Eu escutei as batidas na porta e a voz irritada de Kian. Meus dedos se fecharam com força ao redor do espelho, enquanto eu fechava meus olhos e suspirava, porque sabia que ele não ia me deixar em paz até saber o que havia acontecido com Aaron.
—Holly, abra isso! —Kian mandou, e eu apertei meus lábios com força, porque não ia falar com ele, enquanto ele estivesse usando esse tom de voz rude, como se mandasse em mim. —Aaron está morto, não está? Holly, abra essa porta agora!
"Quer que eu de um jeito nele?"
"E como você faria isso?"
Esperei pela resposta, até ouvir as batidas de Kian paparem e os passos dele indo embora, como se fosse muito simples. Encarei o espelho de novo, soltando uma risada incrédula com a resposta que veio.
"Podemos voltar a nossa conversa agora."
"O que você fez com ele?"
"Apenas entrei na cabeça dele e o mandei para a própria cabine. Ele não vai incomoda-lá até o fim da viagem, mas vai precisar arranjar uma boa desculpa quando chegarem a Arthenia."
Soltei uma respiração pesada, porque sabia muito bem disso. Já podia imaginar a expressão fria e desagradável do rei quando descobrisse que nada do seu plano havia funcionado. Além de Aaron ainda estar vivo e as cortes intactas, agora ele tinha um inimigo declarado.
Voltei a encarar o espelho, usando o sangue nas minhas mãos para escrever ali. A cada frase, elas iam desaparecendo aos poucos, me dando certeza de que Ingram estava lendo tudo. E dessa vez eu queria a verdade e não uma história que parece aleatória, mas que não é.
"Preciso que me conte o que aconteceu naquela noite, Ingram. Preciso saber de tudo. O que seus pais fizeram. Como as umbrias conseguiram entrar em contato com eles, se estão aprisionadas no seu reino. Como tudo se desdobrou, até Aaron subir ao trono e as terras humanas serem aprisionadas."
"Imaginei que me pediria isso. Você se lembra do dia que tudo aconteceu, não lembra? Como os feéricos chegaram e atacaram tudo, aprisionando quem ficava contra eles. Os humanos até tentaram lutar, mas nada poderia impedir o que ia acontecer."
Tentei não pensar nas coisas que me lembrava daquele dia, porque ainda podia ouvir os gritos na minha cabeça. A voz de Halley chamando meu nome. Era quase como se eu voltasse no tempo e acabasse lá de novo. Um pesadelo que nunca ia embora e que ficava se repetindo na minha mente.
"A história começou muitos anos depois da guerra entre os feéricos e as umbrias. Depois que Velmora foi selada. Depois que a magia dos feéricos foi entregue à morte. Aquelas bruxas negras jamais esqueceram do que aconteceu, mesmo depois de décadas. Elas permaneceram presas atrás da névoa, cultivando aquele ódio que poderia consumir qualquer coisa que elas tocassem.
As umbrias esperaram. Observaram ano após ano, o reino feérico crescer e se fortalecer depois da guerra, mesmo sem seus poderes. Até que um dia, alguém tolo e ingênuo descobriu sobre a existência do terceiro reino e achou que podia controlar todas elas. O rei Frederick, de Arthenia. Ele odiava os feéricos. Odiava o quanto o reino deles prosperava cheio de magia, enquanto Arthenia nunca foi tocada por ela.
Ele passou anos ouvindo seu pai falar sobre a magia pura da lua que banhava as terras de Andalor, tornando aquele lugar mágico e poderoso. Ele cresceu ouvindo que Arthenia também merecia essa magia, mais do que os feéricos, as fadas ou os elfos. Seu pai queria que Arthenia fosse poderosa e acreditava que precisava de mais poder pra isso. Poder de verdade. E quando Frederick subiu ao trono, ele sabia que iria conseguir isso, mesmo depois de seu pai ter falhado.
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Reino de Fogo e Caos / Vol. 1.
FantasyLIVRO1 (TRILOGIA REINO DAS SOMBRAS) Nenhuma lâmina é mais afiada que as adagas de Holly Orion, a assassina cruel do rei de Arthenia. Quando criança, ela foi vendida pelo próprio pai e viu sua família ser escravizada pelo rei de Andalor, o feérico ma...
