Epílogo.

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Kian

Quando parei na frente do trono de Velmora, o olhar que a rainha me lançou era capaz de reduzir qualquer um a cinzas. Mas o medo que parecia pinicar minha pele toda vez que eu entrava naquelas terras era o suficiente para me deixar em alerta.

—Você errou de novo, alteza. —Afirmou, enquanto eu fazia uma reverência, com os movimentos rígidos, porque eu sabia que ia encontrar a frustração dela quando chegasse ali.

—Eu não imaginava que Holly conhecia um portador das sombras. Você sabe que o poder deles vai além de qualquer coisa. —Falei, lembrando do rapaz que entrou e saiu do castelo de Andalor, andando como se o mundo inteiro fosse seu. —Não tínhamos chance contra ele. Meus guardas não estavam preparados.

—Você deveria tê-la matado no exato momento que descobriu que ela estava ligada ao acordo! —Retrucou, e eu abaixei a cabeça, porque a fúria dela fez as paredes do salão estremecerem, assim como a magia faiscou na ponta dos seus dedos.

—Ela é minha noiva. Vou dar outro jeito de acabar com o acordo. Não precisa se preocupar com isso. —Falei, só precisava encontrá-lo. Sabia que deveria estar escondido em algum lugar do castelo. Agora que ele era meu, colocaria quantos homens pudesse para procurar em cada pedra daquele lugar.

—Ela estava com o rei feérico. Pare de ser ingênuo e comece a agir como um verdadeiro líder. —Exclamou, e eu dei um passo para trás quando a rainha ficou de pé. —Você fez tudo errado e agora teremos que caçá-la por aí. Você sabe como toda a nossa situação piorou ainda mais agora.

—Vou achar um jeito de quebrar o acordo de sangue, majestade. —Prometi, e ergui a cabeça para encara-la, vendo seus olhos verdes se revirando, como se ela me achasse entediante.

A pele pálida deixava mais evidente a cor dos olhos. A mesma cor que percorria suas mãos quando ela estava com raiva. A mesma cor verde chamativa, que brilhava em alguns pontos de Velmora, como se o medo crescesse naquelas terras como grama.

—Enquanto isso eu tenho que ficar esperando? —Ela estalou a língua, e eu observei ela erguer a mão e afastar uma mecha de cabelo verde da testa. A coroa de ossos depositada na sua cabeça, como um aviso do que ela era capaz de fazer. —Não, eu mesmo vou ajeitar essa sujeirada toda que você causou.

—O que vai fazer? —Questionei, porque queria Holly viva. Não ia permitir que ela me usasse e então me chutasse por um feérico. Precisava provar pra ela que eu era a melhor opção e que era eu quem determinava as coisas.

—Vou mandar meu bebê atrás dela. Tenho certeza que contra isso o portador das sombras não tenha chances. —Afirmou, e eu segurei a vontade de fazer uma careta. —Ainda tenho um carta na manga naquela torre.

Os olhos verdes me encararam mais uma vez, fazendo meu corpo se encolher um pouco quando a sensação de medo foi imediata. Ela riu, como se soubesse o que fazia comigo, antes de se virar e deixar a sala do trono. Soltei um suspiro de alívio quando fiquei sozinho, sabendo que precisava encontrar Holly antes dela. Sabia muito bem que tipo de monstro ela tinha como bebê.

Ajeitei minha camisa, ignorando a sensação esquisita daquele lugar, que mais parecia uma masmorra do que a sala do trono de um castelo, principalmente pelo trono de ossos onde a rainha normalmente se sentava. Saí sem olhar para trás, percorrendo os corredores até as escadarias que davam para a torre mais alta.

Havia alguns guardas a posto, que nem olharam na minha direção quando passei e comecei a subir os degraus até o topo. O espaço lá em cima era sujo e cheirava a mofo e merda. Três das quatro celas que haviam ali estavam vazias, exceto pelos ratos que corriam de um lado para o outro, procurando por sobras.

Caminhei até a quarta cela, encarando a pessoa que estava presa ali. Parecia quase uma estatua, porque sempre que eu ia até ali, ela estava exatamente na mesma posição de sempre. Parecia que nunca se movia. As vezes eu tinha que prestar bem atenção pra ter certeza de que estava respirando.

Mas assim que me escorei nas grades, ela virou o rosto pra me encarar. Os cabelos negros caíram sobre o rosto, quase escondendo os olhos tão azuis, que muitas vezes pareciam vazios. Ela torceu o nariz quando viu que era eu, antes de repetir a mesma pergunta que fazia todas as malditas vezes que me via.

—Onde está a minha irmã? —Sussurrou, e eu abri um sorriso, que fez alguma coisa atravessar o rosto dela. Medo provavelmente.

-Não se preocupe, Halley. Ela estará com você em breve.

Reino de Fogo e Caos / Vol. 1.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora