Capítulo 34

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Dígitos desconhecidos

Fecho a porta do carro enquanto Maizom faz o mesmo. A longa estrada reta, iluminada pelas lâmpadas, está quase silenciosa. Sendo ouvido apenas o cantar dos grilos e outros animais noturnos.

— Espero que não esteja com o seu melhor terno. — Dou uma risadinha.

Maizom para ao meu lado.

— Não estou. — Deixa um beijo rápido nos meus lábios.

— Está bem. Vamos então. — Sorrio.

Atravessamos a pista e entramos no pequeno carreiro por entre a grama quase alta. Logo que atingimos o limpo, o cheiro forte de flores silvestres invade as minhas narinas.

Involuntariamente começo a inalar o ar e a expulsá-lo rapidamente de modo a sentir mais do odor.

— Uau! — Maizom sussurra maravilhado.

— Vem. — Seguro a sua mão e puxo-o para dentro do campo florido.

Há diversas cores. As azuis, as brancas e as amarelas são maioria, e também as mais perspectivas aos olhos.

Paro no meio, me sentando sobre as plantas torcendo para não esmagar nem um inseto perigoso.

Maizom permanece de pé com a cabeça inclinada para trás, admirando o vasto azul tomado por estrelas e algumas nuvens pequenas.

É tão lindo vê-lo contemplando o céu. A postura do próprio parece relaxar logo que as vê.

— São lindas, não é? — Ponho os braços atrás da cabeça.

— Estupendas.

Sorrio. Maizom e suas palavras rebuscadas. Depois de um tempo ele se senta do meu lado.

— Tem algum motivo especial que te faz lembrar quando as olha? — Apoio uma das mãos na sua coxa.

— Sim.

Sorri e me olha.

— Ela amava observar cada uma delas. — Aponta para os pontinhos brilhantes. — Me contava que um dia se tornaria uma delas e eu a reclamava para parar de acreditar em mitos. Minha mãe sempre sorria das palavras ditas por mim. — Maizom fecha os olhos. — Hoje sei o que ela queria dizer.

Faço carinho de leve sobre o tecido da calça que cobre a pele dele.

— Quando eu e minha irmã sentíssemos saudades dela, basta olharmos para o céu estrelado e nos sentiremos junto a ela.

Deixa os olhos em mim com um gigantesco sorriso. Maizom permite o seu corpo cair ao meu lado.

— E você, também possui algum motivo especial?

Sorrio sem graça.

— Não. Nem um. — Olho-o sentindo a felicidade tomar conta das minhas células. — Na verdade, tem.

Maizom vira-se de lado apoiando a cabeça num dos braços.

— Sou todo ouvidos.

Sorrio e levo a mão ao seu rosto, deslizando os dedos pela pele suave. As pálpebras se fecham deixando visível os finos cílios.

— Não é algo impactante. Bom... Não sei dizer ao certo qual o motivo, mas depois de uns anos para cá, comecei a me interessar pelas estrelas. Quando estou diante delas, não sei, me sinto mais leve. Acolhido.

Maizom se aproxima ficando bem pertinho de mim.

— Talvez elas sejam mágicas, e por termos o conhecimento científico, não acreditamos. — Sussurra e sorri brincalhão, acarinhando a minha bochecha.

Te Guiando No SubúrbioOnde histórias criam vida. Descubra agora