The effect

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Michigan, 1985

Shannon Blythe

Some get the honey, some hold the pistol, some need no money, some hang on the string of obscene... — Vince cantarolava com sua potente voz de tenor lírico, olhando a paisagem correr através da janela do ônibus.

Era minha primeira vez na estrada com o Mötley Crüe, o começo de uma nova grande etapa e eu quase não conseguia me conter de tanta felicidade.

Puxei a carteira de Marlboro que tinha o costume de guardar entre os seios fartos e acendi um. Pelo clique do isqueiro, Tommy logo olhou para mim. Ele estava sentado no banco de pernas cruzadas, o queixo apoiado na mão, visivelmente entediado.

— Posso? — indagou, fazendo alusão à tragada de um cigarro invisível. Assenti e emprestei minha carteira. — Valeu, Shan. Você é muito gostosa!

— Obrigada... Eu acho. — sussurrei essa última parte.

Black angels laughing in the city streets... Street toys scream in pain and clench their teeth... The moonlight spotlights all the city crime... Got no religion, laugh while they fight! — Vince começou a cantarolar "Save Our Souls" dessa vez.

Suspirei, observando a chama incandescente do cigarro bem seguro entre meus dedos.

— Merda, Vinnie! — Nikki resmungou e se contorceu no banco desconfortável do ônibus. — Pode ficar em silêncio, por favor, cara? Estou tentando dormir.

— É, cara! — Mick concordou, esfregando a cara amassada.

Traguei, baforei, Tommy repetiu minha ação e nós trocamos sorrisos singelos, sem mostrar os dentes.

— Já perguntei sua idade?

— Não se pergunta a idade de uma mulher. — ri.

— Ah, para! Você é novinha!

— Tenho 21.

— Nossa, só?

— Por que "só"? Você é tão velho assim? — provoquei, colocando o cigarro na boca burgundy.

— Não, tenho 23.

Baby... — ouvi a voz rouca de Nikki, acomodado dois bancos atrás de mim. — Dá pra parar de falar?

Dito isso, Thomas gargalhou.

— Impressão minha ou meu "terror twin" está com ciúmes?

Um estranho silêncio desceu sobre nós. Terminei de fumar o cigarro, joguei fora e olhei na direção de Tommy, pensativo, encostando a bochecha na janela. Resolvi sentar ao lado dele, escorei a cabeça em seu ombro e ele foi inclinando a sua lentamente. Percebi que o baterista prendeu todo fôlego na garganta, depois, expirou pela boca com força. Aquela aproximação me agradou, mas nada que pudesse substituir o efeito indescritível que o maldito Nikki Sixx me causava. Saí do transe quando Thomas enlaçou meus ombros e beijou minha bochecha. Soltei uma risadinha, aconchegando-me no calor do seu corpo.

— Pronta para encarar o primeiro dia de trabalho? — falou baixinho, como se contasse um segredo. Sua voz ficou ainda mais grave.

— Acho que sim. — sorri.

Ele tocou meus cabelos e me presenteou com um maravilhoso cafuné.

— Tudo correrá bem, Shan.

Nikki Sixx

Em 26 anos, nunca imaginei sentir tanto ódio do meu "melhor amigo". Enquanto fingia dormir, assistia irado àquela cena: Tommy e Shannon sentados um ao lado do outro, abraçados, ele fazendo cafuné nela e ela quase dormindo em seu peito. Foi demais para mim. Fechei os olhos, respirando fundo.

Call Girl | Nikki SixxHistórias para pegar e não largar. Descubra agora