Encarei o rapaz por alguns segundos, vendo-o deixar uma moeda de ouro em cima do balcão. Ele era jovem, assim como eu. Mas parecia haver uma coisa diferente nele. Uma aura sombria que sugava a luz que havia ao redor. Que fazia a chama das velas estremecer.
—Foi um prazer mais uma vez, Declan. —Ícaro afirmou, acenando para Declan, antes de se virar para me encarar.
—Ícaro... —Repeti aquele nome, tendo a sensação de que ele não era totalmente estranho pra mim.
—As pessoas costumam me chamar pelo meu sobrenome. —Comentou, e eu assenti.
—E de onde você é, Mackenzie? —Questionei, voltando a encarar a adaga suja de sangue.
—Dimensão dupla, e você?
—Dimensão alada. —Sussurrei, porque o bar todo não precisava ouvir de onde eu vinha. Isso só serviria para mais pessoas virem atrás de mim.
—Eris vai gostar de saber disso. Não se surpreenda se um dia ele aparecer na sua porta. —Afirmou, e eu soltei uma risada descrente, porque eu não tinha fãs. Eu só tinha pessoas com desejo obsessivo por me matar, depois de tudo que eu já fiz em nome do rei.
—Contanto que ele não tente me matar. —Dei de ombros, sabendo que provavelmente jamais o conheceria. Não agora que minha vida iria mudar pra sempre. —Ele pode me visita quando quiser.
—Vou dizer isso a ele. —Mackenzie falou, e se levantou, enquanto lançava um olhar para a porta do bar do outro lado do salão, como se esperasse ver alguém entrando por ali atrás dele.
Foi o tempo suficiente para notar uma tatuagem em formato de chamas na sua nuca.
—Foi um prazer, Holly Orion. —Ele acenou com a cabeça, e eu retribui o gesto. —Se um dia precisar, é só chamar.
—Só se você goste de correr risco de morte.
—Não, mas aprecio uma boa aventura. —Garantiu, e então se dirigiu a saída. Abri um sorriso e balancei a cabeça negativamente, porque ele não me trazia uma sensação ruim, mas isso também não queria dizer nada.
Mackenzie passou pela porta no mesmo momento que Bryn e Kael entravam. Soltei uma respiração pesada, porque isso significava que eles tinham conseguido tudo que eu precisava. Agora era entrar em Andalor e conseguir a minha vingança.
[...]
—Então você sai para beber e ainda comete um assassinato? —Freya soltou uma risada sarcástica, como se soubesse que isso era bem a minha cara. —Por que você é assim, Holly? Não consegue passar um dia sem matar alguém.
—Ele ia tentar me matar com uma faca. Eu só estava me defendendo. —Dei de ombros, ignorando o sarcasmo na voz dela, porque eu não precisava me preocupar com a opinião de Freya. —Não tenho culpa se eu fui mais rápida que ele com uma lâmina.
—Não tem culpa de ter muitos inimigos? —Freya questionou, e eu lancei um olhar demorado na direção dela, porque o fato de eu ter muitos inimigos era culpa do rei.
Encarei o horizonte enquanto as terras de Andalor surgiam lentamente à minha frente. À distância, o castelo parecia flutuar sobre as águas, imponente. Erguido sobre uma base de pedra que despencava em cascatas, suas estruturas se projetavam para fora como se fossem parte dos próprios penhascos, sustentadas por fileiras de pilares altos e elegantes.
Torres esguias se elevavam em direção ao céu, com telhados pontiagudos que pareciam tocar as nuvens. Pontes longas e estreitas conectavam o castelo, atravessando o mar de águas cristalinas que brilhava sob a luz do dia. Abaixo delas, a água caía em véus constantes, formando quedas que se dissolviam na névoa antes de tocar o mar.
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Reino de Fogo e Caos / Vol. 1.
FantasyLIVRO1 (TRILOGIA REINO DAS SOMBRAS) Nenhuma lâmina é mais afiada que as adagas de Holly Orion, a assassina cruel do rei de Arthenia. Quando criança, ela foi vendida pelo próprio pai e viu sua família ser escravizada pelo rei de Andalor, o feérico ma...
