Cayman Islands

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Nikki Sixx

Ao nosso redor, uma vastidão azul-escura infinita. Estávamos sozinhos sentados na proa do navio às quatro da manhã. Shannon me abraçava e eu afagava seu rosto, o cabelo loiro, ouvindo sua respiração e sorrindo em paz comigo mesmo.

Ela perguntou em meio ao silêncio:

— Gosta de olhar o mar?

— Não tanto quanto você, mas é lindo...

Shan riu.

— É, amor, acho que sou a pessoa que mais gosta do mar. Ainda lembra da conversa que tivemos no Píer de Santa Mônica?

— Revivi essa cena na minha cabeça milhões de vezes...

— Sério?

— Quando nos separamos...

— Ah...

— Sabe, baby, eu sofri pra caralho, tipo muito mesmo e durante minhas crises mais fodidas, quando a dor era forte demais para suportar, passava horas tendo flashbacks dos nossos momentos. Era uma espécie de... Fuga... Sei lá... Você deve entender.

Terminei de falar e Shannon estava de queixo caído.

— Eu também passava horas tendo flashbacks dos nossos momentos... — sussurrou, soltando o peso dos ombros e suspirando fundo.

— Caramba, jura?

— Sim...

— Agradeço por ter pensado em mim, não tinha necessidade!

Ela riu alto, desferindo um soquinho no meu ombro.

— Ótima tentativa de aliviar a tensão do momento, bobo.

Fomos surpreendidos por uma ventania forte, nossos cabelos esvoaçaram.

— Está sentindo? Isso se chama brisa terrestre.

— Tem certeza? — ela fez careta.

— Sim! Lembro dessa aula! Mr. Davies foi um bom professor!

— Aliás, você nunca mostrou suas fotos da época do colégio...

— Porque a maioria ficou em San José.

Shan lançou um olhar desconfiado.

— Sei que está mentindo.

Dude, a percepção feminina é realmente impressionante.

— Não estou...

— Como você era? — sorriu, entrelaçando os dedos por cima das pernas cruzadas.

Bufei. Odeio meu passado, odeio falar dele, odeio lembrar dele, tudo que o envolva, mas decidi fazer um esforço por Shannon.

— Eu era... Estranho.

— Estranho como? Quero saber da aparência.

— Estranho também. Tipo assim, olha... — coloquei todo cabelo para trás, enrolando-o em um rabo de cavalo, para deixar meu rosto bem visível. — 'Tá vendo minha cara? Sempre foi igual, desde criancinha. Não mudei praticamente nada.

— Então você era fofo, não estranho!

— Bondade sua, querida.

Ela me deu um beijo na bochecha.

— E quando começou a ter o estilo atual?

— Na adolescência. Deana vivia perguntando quando eu ia entrar no circo.

Call Girl | Nikki SixxHistórias para pegar e não largar. Descubra agora