Capítulo 3: Quando posso partir?

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Parei de frente para o trono, vendo o rei me olhar dos pés a cabeça e abrir seu sorriso encantador. Freya se juntou a Kion ao lado do trono, com uma expressão totalmente séria. Nos duas não conversamos depois que ela me avisou sobre o motivo de eu estar sendo chamada. Assim como eu vim sem perguntar nada, porque queria ouvir diretamente do rei.

—Fico feliz que tenha vindo imediatamente. —Comentou, batucando os dedos no braço do trono, enquanto eu fazia uma reverência. —O assunto é de extrema importância e do seu interesse.

—Mais uma missão pra mim, majestade? —Questionei, e ele confirmou com a cabeça e se levantou do trono. Os passos calmos me deixando ansiosa, porque eu e precisava ouvir logo a parte que se referia aos feéricos.

—Não é uma missão qualquer, Holly. É a mais importante de todas até hoje. —Ele parou na minha frente, tocando no meu queixo com a ponta dos dedo para me fazer erguer a cabeça. —Chegou a hora que todos nós esperávamos há tanto tempo. Derrubar o rei de Andalor do trono e libertar nossa espécie que vive naquelas terras.

—O que eu preciso fazer, majestade? —Questionei, e ele abriu um sorriso afiado, como se fosse exatamente isso que ele esperava de mim.

—Sabemos há um bom tempo que o rei está conseguindo informações sobre meu reino. Já pegamos vários traidores, mas não chegamos perto de descobrir o que ele quer. —O rei afastou os dedos do meu queixo, e eu permaneci encarando os olhos dele. —Com todas as informações que temos, só sabemos que ele parece procurar por alguma coisa. Alguma coisa que ele acredita que temos.

—Vossa majestade consegue imaginar o que seja? Alguma coisa valiosa que pertença ao senhor? —Indaguei, e ele balançou a cabeça negativamente, deixando claro que não sabia.

—Não, mas acredito que agora teremos a chance de descobrir o que seja, e mais. —Afirmou, e eu engoli muito lentamente, vendo os olhos dele parecerem brilhar de excitação. —Com a morte do último traidor, o rei decidiu fazer uma jogada diferente. Recebemos uma carta do reino de Andalor, nos convidando para uma vista e para fazermos... negócios.

—Negócios? —Questionei, e olhei na direção de Kian, vendo-o encarar Freya com os lábios torcidos em incomodo.

—Ele quer nos oferecer um pouco das suas riquezas, em troca de algumas das nossas. —O rei ergueu as mãos pra cima, enquanto eu franzia a testa. —E é claro que aceitamos, porque isso nos dará a chance perfeita de colocar você pertinho dele. Você será nossa emissária, Holly. Irá até Andalor conquistar o rei e convencê-lo de que queremos fazer comércio com as cortes tanto quanto ele deseja.

O rei deslizou a mão pelo meu vestido, me deixando tensa, até eu senti-lo segurar uma das minhas adagas e a puxar. Observei o brilho da lâmina nas mãos dele, enquanto seu sorriso era enorme, como se ele estivesse tão satisfeito com o rumo que as coisas estavam tomando.

—E na hora certa... —Ele segurou minha mão e colocou a adaga entre meus dedos, me fazendo segura-la. —Você o matará. Você libertará seu povo da escravidão.

—Quando? —Questionei, apertando meus dedos ao redor do cabo, sentindo o calor percorrer meu corpo, quando meu coração disparou dentro do meu peito. —Quando posso partir?

—Não se apresse, Holly. Eu sei que você tem motivos o suficiente para matá-lo. Mas precisamos fazer isso do jeito certo. —Frederick afirmou, e eu torci os lábios ao vê-lo olhar na direção de Kian. —Não podemos simplesmente matá-lo. Isso traria problemas para nós. Precisamos fazer isso do jeito certo. Por enquanto você irá até lá e fingira ser apenas uma emissária. Freya irá com você.

Concordei com a cabeça, olhando na direção de Freya, que acenou com a cabeça pra mim. Ela sabia, tanto quanto eu, do quão importante aquela missão seria. Era até bom não ir sozinha, porque eu duvidava que a raiva queimando no meu peito me deixaria esperar o momento certo.

Reino de Fogo e Caos / Vol. 1.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora