A mentira tem pernas curtas, mas sempre anda armada

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(Narradora)

S/N olhava pela janela a procura da amiga. Guardava um pouco de mágoa dela por não ter sentido sua falta durante os três anos, mas queria conversar... contar por tudo o que passou.

Rebekah: - E ai? - Perguntou tão próxima, que a outra garota deu um sobressalto.

S/N: - Pelo amor de Deus, Bex! Quer me matar do coração? - Esbravejou alto demais, notando a luz da varanda acender em seguida - Porra, porra, porra! Corre, se esconde. - Se enfiou atrás dos arbustos dali.

Rebekah: - O quê? Por quê? - Relutou em cumprir o pedido.

S/N: - Porque não é o barulho do andar dela. É mais pesado. Com certeza é o Ricardo vindo.

Rebekah: - Quem?

S/N: - O Alaric, merda. Abaixa! - Puxou a loura que se abaixou a contragosto.

As duas ouviram o ranger da porta abrindo e a figura masculina aparecendo da entrada.

Alaric: - Caroline? É você, querida? - Varria a região com os olhos.

S/N: - Querida? - Sussurrou, desconfiada do tom de voz manso, parecendo carregado de sentimentalismo - Que porra é essa? - Virou-se para a original, acertando o cotovelo em seu estômago.

Rebekah: - Ai! Seu desastre me irrita às vezes, sabia? - Se equilibrou novamente, após quase cair sentada por estar agachada.

Alaric ouviu barulhos de algum lugar e o movimento estranho dos arbustos o chamou a atenção.

Alaric: - Quem está aí? 

Ninguém respondeu, então ele andou até lá. Empurrou algumas folhas e... nada. Poderia ser o vento, mas... não estava ventando naquela noite. 

As vozes sonolentas de duas garotinhas o fez voltar para a porta. Lizzie e Josie o chamavam.

S/N: - Ainda é difícil compreender que estive "fora do ar" todo esse tempo. - Pensou alto, surpresa com as pequenas que ela viu recém-nascidas como se fosse mês passado. Bem... para ela, era como se fosse mesmo.

Rebekah notou o olhar triste de sua amiga, mas não soube muito o que dizer. Ela conhecia tal sentimento, sabia como era acordar e se assustar com o quanto o mundo mudou. Até pensou em brincar dizendo que pelo menos foram 3 anos e não 300, no entanto, seria de muito mal gosto. S/N não merecia o que passou e saber que Caroline não a procurou, deixava a Mikaelson com vontade de arrancar o coração da outra loura. Que tipo de amiga era ela? Por que S/N ainda fazia questão da amizade dela?

S/N: - Bex, se esse chato ver a gente, pode atrapalhar mais a vida da Care... Antes de ter raiva dela, preciso saber o motivo de ter me esquecido.

Rebekah: - E por que não o matamos logo?

S/N: - Tem dois motivos na sua frente.  - Apontou com o queixo para as pequenas gêmeas - Acredite, a tentação também é grande para mim, mas as bruxinhas não merecem isso.

Rebekah: - Tem razão. Podemos ir agora? Kol deve estar surtando longe de você.

S/N: - Bex, eu também o amo, mas ficamos grudados por dias. Preciso resolver outras coisas da minha vida. Pedi que você viesse justamente por isso, não teria o feito se Kol não estivesse mais super protetor que o normal. Sei que você não é uma fã dela, mas você é uma das pessoas que mais confio pra me acompanhar.

A loura não evitou o sorriso sincero. Gostava de saber o quão importante era na vida de alguém.

Rebekah: - Não podemos voltar outro dia? Eu odeio o Texas.

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