Holly

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Los Angeles, 1985

Shannon Blythe

Caminhava rebolante pela Sunset Strip, fumando um cigarro, sentindo que aquela seria uma grande noite, feliz e disposta. Entrei no clube de striptease, famoso Seventh Veil e vi Samantha fazendo pole dance com Valerie para homens enlouquecidos, que assistiam ao redor do palco.

— Ei, Holly! — alguém gritou meu nome.

Girei nos calcanhares e me deparei com Jodie, outra stripper e prostituta.

— Oi! — sorri.

— Brooke pediu para eu te dar um recado.

— Sério? — ri de nervoso. Brooke era o proprietário do clube, ou seja, responsável por tudo que acontecia lá dentro. — Qual recado?

— Disse que um cliente tem preferência por você.

— Como assim preferência por mim? — franzi o cenho, incrédula.

— É isso, sweet! Lembra de algum Nikki?

Fiz esforço, mas nada veio à mente.

— Não...

— Ok! Não importa! — caminhamos ao camarim. — Ainda transa na casa dos caras, Holly?

— Depende, né? — dei de ombros. — Se ele é bom e vale esse esforço... Sim.

— Ah... De qualquer maneira, são sempre dólares a mais! Vai logo, tá? O cliente te espera com mais três caras numa das mesas.

— Orgia, Jodie?! — arregalei os olhos.

— Corre! — ela saiu, rindo.

Então, mirei meu reflexo no espelho da penteadeira: usava um vestido tubinho vermelho envernizado na altura das coxas, bem decotado e tudo mais e botas pretas plataforma com cano acima dos joelhos.

— Você está linda! — Sammy apareceu e me tirou do transe. — Olha, gata. — mostrou um calhamaço de notas de cem dólares. — Acabei de conseguir com a apresentação no pole!

OMG! — comemorei, batendo palmas e sorrindo.

Toda alegria se esvaiu no momento que lembrei que já tinha um cliente certo.

— Fico feliz por você, mas... Estou presa a um idiota qualquer.

— Não. Pode. Ser. — Sammy disse pausadamente e cobriu a boca. — Kennedy ainda governava este país quando algum homem pediu preferência por mim, Holly!

Gargalhamos, porque a piada era sobre sua idade. Ela tinha 33 anos, a mais velha de todas as dançarinas, que em geral haviam acabado de completar 21. Um mero detalhe.

— Para de ser idiota! — a repreendi entre risos. — Você continua gostosa!

— Bondade sua. — respondeu. — Agora, se apressa! O cara já deve estar impaciente!

Dei um beijinho no seu rosto e saí do camarim, sem ter ideia de por quem procurar. A prostituição é cheia de mistérios. Assim que pisei no salão, atraí olhares grosseiros. Eles não me enxergavam como nada além de um objeto. Suspirei corajosamente e segui à procura da mesa que acomodava quatro pessoas. Não foi difícil de achar. Ouvi um assovio; era um deles. Moreno, cabelos armados, traços joviais, vestia roupas pretas e justas. Ele levantou e veio em minha direção com o peito estufado.

— Nikki?

— Ao seu dispor.

* * * *

— Geme meu nome, vadia!

— Nikki... — é surreal, mas eu ia gozar.

Gozei. Meu corpo estremeceu e o dele também, logo depois. Estávamos ofegantes e cansados.

— Um orgasmo é tão gostoso. — comentei.

Há meses um cliente não me fazia tocar os céus.

— Gostoso sou eu, coração. — riu pelo nariz. — Mas você também é uma delícia! Holly, né?

— Holly.

— Pode dizer seu nome verdadeiro?

— Prostitutas não fazem isso, Nikki.

— Eu sei, mas... Você é tão legal! Eu só quero saber seu nome!

Tomei fôlego, desconfortável. Nunca tinham me pedido para revelar o nome civil, é proibido. Ele me encarava doce e sorriu de canto.

— Shannon... Shannon Blythe.

— Bonito nome! Sou Nikki Sixx, o baixista "pauzudo" do Mötley Crüe. Meus parabéns, você acaba de transar com um astro do rock!

— Ah, nada de especial. — ri. — Já transei com vários astros do rock antes, só que... Você foi o único que me fez gozar.

— Uau! — ele sorriu. — Dizem que prostitutas fingem sempre, é verdade?

— Sempre não, só que fingimos sim, claro! Tudo pela grana! E gememos forçado também, you know, às vezes o cara não sabe meter...

Ele caiu em gargalhadas.

— Vamos nos arrumar logo! Brooke sempre me dá bronca quando demoro para liberar o quarto! — estiquei o corpo e ouvi ossos estalarem, senti músculos arderem. Suspirei fundo.

— Quanto te devo, Shannon?

— Holly. — corrigi. — Cem dólares.

— Só isso? — Nikki arregalou os olhos. Peço desculpas se cem dólares é uma fortuna para mim. — Garota, aumente sua oferta!

— Você não entende nada de prostituição, não é? — zombei. — Gato, isso diminui a procura.

— Tá, mas quando um homem quer uma gostosa na cama, não tem preço que impeça.

Sorri, levantando e me vestindo.

— Posso fazer um pedido? — Nikki perguntou.

— Sim? — o encarei em dúvida.

— Me beija?

Petrifiquei.

— O que?!

— Me beija!

— Você quer beijar uma prostituta?

Lamentável...

Ri alto.

Se ele soubesse todos os lugares por onde minha boca já passou, nunca pediria um beijo.

Just saying.

— Tudo bem, sei lá, se você quer...

Era estranho, eu estava quebrando regras, mas só um beijinho não mata ninguém. Colei nossos lábios e as línguas brincaram. Nada de especial.

— Fica com o troco, Shannon. — entregou cento e cinquenta dólares. — Você é incrível! — e saiu do quarto imundo.

Call Girl | Nikki SixxHistórias para pegar e não largar. Descubra agora