Encarei Aaron ainda tentando processar o que ele tinha dito. O elogio sensual e provocativo que ele tinha atirado pra mim. Ele me analisava, com um sorriso zombeteiro no rosto, e minhas mãos se fecharam com força no meu colo, quando a raiva borbulhou dentro de mim.
—O quê? —Soltei, fingindo que não tinha entendido a provocação dele.
Aaron sorriu como um predador que havia acabado de encurralar a presa. Mas eu não era uma presa. Eu estava muito longe de ser isso.
—Acha que eu não sei que está aqui para me matar? —A voz dele saiu sussurrada, como se ele estivesse me contando um segredo. —Acha que eu não sei que a princesinha deve me seduzir? Acha que eu não sei que tudo isso não passa de um teatro do rei de Arthenia?
Continuei olhando pra ele, sem conseguir dizer uma única palavra. A forma como ele estava sorrindo, como se soubesse que estava a um passo na frente de mim o tempo todo. Aquele sorriso no rosto dele, era quase como receber um soco na barriga.
—Ah, doce, Holly. —Sussurrou, com o sorriso se tornando uma coisa perigosa. —Eu sou o rei de Andalor e não o bobo da corte. Eu sei de absolutamente tudo.
—Se sabe de tudo, porque está fazendo esse jogo? —Questionei, e observei sua mão passear pelos cabelos, tentando ajeitar as pontas rebeldes, parecendo tão despreocupado.
—Aprecio a coragem do rei de te mandar até aqui. Ele tem feito um trabalho tão lento pegando meus informantes, sem nunca chegar de fato a fonte. —Aaron riu, enquanto eu tentava pensar numa saída daquela situação. —E aprecio mais ainda você. Sua coragem e confiança para me matar.
—Você é a criatura mais desprezível que existe em todos os mundos. —Afirmei, abrindo um sorriso cheio de ódio, sabendo que não precisava fingir mais nada na frente dele.
-E você é a mais adorável de todas.
Aquilo parecia um insulto sendo jogado na minha cara. A forma como ele falava comigo, como se quisesse me testar e me provocar, para ver até onde eu poderia ir. A forma como parecia gostar de ver a reação do meu corpo a cada coisa que ele dizia.
—Porque não matar nós quatro e acabar com isso? —Questionei, já que ele sabia de tudo o tempo todo. —Porque enviar um convite para o reino e nos trazer para dentro do seu território.
—Tantas perguntas. —Aaron provocou, se inclinando na minha direção. —E acabar com toda diversão? Não, se Frederick quer jogar, então nós vamos jogar. E eu não costumo jogar e sair perdendo, Holly.
A adaga escorregou de dentro da manga da minha camisa para minhas mãos, quando não suportei mais ouvi-lo falar aquelas coisas. Aaron pareceu pressentir meus movimentos, porque agarrou meu braço assim que o ataquei, girando meu pulso até a adaga cair das minhas mãos no chão da carruagem.
Meu corpo virou, rápido demais. Meus cabelos espalhados pelo meu rosto quando ele prendeu meu braço atrás das minhas costas. A respiração dele estava na minha nuca, quente e firme, como se nada naquela situação o abalasse, como estava acontecendo comigo.
—Acha mesmo que eu não esperava isso vindo de você? —Questionou, roçando o nariz na minha bochecha e levando os lábios até minha orelha. —Eu sei tudo sobre você. Estudei toda sua vida. Sei o nome de todas as pessoas que você já matou.
—Que bom que você sabe, porque você vai ser o próximo! —Sibilei, e usei meus joelhos para me impulsionar para trás, contra ele. Aaron me soltou quando perdeu o equilíbrio, e eu me virei, o imobilizando no chão quando prendi seus braços com os meus joelhos e usei o peso do meu corpo para prende-lo no chão.
—Que adorável ver sua tentativa. —Ele soltou uma risada, como se estivesse adorando aquele jogo. —Quer mesmo acabar com a brincadeira tão rapidamente? Tenho certeza que seu rei tem outros planos, não?
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Reino de Fogo e Caos / Vol. 1.
FantasyLIVRO1 (TRILOGIA REINO DAS SOMBRAS) Nenhuma lâmina é mais afiada que as adagas de Holly Orion, a assassina cruel do rei de Arthenia. Quando criança, ela foi vendida pelo próprio pai e viu sua família ser escravizada pelo rei de Andalor, o feérico ma...
