Turnaround

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Shannon Blythe

FLASHBACK ON

— Esse lugar é magnífico! — exclamei com um sorriso nos lábios.

Nikki encostou a Harley em uma árvore, tirou as luvas, o capacete, pendurou-o no guidão e sorriu para mim, armando os cabelos negros.

— Estamos em qual condado, amor?

— Ventura, na cidade de Thousand Oaks. Esse é um dos pontos turísticos daqui.

— Um bosque? — indaguei entre risos.

— Não, sweet... — ele pegou minha mão e me conduziu pela trilha de cascalhos. — Uma cachoeira.

Meu queixo caiu e arquejei em surpresa. A vista era simplesmente incrível. Encantada, passei os olhos pelo lago cristalino cercado de rochas e observei a queda das águas ferozes da cachoeira. Nikki começou a tirar as roupas e eu assisti tudo em silêncio, mordendo o lábio. A brisa da tarde fazia seus cabelos desfiados voarem. Ele ficou só de cueca e com uma pequena medalha dourada no pescoço.

— Não quer nadar comigo? — o moreno sorriu abertamente antes de mergulhar, saltando do topo de uma rocha. — A água 'tá gelada pra caralho! Puta merda!

— Eu ia avisar... — ri e também tirei minhas roupas até ficar só de lingerie. — Você devia ter dito que viríamos, docinho, assim eu trazia o biquíni!

— Pra quê? Meu objetivo era te ver pelada.

Revirei os olhos e, com muita cautela, enfiei um dos pés no lago — estava mesmo congelante. Olhei para Nikki, que gesticulava para que eu pulasse e foi o que fiz. A água me cobriu, percebi que não dava pé, pensei em me desesperar, mas Sixx rapidamente me puxou e abraçou apertado. Senti-me segura.

— Obrigada pelo passeio maravilhoso, baby. — coloquei seus cabelos molhados para trás.

— Está agradecendo antes mesmo de terminar?

— Sabia! Você tem segundas intenções!

— Sempre tenho.

— Nunca transei debaixo de uma cachoeira... — sorri maliciosa.

— Eu também não, meu bem.

FLASHBACK OFF

Nikki Sixx

Merda de Natal!

Merda de coração despedaçado!

A vodka descia rasgando pela goela, vários goles seguidos que me deixavam cada vez mais zonzo. "Nikki Sixx não sofre por amor, porque Nikki Sixx pode ter todas que quiser..." esse era meu novo mantra para que me sentisse um pouco melhor. Estávamos na mansão de Vince, local onde naquela noite marcamos de nos reunir. Reunir entre aspas; eu só queria ficar isolado.

— Ei, cara. — Mick me chamou, apoiando no colo um prato cheio de comidas típicas natalinas. — Eu não gosto de te ver assim.

— Também não gosto de ficar assim, mas parece inevitável.

O silêncio desceu sobre nós e eu acendi um cigarro. Em duas horas seria meia-noite e, finalmente, todos poderíamos voltar para casa.

— Vodka pura? — Mars quebrou aquele silêncio e enfiou uma fatia de pernil na boca.

— Ah, sim...

— Isso é o que uma mulher faz na vida de um homem!

Até soaria cômico se eu estivesse em condições para dar altas gargalhadas. Entre uma piscada e outra, me deparei com Tommy e minha pouca serenidade se esvaiu.

— Por favor, me escuta! — ele suplicou de repente, iniciando mais um teatrinho infame. Filho da puta maldito... — Pelo bem da nossa amizade, dude! Pelo bem do seu relacio...

— Vá se foder! — o interrompi com um berro. — Você não pensou na porra do bem da nossa amizade, nem na porra do bem do meu relacionamento enquanto estava comendo ela, não é?!

Respirava rápido de punhos cerrados, fincando as unhas nas palmas, o coração martelava nas costelas. Pensei que não seria capaz de segurar tanto ódio.

— Nikki! Caralho! Por favor! Me escuta! — suplicou novamente.

— Por que, Thomas? — perguntei lamentoso, perdendo as forças. — Por que fez isso, cara? Por que fez isso sabendo que ela é... É... — minha voz embargou, as palavras sumiram.

— Só me escuta!

E, assim, me rendi, cansado de sofrer. Tomei fôlego e soltei o peso dos ombros. Que se foda o orgulho, que se foda a porra toda... Se não ouvir sua explicação, nunca tirarei conclusão alguma. Quando virei mais goles do álcool, devido ao nervosismo, não senti gosto de nada.

— Sou todo ouvidos, Lee.

Shannon Blythe

Onze da noite, todos sentados à mesa. Era Natal, grande dia de confraternização e eu e os caras do Guns N' Roses ceávamos sem trocar uma palavra. Na cozinha da Hell House, apenas se ouvia o barulho dos nossos talheres batendo nos pratos.

— Me passa aquela garrafa? — Duff pediu após muito tempo calado. Assenti, entregando o champanhe. — Valeu.

Mais silêncio.

— Quando será o próximo jogo dos Lakers?

Muito mais silêncio.

— Ei, gente! Vamos falar sobre os podres do Steven?! — isso foi o suficiente para que se instaurasse um burburinho com gritos e falas alteradas.

— Vão tomar no cu, seus merdas! — o loirinho berrava.

— Fica quieto! — Slash era atrapalhado pelos próprios risos. — Você é um bebezão!

— Mas que porra! Eu não sou um bebezão, eu sou um beberrão!

Diferente de mim, aqueles cinco amavam tumultuar.

— Calem a boca! — ralhei. Eles ficaram quietos imediatamente. — Obrigada. Estou com enxaqueca, meninos.

— Hum... — Izzy tragou o cigarro entre uma garfada de comida e outra. — E aí? Você 'tá melhor, Shan? Está começando a esquecer aquele...

— Cara, você é burro? — Axl encarou-o, incrédulo. — Não podemos tocar nesse assunto, pelo menos por enquanto!

— Tudo bem, querido. — sorri fraco. — Está tudo ok...

O telefone tocou, estridente e exigente. Eu fui à sala atender.

— Alô?

A quietude na linha me fez repetir, franzindo a testa:

— Alô?! Se for algum tipo de trote na noite de Natal...

Precisamos conversar, Shannon!

Minha mão saltou à boca, eu quase caí para trás. Senti as pernas vacilarem, sentei no sofá em estado choque e pensei que meu coração fosse parar de bater.

Shannon? — Nikki ponderou, estranhando meu silêncio. — Shannon?! Por favor, não desliga esse telefone!

— O que quer comigo? — minha voz tremeu.

Quero conversar com você! — arfou em desespero. — Necessito, Shannon, conversar com você!

Eu concordaria prontamente, isso se ele no meu momento de extrema angústia tivesse me dado a chance de argumentar. Sem medo, desliguei o telefone, batendo-o com raiva no gancho.

— Nikki Sixx, na minha vida, não existe mais!

Call Girl | Nikki SixxHistórias para pegar e não largar. Descubra agora