(S/N)
Foi um saco achar o que eu precisava no meio da Amazônia, mas nem chegou perto da pior parte: Me despedir da minha mãe. Não foi o "adeus", foi a incerteza de quando -ou se- eu poderia voltar.
Depois de prometer às garotas que eu voltaria, rodei as delegacias e hipnotizei cada delegado pra não procurar meu ex e sempre arquivar o caso se tentassem reabri-lo. Depois ainda passei pelo emprego de minha mãe e fiz a chefe dela conseguir com que fosse promovida e que criasse um carinho maior por ela. No Brasil, são os contatos e indicações que te fazem crescer no emprego.
Foram horas correndo entre árvores infinitas da floresta e rezando pra não encontrar uma anaconda. Foda-se que ela não conseguiria me matar, meu cérebro se recusa a acreditar nisso.
Nem parei pra aproveitar a vista. O medo de encontrar bichos com pernas demais era maior. E quando precisou passar por partes alagadas, tenho certeza que quase quebrei a barreira de som. Flash deve tá chorando no banho até agora.
Tudo por um saquinho de pó branco. Cocaína seria tão mais fácil.
Droga de bruxa hippie que tem que morar no meio do mato.
Kol com toda certeza ia tirar sarro de mim e não duvido que Kai ia querer subir em uma daquelas árvores cheia de cipós, dando uma de Tarzan.
De tantos males, o avião já era o menor. Acho que estava mais pra um momento de paz. Pelo menos agora que eu ia de primeira classe.
Às vezes eu amava ser vampira.
Até champagne me serviram.
Mas o momento de paz só durou o voo mesmo. Mal cheguei no aeroporto e já vi Klaus me esperando com cara de poucos amigos.
- Por que a cara de psicopata tão cedo? - Perguntei ao descer.
- Pensei que não voltaria mais...
- E arriscar você aparecer por lá? Não sou idiota. - Ele pareceu ofendido com o que falei - Como se você quisesse visitar casa de pobre, né? Foi só uma semana, pelo amor de Deus.
- O que você quer dizer com isso? E foram 8 dias!
- Eu quis dizer exatamente o que falei! E eu precisava ver minha mãe. Você se preocupa com a sua família e eu também, mas ela não toma o lugar da minha.
- Melhorar de vida ou a de quem quiser, é uma das vantagens de ser vampiro.
- E eu fiz isso, mas tudo tem que ser com calma, pois minha mãe é muito paranoica e se ver que tá ganhando muita coisa, vai querer descobrir o porquê.
- Você trouxe, pelo menos?
- Tro... - Passei a mão pelos bolsos da calça, sem encontrar o saquinho.
- O que?
- Não está aqui...
- O QUÊ? - Ele arregalou os olhos e aumentou o tom de voz.
- Tô brincando, calma! - Puxei-o de baixo do seio direito dentro da blusinha.
Ele sorriu de forma ameaçadora e tomou o saquinho da minha mão.
- Nem hesitou... - Pensei alto.
- Por que deveria?
- Por conta de onde estava. - Ergui meu peitos com as mãos, fazendo biquinho pra tentar envergonhá-lo.
- De todos os seus defeitos, não posso dizer que falta de higiene é um deles. Então repito, por que deveria?
- Ah... esquece. Espera... eu sou cheirosa então? - Tentei virar o jogo de novo.
