Capítulo 35: Minha esposa.

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Me afastei de Aaron assim que escutei as pessoas ao redor batendo palmas. Só então percebi que todos estavam prestando atenção em nós dois e na nossa dança, como se fôssemos a atração principal do baile. É claro que éramos. Aaron era o rei e eu uma humana. Tinha certeza que eles estavam achando impróprio ele estar tão perto assim de alguém como eu.

Encarei Aaron, vendo-o me observar com uma expressão presunçosa, como se ele tivesse conseguido provar alguma coisa com essa dança. Não pra eles, mas pra mim. Engoli o nó que se formou na minha garganta, porque não queria que ele soubesse como eu estava me sentindo. Mas é óbvio que ele sabia.

—Você dança muito bem. —Afirmou, e eu lancei a ele um olhar afiado, antes de fingir uma reverência, já que ainda estavam olhando pra nós, e me afastar em direção a sacada mais próxima, porque precisava de ar. —Podemos fazer isso mais vezes.

—Fique longe de mim. —Retruquei, porque ele estava vindo atrás de mim. Aaron riu, enquanto eu sentia o ar frio da noite bater no meu rosto quando passei pelas portas e me escorei no parapeito, soltando uma respiração pesada. —Já dancei com você, agora me deixe em paz.

—Não entendo porque você está tão relutante. Está claro o que está acontecendo, mas você finge não ver nada. —Afirmou, agora com uma expressão confusa no rosto e eu senti vontade de rir, porque ele não podia realmente dizer que não entendia.

—Você quer saber porque eu estou relutante? —Soltei uma risada e me aproximei de Aaron, até ficar na frente dele. Segurei seu queixo e virei seu rosto para o horizonte, onde se podia ver as luzes das fogueiras das terras humanas. —É por causa daquilo, majestade. Achei que já tivesse ficado claro o suficiente para você. Isso, eu e você, jamais vai acontecer. Não importa se eu sinta atração por você ou não. Você nunca vai conseguir algo de mim além de ódio.

Aaron encarou o horizonte e então eu me afastei dele, sentindo meu sangue tão quente que até mesmo o ar frio ao redor pareceu se aquecer. A raiva que eu estava fingindo não sentir explodiu dentro de mim quando observei o rosto dele o como ele parecia pensativo, mesmo que já tívessemos discutido sobre isso outras vezes.

—Posso mudar isso. —Afirmou, e eu hesitei, porque ele me encarou com certa determinação. —Posso libertar todos eles se quiser. Posso transformar aquelas terras em uma corte se me pedir.

—Por que faria isso? —Indaguei, e ele abriu um sorriso e negou com a cabeça, como se eu estivesse me fazendo de boba.

—Não está óbvio ainda, Holly? Achei que já tivesse demostrando várias vezes o quanto quero você. —Ele se aproximou de mim, me fazendo engolir em seco quando precisei erguer o queixo para encarar os olhos dele. —E eu faria isso se me pedisse, mas quero que esteja do meu lado.

—Não. —Sussurrei, enquanto negava com a cabeça. —Eu não acredito em você. Está mentindo. Não iria liberta-los assim tão facilmente. Não depois de todos esses anos que os mantem vivendo desse jeito.

—Você me subestima, amor. Achei que já tivéssemos passado dessa parte. —Retrucou, e eu senti o calor lambendo minha pele ao ouvi-lo me chamar daquela forma. —Deveria ir conversar com o principezinho. Ele deve estar a ponto de explodir de raiva. Ciúmes é um sentimento selvagem e perigoso, sabia?

Aaron não esperou que eu respondesse, porque se afastou e caminhou até a porta, com a intenção de voltar para o baile. Ele parou entre as portas, observando todos os seus convidados lá dentro, antes de encarar um ponto que eu já podia imaginar ser onde Kian estava. Provavelmente ansioso para saber o que nós dois conversavamos aqui sozinhos.

—Ele me contou o que pretende fazer em relação a você. —Aaron falou, e então riu, como se achasse isso tão deliciosamente engraçado.—Espero que você não esteja pensando em aceitar. É uma proposta ridícula para um relacionamento sem futuro algum.

—Você não sabe de nada. —Retruquei, porque ele não ia se meter nisso também. Não, já bastava as outras coisas que ele sabia. Um pedido de casamento parecia demais pra mim.

—Ele está com ciúmes de você, não porque ama você, o que claramente não ama. Mas porque tem medo de perder uma arma preciosa. —Aaron me encarou por cima do ombro, com os olhos faiscando como se ele estivesse com raiva. —Essa é uma das diferenças entre nós, Holly. Não importa quanto tempo passe, não importa se você será esposa dele, ele ainda vai te tratar como uma arma.

—E você me trataria como? —Questionei, em meio a uma risada, porque Aaron parecia dar muito valor a própria opinião, como se soubesse de tudo e entendesse tudo.

—Como minha rainha. —Sussurrou, e o baque das palavras dele me deixou sem ar, antes de eu o ver sumir pelas portas e me deixar sozinha, com meus próprios pensamentos confusos.

[...]

Andei apressada pelos corredores, ignorando completamente o baile que estava acontecendo. Eu não aguentava mais aquele ambiente e aquelas pessoas. Meu peito subia e descia com força, enquanto eu tentava chegar nos meus aposentos, desesperada por silêncio e um pouco de sossego para pensar.

Abri a porta do meu quarto e fui até a varanda, me escorando na parede enquanto tentava regular minha respiração e clarear as minhas ideias. Foram segundos até a porta se abrir, e eu me amaldiçoei mentalmente por não ter trancado a porta, porque sabia muito bem quem era. A única pessoa que poderia ter vindo atrás de mim.

—E você dizendo que não havia motivos para ciúmes. —Kian falou, e eu soltei uma respiração pesada, negando com a cabeça, enquanto o via surgia na porta da varanda, me encarando com uma expressão resignada. —Eu não sou idiota, Holly. E muito menos gosto de ser feito de idiota.

—Eu sei, alguma vez eu te tratei como um idiota? —Questionei, soltando uma risada nasal quando ele apertou os lábios com força. —Eu o odeio, odeio esse reino e vou matá-lo, esqueceu?

—E o que foi aquilo no baile? —Ele arqueou as sobrancelhas, enquanto eu balançava a cabeça. —Vocês dois estavam... Você olhou para ele como se estivesse apaixonada!

—Você bebeu demais. —Falei, saindo da varanda e caminhando até a cama, onde me sentei para tirar os sapatos do meu pé. —Vou ignorar o que você disse só por isso.

—Você não entende como isso é problemático. Você por acaso sente atração por ele? —Questionou, e eu soltei uma risada, ficando de pé e me virando para Kian.

—Não, eu não sinto atração por ele. —Abri um sorriso, com a mentira saindo doce pelos meus lábios. —Estou aqui a trabalho, para o seu pai. Nós dois sabemos como isso vai terminar, Kian.

Kian pareceu relaxar ao ouvir isso, porque seus ombros caíram e ele abriu um sorriso, antes de se aproximar de mim. Fiquei um pouco tensa, porque havia um brilho nos olhos dele, que soava como se ele estivesse tendo ideias muito erradas.

—Se é assim, então acho que não tem porque adiar isso. —Falou, e meu sorriso foi morrendo aos poucos, porque Kian parou na minha frente e segurou minhas mãos. —Você sabe que nós dois merecemos mais que um relacionamento fraco. Podemos passar para algo mais, Holly. Fortalecer o que temos.

Engoli em seco quando ele ergueu a mão e deslizou pela minha bochecha, com o sorriso se tornando maior, enquanto eu sentia alguma coisa se contorcendo dentro de mim. Sabia exatamente o que ele estava propondo e não estava pronta pra isso.

—Quero que se case comigo e se torne a minha esposa. —Afirmou, e então deixou um selinho nos meus lábios.




Continua...

Reino de Fogo e Caos / Vol. 1.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora