Capítulo 66

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Pov Dulce

- Eu queria que você tivesse sido sincero comigo desde o início - digo.
- Eu sempre fui sincero, amor. Eu só não te falei isso porque não faz diferença para mim. Eu mudei, mas você acha que as pessoas se importam? Só querer fofocar às custas dos outros.
- Tudo bem, deixa isso para lá. - sentei no sofá e pus as mãos nos cabelos.
- Não está chateada comigo né? - ele diz ao se aproximar de mim.
- Não - digo com suavidade em minhas palavras.
- Promete? - assenti.
- Mas eu queria ficar um pouco sozinha, eu ainda estou com dor de cabeça e queria dormir um pouco.
- Tudo bem, amor. Depois me liga, ok? - assenti - amei você - ele beija a minha cabeça.

Ele pegou a sua mochila e saiu em seguida.

Fui para o meu quarto, tirei a roupa e entrei debaixo do chuveiro. Chorei, não pude conter. Meu coração estava acelerado, eu não entendia o porquê. Sentia medo. Medo de ter escolhido errado. Medo que ele me machucasse. Medo de tudo isso acabar.

Resolvi tentar dormir um pouco, mas depois de uma hora tentando ainda não conseguia pegar no sono. Então sentei à minha escrivaninha a fim de escrever um pouco. Tinha uma melodia na minha cabeça e eu queria escrever:

Y este corazón que miente
Y que intenta parecer valiente
Mas no te puede dejar de pensar
Este corazón que miente
Me recuerda que no soy tan fuerte
No he logrado dejarte de amar
De amar

Cantar sempre acalma, devolve-me a sanidade que eu precisar ter. Como eu queria poder viver disso, estar conectava com a música para sempre. Mas olha só pra mim, uma garota que não consegue nem subir em um palco direito. Devo estar destinada ser aquele que escreve em seu quarto, canções que ninguém nunca vai ouvir. E sem saber a que faculdade irá cursar, pois nada me interessava de verdade sem ser a música.

Pov Ucker

Sai da casa da Dulce e resolvi espairecer a mente. Fui até uma cafeteria que eu costumava ir há alguns anos. Não era muito conhecida, e essa era a melhor parte, eu podia estar sempre sossegado. Sem que ninguém pudesse me encontrar.
Pedi um simples café expresso e sentei em um dos pufs próximo à janela.

- Oie, Ucker - ouvi alguém chamar pelo meu nome, virei-me. Não podia ser.
- Thalita? - gelei.
- Você ainda vem aqui quando está triste? - ela sorriu.
- Eu tinha esquecido que você foi a única pessoa que eu já trouxe aqui.
- Nossa, a única? Que honra! - sorriu e sentou-se ao meu lado.
- Sim - sorri - não sabia que você iria voltar.
- Para ser sincera, nem eu. Eu já tinha até me acostumado com a vida no interior.
- Bem diferente né?
- Sim, mas senti falta daqui, parece que tudo ainda está igual. Bom, quase tudo.
- É, mas você está diferente, não só pela aparência... por tudo.
- É, estou mais madura. Ainda bem. - Fiquei em silêncio. - Tudo bem, Ucker. Não estou querendo insinuar nada.
- Eu sei, não foi o que eu pensei. Mas mesmo assim, eu sei o quanto eu te devo desculpas.
- Não foi só você que errou, tá tudo bem, é passado. Por mais que as pessoas estejam fofocando sobre isso, eu não me importo, não vou levar isso adiante, quero deixar isso bem claro.
- Obrigada, seria bom que todos pensassem assim, eu estou em um outro relacionamento e não quero que a Dulce fique com raiva de mim ou seja incomodada por razões que já não existem.
- Você gosta mesmo dela? - ela pergunta.
- Sim, eu amo ela, de verdade.
- Surpreendente... E você contou tudo à ela?
- Tudo não, mas uma grande parte.
- Devia falar tudo, Ucker, a Gabriela ainda parece gostar de você.
- A Gabriela nunca gostou de mim, ela sempre quis o que era seu. E eu caí no jogo dela.

* Flashback:

- Amor, achei que essa viagem seria para que nós passássemos um tempo juntos.
- E é, amor, mas eu também quero estar com os meus amigos. E a Gabriela e a as outras meninas também vieram, vai para a piscina com elas enquanto eu surfo com os meninos e depois passamos à noite juntos, tá bom?
- Tá ótimo - Ela me beijou e saiu.

Depois de uma longa tarde com os meninos, à noite, Thalita e eu fomos até a areia da praia, fizemos um piquenique à luz de velas.

- Estou tão feliz em estar com você aqui.
- Eu também estou. Preciso te perguntar uma coisa.
- O que?
- Quer namorar comigo? - pergunto. Ela parecia ter ficado muito surpresa. Levou as duas mãos à boca, arregalou os olhos e disse:
- Claro, meu deus, não acredito - jogou-se em meus braços e beijou-me.

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