentando ser um pouco mais útil
- Não se preocupe com isso agora, iremos usar ele como último recurso já que você ainda não o treinou suficiente - ele disse, colocando a mão no meu ombro - Ah, e mais uma coisa: tomem cuidado as duas, ok? Amanda irá pegar os materiais da reforma que está ocorrendo perto da ala dos Miller e irá usá-los para tirar eles de lá. Quando sairmos, iremos levar eles para algum lugar isolado, mas seguro. Todos de acordo?
- Sim - eu e Amanda dissemos. Estava um pouco insegura, devo dizer, mas sabia que Silas havia pensado em cada detalhe desse plano para nos manter seguras.
Já havíamos recolhido nossas coisas e estávamos descendo a colina quando ouvimos um estranho barulho atrás de nós, era como se um zíper gigante tivesse sido aberto. Olhamos para trás, com os rostos franzidos. Na orla do bosque, perto de onde eu tinha parado mais cedo para admirar a vista, havia duas formas encapuzadas e usando máscaras medonhas, com rostos tristes e desfigurados. Eles sacaram duas cimitarras e vieram correndo para cima de nós. Descemos o morro em disparada e milhares de coisas passaram pela minha cabeça, como o quanto eu estava feliz por Silas ter pagado os velhinhos antes disso acontecer, o quanto eu estava de bem com a vida e de bem com a Amanda... O morro logo parou de ficar íngreme e estávamos na cidade. Olhei para Silas e ele apontou para um beco ao lado de duas lojas. Puxei Amanda naquela direção e nos escondemos por alguns minutos. Recuperando o fôlego, disse:
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Os três mundos {(Livro 1)}
Bilim KurguTrês adolescentes vivem em realidades diferentes e, sem saber o porquê, acabam sendo levados para dimensões que não são as deles. Eles vão ter que encarar esta nova realidade e descobrir o motivo de estarem lá.