Las Vegas, 1985
Shannon Blythe
Naquelas últimas semanas, desde o dia do aniversário, minha compulsão pela cocaína aumentou drasticamente. Seja na casa de Nikki, nos hotéis com o Mötley, depois dos shows... Sentia um maldito desespero de cheirar, nem que fosse em menor quantidade, ou ficava mal. Comecei a me ver presa no vício, soterrada por ele, o que era terrível, mas só assim conseguia ser "feliz" por completo.
Estávamos em Las Vegas, 30 de novembro, no estádio Thomas & Mack Center. Àquela altura, assistia da coxia os últimos momentos do show com um sorriso nos lábios. Nikki, quando a música chegou ao fim, jogou os cabelos suados para trás, tirou a alça do baixo do pescoço e levantou o instrumento ao alto.
— Thank ya, Las Vegas! — Vince gritou no microfone. — We fuckin' love you! Cheers!
Os meninos se alinharam no centro do palco e agradeceram o público, Crüeheads enlouquecidos. Tommy foi o primeiro a chegar na coxia, seguido por Vince, Mick e Nikki, que sorriu, me abraçou forte e beijou.
— Parabéns! — falei com entusiasmo, segurando seu rosto entre as mãos.
No momento em que daríamos um selinho, Vince veio e riu ao perceber que quebrou o clima.
— Ah, man! Depois vocês se beijam! — ele puxou Nik em direção ao backstage.
Ri, dando de ombros.
— Quer? — percebi que Tommy se aproximou, oferecendo um cigarro.
Assenti e ele o acendeu para mim.
— Com todo respeito, você está linda!
— Obrigada... Você sabe onde tem cerveja?
Tom negou, visivelmente desanimado. Não entendi sua reação. Joguei a bituca no cinzeiro, que alguém colocou em cima de uma grande caixa de som e fui atrás de Nikki.
Nikki Sixx
Afoito, tranquei a porta do camarim, reagindo a cada toque quente de Shannon. Vestia meu conjunto preto e branco justo ao corpo com listras verticais; suas mãos percorriam todo tecido, procurando uma forma de tirá-lo.
— Vai ser difícil... — murmurei entre risos. — Que tal chaparmos antes, huh, sweet? — sussurrei e percebi que ela ficou arrepiada.
— Coca? — sorriu travessa.
— Speedball.
— Speedball? Ficou louco?!
— Não precisa me acompanhar, amor! Lembra daquela vez que você injetou? Não foi muito legal, não...
Shan soltou um resmungo e eu ignorei. Speedball não é nada. Fui tirado do breve devaneio pela visão do seu corpo curvilíneo... Mas que mulher sexy da porra! Depois da puberdade, quando meus hormônios estavam a mil, nunca mais me excitei tanto por alguma mulher assim. Shannon era a única que conseguia, mesmo que sem perceber, despertar um desejo voraz em mim.
— Onde você guardou a droga? — perguntou, me olhando por cima dos ombros. Antes disso, ela revirava a gaveta da penteadeira, empinando a bunda com uma minissaia. — Nikki, ei! Você 'tá ouvindo?
— Ah! Sim! — meneei a cabeça. — Naquela mochila ali, honey. Bolso externo, dentro de uma sacola. Acho que tem cocaína de Watts pra você!
— Uma das melhores que já provei!
Em instantes, ela segurava dois pinos de cocaína. Shannon foi rápida em despejar todo pó sobre a penteadeira e fazer carreirinhas.
— Vou chapar pra caralho... — comentou e eu sorri.
Enquanto a garota se curvava para cheirar, aproximei-me e a abracei por trás. Ouvi Shan inalar a droga e ela se jogou em meus braços.
— Tudo bem? — sussurrei, segurando-a para que se firmasse no chão.
— Tudo...
— Certeza?
— Absoluta, meu amor! — sorriu e, desajeitadamente, virou o pescoço para selar nossos lábios.
Merda de preocupação exagerada com essa garota... Porém, em meu interior, algo dizia que eu deveria protegê-la, custasse o que custar.
Vince Neil
— Inferno! — Tommy vociferou, forçando a maçaneta.
O clima de tensão preenchia o backstage, sufocante, tudo por conta de Nikki e Shannon que ainda não tinham saído do camarim. Nada se ouvia lá dentro, mesmo encostando a orelha na porta, porque eles não estavam transando, eles não estavam fazendo nada! Ideias terríveis do que poderia ter acontecido começaram a brotar em nossas mentes.
— É overdose! — Mick foi tão certo, que um calafrio percorreu minha espinha.
Tommy parou o que fazia, o encarou e arregalou os olhos.
— O que?! — gritou.
— Chama o Ethan! — ordenei, me referindo ao líder do grupo de roadies. — Ele tem a cópia das chaves dos camarins, dudes! Enquanto isso, eu fico aqui tentando abrir essa porra!
— Não adianta forçar, Vince. — Mars continuava sereno.
Perguntei-me de onde sua tranquilidade vinha... Marte?
Tommy já corria pelo backstage em busca do roadie e meu coração estava batendo forte, o suor escorria pelas laterais do meu rosto. Sequei-o com a manga da jaqueta de couro e suspirei fundo, tentando manter a calma.
Vinnie, vamos lá, respira fundo...
Tommy Lee
— Caralho! — foi a primeira coisa que saiu da minha boca quando Ethan abriu a porta do camarim e nos deparamos com aquela cena.
Nikki e Shannon estavam caídos no chão, desacordados, mas só a garota puxava oxigênio com força para seus pulmões. Vince correu até ela, sentou nos calcanhares e pude perceber que sua expressão se resumia em horror, assim como a minha.
— Overdose... — sussurrei para mim mesmo, completamente atônito.
Em estado de choque, não conseguia me mover.
— Ela está convulsionando! — com o berro de Vinnie, acordei do transe.
Dirigi o olhar ao corpo de Shannon, que se movimentava devido aos espasmos musculares involuntários e cobri a boca. Puta que pariu. Quando ela começou a espumar, Mick teve a prontidão de socorrê-la junto com Vince.
— Acorda o Sixx, man! — Neil gritou para mim enquanto ele, Ethan e Mars viravam Shannon de lado para que não se engasgasse. — Faz alguma coisa, porra!
Corri até Nikki e, com todo desespero do mundo, chacoalhei-o para frente e para trás, várias e várias vezes seguidas.
— Vamos, cara! — implorava, embargado, sem parar o safanão. Apenas saíam resmungos da sua boca. — Caralho! Merda! Pelo amor de Deus, Nikki! Acorda antes que ela morra! Acorda! Nikki! — estapeei suas bochechas.
E, como sempre, as drogas fodendo nossas vidas... Eu sabia que ele não acordaria de jeito nenhum, então desisti e também fui ajudar Shannon. Seu caso parecia bem sério, ela precisava de muito mais atenção.
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Call Girl | Nikki Sixx
Fiksi PenggemarShannon "Holly" Blythe, nos anos 80, era a stripper mais cobiçada do Seventh Veil. Dona de um incrível SEX APPEAL, a garota enlouquecia os clientes, mas não era enlouquecida por ninguém. A prostituição a fazia acreditar que pessoas como ela não podi...
