Tommy Lee
Estava sentado no chão imundo do beco, pensando em Shannon, depois de ter usado todas as combinações de drogas possíveis; nem me lembrava quais. Com sua imagem em mente, ria para as paredes, chorava, tinha as mais loucas fantasias eróticas e me considerava o homem mais infeliz e fodido do mundo.
Além de estar apaixonado e não ter reciprocidade, a garota era namorada de Nikki Sixx, meu gêmeo do terror, a porra do meu melhor amigo.
Ao passar de cada minuto, minha noção se perdia. Levantei e lutei contra o próprio peso do corpo, firmando os pés no chão. Na primeira tentativa, desabei imediatamente. Já na segunda, consegui dar alguns passos, tomar confiança e sair andando, cambaleante e sem rumo, pelas ruas de Los Angeles.
Sem rumo? Será?
Minha subconsciência desgraçada permanecia gritando por Shannon e me levava em direção à casa de Nikki. Eu não sabia, mas estava prestes a cometer uma das piores burradas da minha vida.
Shannon Blythe
Preparava nosso café da manhã, meu e de Nikki, que ainda dormia feito um anjinho. Eram 08h00, a cozinha super silenciosa... Enquanto colocava os alimentos sobre uma bandeja, pensava nos momentos que tive com meu grande amor.
Ele me tirou da prostituição, ele me ensinou a amar.
Repentinamente, escutei passos pela casa e sorri. Não olhei para trás. Fui abraçada pela cintura e prensada contra o mármore da pia.
— Hum... — ri baixo.
Meus cabelos, que antes caíam pelas minhas costas, foram colocados em um único lado. Nikki se aproximou calmamente para aspirar o perfume do meu pescoço.
— Baby... Amei passar aquele tempo com você! — quando eu disse isso, suas mãos apertaram meu quadril. — Está tudo bem? Não vai falar nada?
— Preciso? — aquele sussurro, na hora, me fez virar assustada.
Thomas estava ali. Ele me prendeu pelos braços com ainda mais força, me deixando sem saídas. Engoli o grito, que não poderia sair de forma alguma e encarei seu rosto abatido.
— Como entrou aqui? Você usou drogas, não é?!
— Isso importa? — riu e tentou selar nossos lábios. No momento exato, tive o reflexo de virar o rosto com o coração saltando no peito. — Vamos, Shan! Por que não esquece tudo?! Vai! Me beija! Fica comigo! Só hoje!
— Você 'tá louco?! Vai embora, Tommy! Pelo amor de Deus, saia já daqui! Se Nikki ver essa cena, pode pensar coisas erradas de nós!
— Eu quero que se foda!
— Thom...
Contra minha vontade, nossos lábios se encontraram, o desespero me consumiu. Ele lutava para intensificar o beijo forçado e eu lutava para empurrá-lo pelo peitoral, afastá-lo. De repente, uma garrafa de cerveja acertou sua cabeça, Tommy caiu no chão, cacos de vidro voaram para todas as direções e Nikki apareceu, bufando como um touro raivoso. Arregalei os olhos.
— Que porra é essa?! — seu berro foi tão alto, que meus ouvidos zuniram.
Nunca mais serei perdoada...
Nunca mais terei sua confiança...
— Nikki, por favor, não é nada disso que você está pensando! — com a voz embargada, expressão de desespero, tentei me aproximar do moreno, mas ele me empurrou e eu quase caí. — Amor! Eu juro! Eu juro por Deus! Foi Tommy quem invadiu...
— Cala a boca, sua puta! Traidora! Sua vagabunda! — essas palavras destroçaram meu coração, partiram em milhões de pedaços. — Nunca mais quero olhar pra sua cara! Nunca mais quero que apareça... — ele esmurrou o armário. — Na minha frente!
— Por favor, por favor... — soluços de pânico me impediram de prosseguir.
— Shannon, me escuta... — sua voz se acalmou de repente. Com esperança, levantei a cabeça para encará-lo. — Promete que vai guardar o que vou te dizer?
Sequei as lágrimas e concordei com a cabeça.
— Acabou.
* * * *
Sem me dirigir um olhar, uma palavra, Nikki atirou minhas malas dentro do Porsche e sentou no banco do motorista, ligando o carro. Eu voltaria a morar na Hell House por tempo indeterminado, entretanto, o que mais me preocupava era meu trabalho com o Mötley Crüe.
Se tudo desse errado, teria que mergulhar de cabeça na prostituição mais uma vez.
Perdida em devaneios, lágrimas escorriam dos meus olhos... Não culpava Tommy e nunca o culparia, porque conheço o poder que a droga tem sobre a mente de uma pessoa. Nossas vidas estavam arruinadas.
— Chegamos. — anunciou, rude. Aquele Nikki não era meu doce namorado... Aquele Nikki estava com nojo de mim. — Eu ainda não consigo acreditar que você, sua vadia falsa, teve a capacidade de me trair com meu melhor amigo!
Seria difícil me explicar, porque ele tinha visto a cena e não acreditaria na minha versão dos fatos. Continuei em silêncio, deixando soluços escaparem.
— Você é a pior decepção da minha vida, Shannon! — depois de me olhar com menosprezo, Nikki desceu do carro e foi ao porta-malas.
Seus poucos comentários, sem exceção, dilaceravam meu coração cada vez mais. Do amor, ao ódio... Eu podia ler isso em seus olhos verdes, que estavam turvos.
— Desça do carro, garota.
Saí do Porsche e Nikki me entregou as malas.
— Some da minha vida, entendeu?! Até nunca mais!
* * * *
Por conta da quantidade exagerada de comprimidos de Valium que Steven me deu, acordei só na manhã seguinte com uma dor de cabeça insuportável. Os meninos já estavam exaustos de tanto me ver chorar pelos cantos. Levantei da cama e me espreguicei. Segundo dia de sofrimento, segundo dia sem o homem mais incrível que existe.
— Oi, Shan! — ouvi a voz de Stee, ele entrou no quarto com Duff. — Está um pouco melhor hoje?
— Não... — suspirei e abracei o ursinho de pelúcia que Nikki me deu de presente.
Os loiros franziram o cenho.
— O que é isso, Shan?
Fiquei em silêncio ou desataria a chorar.
— Oh, não... — McKagan murmurou. — Ei, não fique lembrando essas coisas, ok? Pelo menos ainda não... Porque a separação está recente...
— E existem pessoas melhores, Shan! — Stee sorriu tão ingênuo, que me fez soltar um riso.
— Deixa de ser bundão, cara! Dizer isso não ajuda! — Duff desferiu um soco em seu ombro.
— Ai!
— Enfim... Nós te amamos, garota! E não queremos te ver assim, porque todos acabamos sofrendo também!
— Obrigada, meninos... — sorri com os olhos marejados.
Eles me abraçaram. Aproveitei o calor do abraço triplo para tentar acalmar meu coração e tentar esquecer, pelo menos um pouco, Nikki fucking Sixx.
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Call Girl | Nikki Sixx
FanfictionShannon "Holly" Blythe, nos anos 80, era a stripper mais cobiçada do Seventh Veil. Dona de um incrível SEX APPEAL, a garota enlouquecia os clientes, mas não era enlouquecida por ninguém. A prostituição a fazia acreditar que pessoas como ela não podi...
