CAP 09- O BUNKER

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CAP O9 A BASE                                                                                                                                                                      Visão: Olívia

Eu estava louca. Essa era a única opção. Eu não creio que concordei com a ideia maluca de Eduard, apesar de que tudo que eu queria era voltar para casa, pros meus pais. Enquanto Eduard e Jane trocavam farpas na sala de estar, fui pra cozinha e fiz um bilhete para Ben:

"Querido Ben,

Desculpa sair sem nos despedirmos... Enquanto você não voltava de sua caça matinal, eu, Eduard e Jane combatemos uma pessoa aqui em sua cabana e descobrimos informações valiosas sobre quem somos. Eddie disse que contou toda a verdade a você... Não queria ter mentido, me desculpe, mas não podia deixar a vida dos meus amigos em perigo. Ele teve uma ideia incrível e estamos indo cumprir. Não nos siga. Não confio tanto em você porque acabei de te conhecer mas eu quero que fique em sua casa e não se preocupe. Você foi tão gentil em nos acolher, seremos eternamente gratos. Obrigada por me salvar, aliás.                                                        Olívia"

Saímos em boa hora, enquanto ele estava no banho. Fiquei um pouco pesarosa de abandonar a casa de madeira, tinha passado bons momentos ali. Saímos em silêncio, andando em meio ao sol. O resto do dia foi gasto nessa procura. Quando achávamos que nunca íamos encontrar nada, decidimos parar. O crepúsculo já havia passado e todos estavam cansados. Nos encontramos e paramos em uma clareira.

- E agora? - pergunto baixinho

- Não sei... - Eduard responde.

Jane abaixa a cabeça, derrotada, mas então levanta com um brilho peculiar nos olhos:

- Olhem! Os dois... Vozes. - Apurei meus ouvidos em busca das tais vozes e escuto murmúrios baixos levados com o vento:

Prisioneiros... Base... Chefe... Experimentos

Nos olhamos estupefatos, com o mesmo pensamento perpetuando entre nós: "Encontramos eles!". Chamo os dois para perto de mim e amarro uma corda em seus pulsos, sem falar nada. Eles me encararam surpresos e logo perceberam meu plano. Então Jane inclina a cabeça para o lado, apontando para as mochilas e fala sem emitir som:

"Tem dois sacos de batata na mochila, coloca na nossa cabeça"

Olhei para ela incrédula. Quem guardaria dois sacos de batata na mochila? Mas obedeci, porque era a Jane. Sussurro o mais baixo possível:

- Vocês são meus prisioneiros...Não falem nada, eles podem reconhecê-los pela voz - eles acenam e saímos do nosso esconderijo.

Haviam duas pessoas na mata, com os capuzes abaixados. Pigarreei e esperei pela atenção dos dois, apreensiva:

- Olá... Eu tenho que levar esses prisioneiros para a base mas... - Pensa Oli, pensa! - Tenho perda de memória recente então não sei muito bem onde fica...

- Ah, você deve ser a Bárbara. É só seguir até uma clareira por entre essa trilha, toda vida reto. Você vai achar uma base camuflada, não tem como errar.

Agradeci e seguimos as indicações dos homens (que aparentemente eram guardas fazendo um lanchinho da meia noite) por algum tempo... Era um saco não ter relógio. Divaguei, pensando em como eu estava bonitinha com a túnica. Não que eu fosse uma pessoa narcisista e egocêntrica, mas queria me livrar de todas as preocupações e não pensar no momento em si. Estava com a tal túnica preta, cobrindo todo meu corpo, mas não estava só com ela obviamente, tinha pego uma legging e uma camiseta, pretas também. Jane e eu arrumamos a barra da túnica pra eu conseguir me mover com facilidade e foi bom passar um tempinho com ela. Assim que saí, ela fez uma trança no meu cabelo crespo, pus a máscara e coloquei o capuz por cima para ninguém me reconhecer, o que me deixou suando, apesar do cabelo preso, e ter passado o dia todo naquela roupa em meio ao sol não ajudava. Finalmente chegamos em um bunker estrategicamente camuflado na mata, com outros dois guardas prostrados na entrada. Uma luz esbranquiçada na parede iluminava as túnicas e os rostos com ar de superioridade. Me aproximei de um dos guardas.

- Oi, licença... - digo baixinho, agarrando com força a corda que segurava eu aos meus amigos. O guarda me olha com descrença e superioridade e uma curiosidade maléfica - Eu... Trouxe prisioneiros.

- Senha? - ele pergunta, indiferente

- Eu... Não me lembro... - ferrou...Como eu ia ultrapassar a porta de entrada?? Mas então lembrei de Bárbara e usei a mesma desculpa besta - Sou a Bárbara e tenho perda de memória recente, mas trouxe prisioneiros.

- Bárbara? Ah, me desculpa... Não tinha te reconhecido com a noite e o capuz abaixado... Pode entrar - ele mudou totalmente o tom de voz, seu olhar suavizou como se o próprio Céu tivesse aparecido em sua frente e seu rosto brilhou com... algo como admiração e paixão.

Tadinho, se eu fosse realmente Barbara daria um pouco de atenção a ele, mas não sou e não vim aqui para flertar. Então assenti timidamente e entrei pela passagem do bunker. Virei alguns corredores para sumirmos de vista e levantei o capuz. Uma lufada de ar me atingiu e eu suspirei, aliviada. Olhei para as pessoas na minha frente, uma menina e um menino com os pulsos amarrados e sacos de batata na cabeça e sorri, divertida. Tirei o saco da cabeça deles, para poderem respirar também e desamarrei seus pulsos.

- Seguinte, preciso que vocês embosquem duas pessoas e peguem a túnica delas... Vejam se tem câmera por favor... Não queremos soar os alarmes desse bunker. - digo, passando um plano - Agora vamos nos separar e se algo der errado... Saiam correndo. Por favor, tentem escapar.

Eles assentem e então Jane sorri, me abraçando.

- Fica preocupada não, Oli... Vai dar tudo certo.

Ela vira pra Eduard e sorri, de canto, mas não faz nada, só saí correndo. Eduard pareceu um pouco desapontado mas se recompôs e acenou com a cabeça se despedindo e indo para o lado oposto de Jane. Andei por um tempo, tentando descobrir algo útil quando escutei uma voz, que me deu arrepios por todo o corpo e me fez suar frio, mas mesmo assim fiquei lá para escutar.

- O que faremos? A menina que você raptou fugiu e ainda nenhum dos nossos homens conseguiu rastreá-la - falou uma voz desconhecida

- Jack - respondeu Luke, aparentemente tentando não surtar - Vamos raptá-la de novo... Olha, ela não deve ter ido tão longe, fraca como ela é e... - disse, controlando sua raiva - A apenas um dia encontrei os "amigos" dela, então comece a procurar naquela área. Vá - ele terminou, gritando irritado.

Tomei um susto com seu último grito, e sai do meu esconderijo o mais rápido possível. Temi pela segurança dos meus amigos e a minha também, se eles estavam me procurando, haveria mais movimentação na base e se eles fossem procurar na área perto da casa de Ben... Colocaria ele em perigo também. Comecei a me desesperar e andei sem me preocupar com o caminho em si, só divagando. Vi uma porta, com a fresta um pouco aberta. Olhando para os dois lados e vendo se o corredor tinha câmeras, entrei. E bem... Entrei em uma sala de vigilância. Havia monitores espalhados, como em "Toy Story" com o macaco louco, mas em vez de monitorar brinquedos, as câmeras monitoram celas. Celas e mais celas e mais celas. Algumas vazias, outras com pessoas. Com medo de ser pega e preocupada com o tempo me virei para sair da sala que já estava me dando arrepios, mas ouvi a porta abrindo e desesperada entrei em um armário, onde guardavam coisas de limpeza como vassouras, rodos e etc. Respirei fundo e tentei desacelerar meus batimentos, que pareciam ecoar por toda a floresta. Me acalmei e comecei a escutar...

Os três mundos {(Livro 1)}Onde histórias criam vida. Descubra agora