Fiquei observando meus pés se moverem pela rua de pedra da Corte Alada. Constituída entre árvores gigantescas com troncos que pareciam colinas naturais. As casas, feitas de vidro e madeira, tinham cúpulas delicadas que refletiam a luz que atravessava as folhas, criando um brilho dourado.
Caminhos de pedra serpenteavam entre jardins, repletos de flores coloridas e plantas que parecem cuidadosamente cultivadas. Pequenas pontes arqueadas cruzam riachos cristalinos que cortavam a corte, formando pequenas cascatas. No alto, haviam lanternas delicadas prendidas entre os galhos das árvores, que provavelmente iluminavam a corte durante as noites.
Os moradores da Corte Alada eram conhecidos por sua magia direcionada a luz, muitos são conhecidos por a controlarem. São fadas da luz, portadores da magia mais pura que existe. E apesar de muitos acharem fadas legais e fofas. Aqui, elas não eram nem um pouco legais, gentis ou amáveis.
As fadas passavam por nós, nos encarando e nos analisando ridiculamente. Como os feéricos, eles não gostavam de humanos e não achavam vantajoso nossa visita à corte deles. Suas roupas eram chiques e de tecidos finos, e muitos deles escondiam suas pequenas asas atrás de lenços bem alinhados.
—Isso não acaba nunca. —Resmunguei, quando uma fada bateu em mim de propósito e continuou andando como se eu não fosse nada.
—Ainda falta uma corte a se visitar. —Freya lembrou, me fazendo bufar. —Ainda estou surpresa que tenha deixado Aaron sair vivo daquela carruagem.
—Não foi por falta de vontade. —Deixei claro, ou por falta de tentativa. Ele tinha sorte de feéricos serem mais fortes que humanos, ou já estaria morto.
Olhei para ele, vendo ele conversar com uma fada que passava. Era um homem de cabelos ruivos e nariz empinado. E pela pose, era uma das fadas que possuía asa. Essa era uma das coisas vinda diretamente do poder da realeza. Apenas fadas de sangue puro e membros da realeza possuíam asas.
Existem várias fadas diferentes pelos mundos, mas a maioria aqui eram fadas da luz. Seres considerados puros. Enquanto o restante pareciam com um humano normal, mas jamais gostavam de ser comparados a nós.
Aaron dispensou a fada e seus olhos pararam em mim. Ele sorriu e piscou como se tivéssemos um segredo agradável. Cerrei os punhos e revirei os olhos, voltando a atenção para aquela corte estranha e cheia de criaturas maldosas.
—Não sei porque perder tempo aqui. —Afirmei, olhando ao redor como se nada fosse interessante. —As fadas são as responsáveis pelos belos tecidos e roupas do reino. Temos costureiros tão bons quanto eles.
—Não podemos negar que as fêmeas são bem bonitas. —Kael comentou, e eu me virei pra encara-lo, escutando Freya soltar uma risadinha, como se concordasse com ele.
—Fala isso pra uma delas. Vou adorar ver a surra que você vai levar das fadas. —Falei, e Kael abriu um sorriso e deu de ombros, como se não se importasse nem um pouco com isso.
—Seria interessante tentar. —Bryn concordou com um sorriso travesso.
Freya revirou os olhos e resmungou um patético, antes de voltar a andar. Suspirei e olhei para o céu, vendo que já estava anoitecendo e estávamos muito perto de voltar para o castelo e muito perto daquele maldito jantar. So de pensar naquilo, meu estômago já dava um nó. Eu duvidava muito que fosse conseguir comer alguma coisa.
[...]
A Corte Solsticial era a última que visitaríamos. A corte dos elfos. As fêmeas usavam vestidos longos de pouco tecido, revela do pernas, barrigas e bustos. E os machos, camisas muito bem desenhadas e costuradas com os melhores tecidos da Corte Alada.
Erguida entre árvores colossais e envolta por uma vegetação densa, a corte se erguia em camadas, como se tivesse crescido junto com as árvores. Estruturas arredondadas, com cúpulas de vidro e varandas curvas, se empilhavam umas sobre as outras, conectadas por pontes delicadas e passagens suspensas.
Cada construção parecia viva, abraçada por trepadeiras e jardins que escorriam pelas paredes, misturando as casas e a natureza. Um canal de águas calmas atravessava o lugar, refletindo milhares de luzes douradas que brilhavam das janelas. Uma água tão clara, que parecia um espelho refletindo toda a corte.
Observei a praça em que estávamos, vendo que ela terminava em um imenso penhasco. Os elfos passavam por nós como se fôssemos invisíveis. Parando apenas para fazer uma reverência a Aaron.
Revirei os olhos vendo as elfas que passavam se mostrando para ele, como se tivessem em um desfile particular. Freya estava mais ocupada observando os vestidos finos que elas usavam e talvez até mesmo a beleza delas.
—Talvez se usar algo assim ele olhe para você. —Bryn tocou o ombro de Freya e acenou com a cabeça em direção a Aaron.
—Eu não preciso ficar quase nua pra alguém olhar para mim. —Ela rebateu, quase ofendida e Bryn soltou uma risada, erguendo as mãos pra cima como se só estivesse tentando ajudar.
—Eu não disse isso. Mas sabe, ajuda. —Ele deu de ombros e Freya revirou os olhos. —Alguns homens gostam de ver mais pele do que roupa. Talvez o rei seja dessa forma.
—Por isso que eu prefiro mulheres. —Freya sussurrou, se afastando de Bryn antes que ele soltasse outro comentário.
Encarei o horizonte depois do penhasco. Andei em direção a ele e deixei todos para trás, mesmo escutamos a voz de Freya me chamando eu continuei. Parei apenas quando cheguei ao parapeito e me segurei a ele, vendo a floresta abaixo de nós e bem no horizonte noturno, a luz de fogueiras e tochas.
Pisquei várias vezes tentando ter certeza que estava vendo certo. Lá era nada menos que as terras humanas. As minhas terras. O lugar onde eu havia nascido, antes de ser arrancada da minha vida e da minha família. Olhar para aquele lugar, era quase como ver um fantasma.
—Holly, o que você está olhando? —Freya chegou ao meu lado e olhou na mesma direção que eu. —O que são aquelas luzes?
—Fogueiras. Tochas... —Respirei fundo, como se pudesse ver através da escuridão. Ver o que restou de todo aquele lugar. —São as terras humanas.
Freya me encarou com compreensão, como se soubesse o que eu estava sentindo. Ela segurou minha mão, tentando me passar algum conforto, enquanto eu sentia meu coração se apertar. Eu voltaria pra lá em breve. E iria procurar por aquilo que fui obrigada a deixar para trás.
—Vamos, senhoritas? —Ouvi a voz suave de Aaron atrás de mim e revirei os olhos. —A vista aí é mais bonita ao amanhecer. Quem sabe outro dia eu não as traga aqui para presenciar o nascer do sol.
Soltei uma respiração pesada, me afastando de Freya e me virando para encarar Aaron. Ele estava com um sorrisinho nos lábios e eu sabia o que vinha agora. O maldito jantar que eu teria que ir e aguentá-lo sozinha.
Alguém iria morrer. Se não fosse ele, seria eu. Mas tenho certeza que vamos passar longe de um jantar agradável.
Continua...
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Reino de Fogo e Caos / Vol. 1.
FantasyLIVRO1 (TRILOGIA REINO DAS SOMBRAS) Nenhuma lâmina é mais afiada que as adagas de Holly Orion, a assassina cruel do rei de Arthenia. Quando criança, ela foi vendida pelo próprio pai e viu sua família ser escravizada pelo rei de Andalor, o feérico ma...
