Pov Dulce
No dia seguinte, pedi que meu pai me levasse de carro para a escola, ainda estava traumatizada após o incidente. Estava sentindo muito a falta da Marcela, minha companheira de todas as horas.
- Está entregue - meu pai diz ao encontrar o carro próximo à escola.
- Muito obrigada, pai - beijei a testa dele.
- Quero que você dê umas voltas de carro comigo, para ir se acostumando a dirigir.
- Não sei se dirigir é uma coisa que quero aprender agora.
Nunca me empolguei muito com a direção, prefiro ser a passageira mesmo. Mais fácil e mais prático.
- Mas filha, quando você começar a faculdade, seria bom dirigir um pouco né - Gelei, claro que ele tocaria nesse assunto.
- Sim pai... depois nós vemos isso - respondi, nervosa - agora tenho que ir, obrigada pela carona, bom dia no trabalho.
Desci do carro, e fui andando o mais rápido possível. Parece que quanto mais eu queria evitar o assunto de faculdade, mais os meus pais queriam conversar sobre. Não quero lidar com isso agora.
Notei uma movimentação na entrada do pátio. Muitas meninas me olhavam e cochichavam, umas com as outras. Eu não tinha a menor ideia do que estava acontecendo. Algumas das também riam.
Ucker me viu de longe e caminhava até a minha direção. Sorriu ao me ver.
- Bom dia, meu amor - Deu um selinho em mim.
- Bom dia, amor, você sabe o que está acontecendo? - pergunto.
- Sobre o que?
- Está todo mundo me encarando.
- Acho que é impressão sua, amor - ele me abraça - vamos lá para sala, quero te falar uma coisa.
- Tá bom - respondo.
Fomos caminhando até a sala, e em todo o caminho, pude notar os olhares em cima de nós dois. Por mais que o Ucker fosse todo popular e as pessoas estranhassem eles estar com alguém como eu, não costumava ser assim, algo estava acontecendo.
Quando chegamos à sala, ele me levou até a última carteira. Sentamos juntos.
- Então, amor, eu queria te perguntar se você achava bom a gente viajar no próximo feriado - ele diz.
- Viajar? Para onde?
- Eu tenho uma casa de praia no litoral, ilha bela, eu tava pensando em nós irmos, junto dos nossos amigos.
- Acho uma ótima ideia, amor - respondo empolgada.
- Que bom então, vou começar a providenciar tudo.
- Tudo bem - sorrio - vou ao banheiro antes da aula começar, já volto.
Pov Ucker
Assim que a Dulce saiu da sala, Poncho e Chris chegaram, gritando muito, os dois.
- Pra que tanto escândalo? Tão na feira? - reviro os olhos.
- Nossa, que mau humor - Chris responde.
- Tudo isso já é pelo fato de que a Talita vai entrar por aquela porta em alguns minutos? - ele aponta.
- Vai se ferrar, Herrera. - Bufo.
- Já estão comentando muito lá fora. Milhares de piadas idiotas.
- Não tenho paciência para isso. - digo com raiva.
Pov Dulce
Entro no banheiro, vejo duas meninas do segundo ano conversando alto, mas quando eu me aproximo, elas param de falar. Ficaram me encarando, não disseram mais nada e em seguida, saíram. Odeio ter a impressão de que alguém estava falando de mim. Entrei em uma das cabines do banheiro.
Ouvi outras meninas adentrarem o banheiro, conversando.
- Amiga, ele deve estar todo sem graça com essa história.
- Que nada, amiga, ela não presta. Brincou com uma e vai brincar com essa também.
- Será que não melhorou nem um pouco? Essa não é como a Thalita.
- E você acha que o Ucker tá o que? Apaixonado, se toca, amiga. - Elas riam.
Eu estava imóvel. Não era capaz de me mexer. Não consegui nem chorar. Será isso que todo mundo pensava? Essa era a fama dele? E essa Thalita quem era? O que eu tenho a ver com ela?
Sai do banheiro, não queria chorar, não queria permanecer ali. Mas continuei firme. Voltei para a sala como se nada tivesse acontecido, não o deixar que duas garotas estragassem o meu dia, eu só precisava esclarecer tudo com o Ucker.
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Meu melhor acaso
RomanceAs diferenças podem pesar ou nos fortalecer? Até onde o amor pode nos levar?
