Por Ucker
Estava totalmente desnorteado, não queria ter de ir para a escola, contudo se eu ficasse em casa, permanecia com a Dulce em minha mente, não podia permitir, era melhor ficar na aula, pelo menos distraia meus pensamentos.
Encontrei o pessoal no jardim, todos estavam sentados na gramas enquanto Annie e Poncho cantam juntos, acho que tinham feito as pazes, ainda bem, uma notícia boa.
- Bom dia, gente. - aproximei-me deles.
- Bom dia - responderam em coro.
- Você sabe da Dul, Ucker? - Annie pergunta.
- Está no hospital, a avó dela está muito doente.
- Meu deus, tadinha.
Não demorou para que o sinal tocasse para a aula começar. Tivemos aula duplas de literatura, lembrei da Dulce, de como ela sempre gostou dessa aula. Felizmente, as aulas foram robôs, consegui me distrair um pouco, mas sentia minha cabeça latejar de dor. Quando vejo o intervalo, optei por permanecer na sala, não queria ficar conversando com ninguém.
Meus amigos foram em direção ao pátio, e eu fiquei ouvindo música. Notei que alguém abria a porta, levantei os olhos em direção ao ruído que acabara de ouvir. Era ela, Thalita, no caso.
- Oie Ucker - ela disse, em tom calmo e suave.
- O...oi - gaguejei, não sabia ao certo como falar com ela, ainda tinha receio.
- Podemos conversar? - apenas assenti.
- Eu chamei a Dulce para conversar ontem, ela parecia bem chateada, e ela me disse que vocês não estão mais juntos.
- Olha, não quero ser indelicado, mas sim, ela terminou comigo. E eu não estou a fim de ficar falando sobre esse assunto que já acabou comigo de muitas formas.
- Só queria dizer que se tiver algo que eu possa fazer por você... - eu a interrompo.
- Não tem, obrigada, não quero mais tocar nesse assunto, e acho que você também não quer. - digo, ríspido.
- Olha, para de falar como se você fosse a vítima dessa história, ok? Quem foi traída pelo namorado e pela melhor amiga, fui eu! Quem perdeu o filho também fui eu, e você não me vê reclamando ou te odiando, vê se cresce! - alterou o tom de sua voz de uma maneira que ela possível escuta-la até na sala ao lado.
- Não estou fazendo papel de vítima, eu reconheço que errei, mas quem não erra? O problema é esse, eu tenho sido julgado por isso há mais de um ano. Comentavam sobre minha vida, me ignoravam e e nenhuma mulher queria estar comigo por causa de uma mentira! - alterei a voz - então, não fale como se eu também não tivesse sentimentos. Tudo que eu queria era seguir em frente, deixar tudo para trás. E consegui por um tempo, mas tive medo de perder tudo isso, e já não importa mais, pois eu perdi de qualquer jeito - abaixei a cabeça - só quero ficar em paz. - não pude conter as lágrimas caindo em meu rosto, também não queria continuar ali. Segui em direção a porta, sem olhar para trás, abri a porta e sai, eu precisava ficar sozinho.
Pov Dulce
Foi a manhã mais longa da minha vida, parecia que as horas passavam em uma velocidade menor que qualquer coisa no mundo. Eu estava aflita, não consegui comer nada, também sentia enjoos e um pouco de tontura, precisava que essa situação acabasse.
Minha mãe andava de um lado para um outro na sala de espera, parecia que abriria um buraco no chão, tentei fazer com que ela descanse, mas foi em vão.
Perto da hora do almoço, o médico surge pela porta, estava procurando por nós. Levantei-me o mais rápido que pude, já pedindo a Deus que tudo estivesse melhor com a minha avó.
- Como ela está? - minha mãe pergunta, aflita.
- A cirurgia foi um sucesso - ele sorriu - mas ainda tenho que esperar para ver como ela reage, ficará uns dias na UTI, mas parece que terá uma boa recuperação. - Sorrimos. Ufa, que alívio!
Parecia que um peso havia saído das minhas costas, eu estava muito mais tranquila.
Olhei para a porta da entrada da sala e notei um rosto conhecido, era o Bruno. Sorri, fiquei feliz em vê-lo.
- Oi, ruiva - ele sorri. - Annie me contou inquérito aconteceu, eu vim correr para saber como estavam as coisas - Primeiro fiquei confusa, como a Annie sabia disso? Bom, possivelmente o Ucker já contou para meio mundo.
- Oi, Bruno, que bom que você veio - abracei-o. - Minha vó já está fora de perigo, graças a Deus - ele fez um sinal de agradecimento com as mãos. - Valos sair daqui? Acho que eu preciso comer alguma coisa.
- Claro, vamos sim.
Fomos até uma lanchonete que ficava próximo ao hospital, eu não queria ficar longe, pois se acontecesse algo, eu estaria por perto.
Enquanto o nosso pedido não chegava, eu contei ao Bruno como tudo tinha acontecido.
- Nossa, ele foi muito incrível, tenho que admitir. - ele sorri.
- Sim, eu também acho, mas eu não devia ter cedido, não era para ter rolado isso.
- Eu sei que você está muito chateada com ele, mas sabe, o perdão é algo tão lindo. Talvez você devesse deixá-lo falar, talvez deva dar uma outra chance.
- Não sei se devo, nem sei se quero pensar nisso agora - o garçom apareceu com os nossos pedidos. Eu optei por um sanduíche natural, queria algo leve, mas assim que senti o prato aproximar-se do meu nariz, não pude me conter, corri para o banheiro, eu precisava vomitar.
Felizmente, consegui encontrar o banheiro e despejar tudo que estava embrulhando o meu estômago. Não entendi porque estava assim a manhã inteira, será que ficar sem apetite estava afetando meu sistema digestório? Só podia ser isso.
Depois de me recompor, voltei para a mesa.
- Está tudo bem, Dul? - ele pergunta.
- Agora está, mas não vou comer, estou com muita dor de estômago.
- Mas você não comeu nada hoje, não pode ficar assim.
- Vou tentar comer mais tarde, preciso descansar, amigo. Vou para casa - pego a minha bolsa que estava sob a cadeira.
- Ok, mas eu te levo.
- Não precisa, quero caminhar um pouco, obrigada por tudo, você é incrível - beijei o rosto dele e sai.
Comecei a andar pelas ruas, estava com meus pensamentos turbinados, precisava de ar puro, talvez ajudasse. Caminhei até praça, acho que estava virando o meu lugar especial. Sentei em um banco, para tentar acalmar minha mente. Ouvi uma música, parecia ser um violão, tentei seguir os passos de onde o som parecia estar ecoando.
Caminhei até uma árvore, arbusto e imensa, seus ganhos parecias estar extremamente saudáveis, abertos e com inúmeras folhas.
Consegui reconhecer a voz, era o Ucker, meu deus!
Ele cantava:
Tú me vuelves invencible
No conozco lo imposible
Si volteo y te encuentro aquí
(Déjame vivir cerca de ti, siempre a tu lado)
Fiquei à espreita da aquela árvore, apenas admirando a cena.
Reparei que uma criança aproximava-se dele.
- Oie, você canta muito bem - era um menino de aproximadamente dez anos, dos cabelos e pele castanhos-claros. - De quem é essa música?
- Muito obrigado! - ele responde - a música é minha, eu compus para uma pessoa muito especial. - Senti meu coração acelerar.
- Essa pessoa vai amar a música.
- Melhor que ela não saiba.
- Porque? - o menino pergunta.
- Digamos que... - hesitou - talvez ela prefere não saber, nem tudo sai do jeito que gostaríamos, ainda mais se erramos, temos que assumir as consequências.
- Tem razão, mas a minha mãe sempre diz que o maior vence no final - apoiou sua mão direita no ombro do Ucker.
Ouvi alguns passos e tentei aproximar-me para ver o que estava acontecendo, mas acabei tropeçando e cai no chão.
- Aí! - não pude conter o grito.
- Dul? Tá tudo bem? - ele correu em minha direção.
Porque eu tinha que ser sempre tão desastrada? Que raiva!
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Voltei, está bem corrido, mas tentarei postar um pouco mais rápido ❤️
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Meu melhor acaso
RomanceAs diferenças podem pesar ou nos fortalecer? Até onde o amor pode nos levar?
