Nikki Sixx
Eu estava me sentindo um idiota...
Estava me sentindo um idiota não só por ter sido feito de trouxa...
Estava me sentindo um idiota porque, apesar de tudo, ainda amava intensamente aquela mulher.
Shannon despertou em mim algo que, há muitos e muitos anos, já não sabia mais o que era... Ela conseguiu amolecer meu coração amargo, que carregava incontáveis desilusões... Ela supriu minha carência afetiva.
Dirigia com calma, palavra que não combinava com meu estado de espírito. Por dentro, desejava matar qualquer pessoa que cruzasse meu caminho. Esse é um dos piores erros que sempre cometi: desde que me conheço por gente, não demonstro sentimentos a mim mesmo.
Passei pela Sunset Strip, parei no semáforo e comecei a relembrar todos os momentos marcantes que tive com ela.
— Merda! — esmurrei o volante, meneei a cabeça, mas as lembranças se mantiveram mais fortes.
FLASHBACK ON
Shan estava debruçada na penteadeira e eu intensificava as investidas por trás, acelerando aquele vai-e-vem ao máximo que podia. Senti que o ápice se aproximava, grunhi e apertei os olhos. A loira ofegava. Atingimos o orgasmo e, em instantes, os barulhos remanescentes no cômodo cessaram. Ela soltou uma risadinha e virou de frente para mim.
Linda, perfeita, gostosa...
Enlacei sua cintura, nos beijamos com ferocidade.
— Aguenta um segundo round?
— Não, meu bem... Agora não. — riu. — Quero fazer um passeio romântico com você pela cidade, baby. Que tal irmos naquele restaurante famoso que anunciaram no panfleto?
— Ah... — ponderei por alguns segundos, observando sua expressão apreensiva. Shannon unia as mãos em forma de súplica. — Tudo bem, tudo bem... Eu me rendo! Vamos sim, docinho, porque faço de tudo para te ver feliz!
FLASHBACK OFF
Percebi que estava chorando e, rapidamente, sequei as lágrimas. Eu não demonstraria fraqueza, eu não merecia sofrer por uma vagabunda! Acendi um cigarro e caminhei da garagem até a porta de casa. Assim que entrei, fui invadido por mais recordações. Para minha infelicidade, todos os cômodos tinham pelo menos uma marca daquela garota desgraçada.
FLASHBACK ON
Era final de tarde e observávamos o sol se pôr, sentados em um banco do Píer de Santa Mônica.
Shannon estava entretida com a paisagem, diferente de mim, que naquele momento desejava analisar os traços delicados do seu rosto por horas a fio, em silêncio, fumando um cigarro. Apenas.
O jeito como seus cabelos loiros voavam ao vento e caíam sobre seu rosto me despertava uma intensa atração, algo que nunca havia sentido por nenhuma outra... Cada mínimo detalhe me agradava.
Ela percebeu que eu a observava, me encarou e sorriu. Em resposta, beijei sua bochecha e exalei a fumaça do Marlboro.
— Gosta do que vê? — sussurrei.
— Amo a praia e o mar.
— E eu amo ficar te olhando, sabia?
— Não... — ela riu envergonhada e se aconchegou em meu peito.
— É por isso que sempre ando com essa câmera fotográfica, honey. Quero tirar muitas fotos suas para poder te ver sempre que sentir saudades!
— Então tira uma agora! — disse, entusiasmada.
Shan ficou de pé e correu em direção ao parapeito de ferro do píer. Ela apoiou as mãos ali, de costas para as barras e fez uma pose sensual que valorizava seu corpo curvilíneo.
— Assim está bom?
— Ótimo! — sorri, olhando sua imagem pelo ocular.
Depois do primeiro clique, gesticulei para que Shannon mudasse de pose. Ela concordou, armou os cabelos e mordeu o lábio inferior, esbanjando seu potente poder de sedução.
Eu amava quando, mesmo sem querer, ela deixava meu coração acelerado...
Shannon Blythe
CONTINUAÇÃO DO FLASHBACK
Aproximei-me de Nikki, ele me abraçou e encostou nossas testas.
— Mamãe, mamãe! Quero um algodão doce! — o berro animado de um menino de, no máximo, quatro anos nos chamou atenção.
Automaticamente, lembrei da minha infância... Quando eu ainda tinha, mesmo que adoentada, uma maravilhosa figura materna.
— Claro, meu amor! — a mãe respondeu, pegando-o no colo. Ela sorriu e distribuiu beijinhos pelo seu rosto.
Lágrimas se formaram em meus olhos, rolaram pelas minhas bochechas e Nikki usou seu polegar para secá-las. Ele me abraçava com força.
— O que foi, sweet?
— Só lembrei de algumas coisas do passado... Da infância... — solucei. — Me desculpa, amor. Não devia te envolver nas minhas desgraças pessoais...
— Como é? Sou seu namorado, Shannon! Você deve me envolver em tudo relacionado a sua vida! Existe infância mais filha da puta do que a minha, afinal?!
— Obrigada. — sorri e voltei o olhar ao garotinho que, agora, deliciava-se com seu algodão doce. — Acho que ter um filho deve ser maravilhoso...
— Não vai me dizer que...
— Não! Não mesmo! Esquece isso... Precisamos curtir o presente, né?
Ele concordou com uma expressão de incômodo e, para quebrar aquele clima, puxei-o para um beijo que foi prontamente correspondido.
FlASHBACK OFF
Saí dos devaneios, Axl e Slash estavam na minha frente. Enquanto o ruivo preparava heroína, o moreno brincava com seus próprios cachos.
— Toma! — Rose me entregou a seringa e tirou o cinto para amarrar, fazer garrote no meu braço. — Não precisa me olhar com essa carinha de desespero, ok? É instintivo! Só procurar a veia mais aparente e injetar rápido, Shan!
— Será que consigo? — entortei o nariz. — Será que a segunda vez será melhor do que a primeira?
— Sim! — Slash sorriu.
Assenti, peguei a garrafa de Jack e virei longos goles, sentindo a bebida descer rasgando. Tomei fôlego e, trêmula, posicionei a agulha sobre minha pele, na direção de uma veia sobressalente do braço. Me faltava coragem.
— Vai, porra! — Axl pressionou.
Fechei os olhos e, velozmente, injetei a droga.
— Boa sorte. — ele beijou minha testa.
Meu corpo levitou, senti uma euforia impagável, a ansiedade indo embora, um relaxamento profundo... Aos poucos, bem aos poucos, deitei no chão e a visão escureceu.
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Call Girl | Nikki Sixx
FanfictionShannon "Holly" Blythe, nos anos 80, era a stripper mais cobiçada do Seventh Veil. Dona de um incrível SEX APPEAL, a garota enlouquecia os clientes, mas não era enlouquecida por ninguém. A prostituição a fazia acreditar que pessoas como ela não podi...
