Capítulo 28 - Lian

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- Um abraço, Amenom Targaryen - terminei de ler a carta em voz alta para que Lili ouvisse, dobrei-a e suspirei.

- Está preocupado ? - perguntou me servindo o queijo.

- Um pouco... - respondi olhando para fora. O dia estava lindo, os pássaros cantavam alegremente e algumas abelhas rodeavam as flores na janela.

Um cenário tanto quanto inusitado a situação, diga-se de passagem.

- Eles estão bem, não há o que temer - dizia, mas, como sempre, seu tom não era lá muito encorajador.

- Eu sei... - a olhei - acontece que a qualquer momento a situação pode mudar drasticamente. Podem levar uma flechada ou até se machucarem fatalmente.

- Eles vão voltar bem - insistiu - vai ser só uma missão simples de resgate.

- Tudo bem, tudo bem! - cedi e comecei a comer.

Os dias tem sido tão quietos e vazios desde que partiram. Jantando sempre sozinho, bordando sem que ninguém venha me importunar, cuidando do jardim no mais perfeito silêncio... impressiona-me como sentimos falta de algo com o que nos acostumamos a conviver.

- Algo de diferente para hoje ? -perguntei.

- O mesmo de sempre.

- Você não se cansa dessa rotina ? - encarei e Lili deu de ombros - sabe... podíamos quebra-la... só hoje.

- O que sugere ?

- Que me diz de um passeio pela vila ? - respondi esperançoso.

- Se conseguir passar por 50 soldados e Bart - olhou-me - poderemos pensar em ir.

Emburrei e voltei a comer quieto. A cada dia que se passava o sequestro deixava de ser um medo e se tornava uma esperança de morte ao meu tédio.

Terminado o café, troquei de roupa e sai para o pátio, junto da companheira ruiva, procurando pelo capitão do exército.

Fomos ao dormitório mas não o encontramos por lá.

- Ele foi até os muros, conferir algo. - disse um soldado quando perguntamos.

Assim rumamos até onde ele possivelmente estaria. Com sorte, o encontramos próximo a entrada do castelo, ele acenou do alto do muro e mandou um homem nos buscar. Entramos por uma portinhola de madeira ao lado do portão, que a propósito, tem ficado fechado desde que a outra metade do exército partiu.

Subimos por uma escada apertada até chegar em um alçapão que dava acesso a parte de cima, nunca estive ali antes, a vista não era muito melhor que a do meu quarto, na verdade era até pior já que estávamos mais baixo.

- Bom dia, Lian - falou animado

- Bom dia - disse olhando envolta - reforçaram o muro ?

- Aham - apontava - colocamos mais pedras ali e ali. Também aprimoramos as defesas e os armamentos.

Dizia com um certo entusiasmo contido.

- Você me parece muito animado para testar tudo isso - comentei me aproximando de uma das catapultas.

- Não vou negar. Eu gostaria muito de vê-las em ação!

- Uma pena não valer a pena atirar contra pequenas guarnições - dei leves soquinhos na madeira - quem sabe na próxima.

Parte do seu astral caiu por terra, mas acabou dando de ombros e voltou a comentar as melhoras bélicas.

- Ei, Bart - comentei quando finalmente ficou quieto - quero te fazer um pedido.

O Dragão e a RosaOnde histórias criam vida. Descubra agora