Capítulo 1: Reino Arthenia.

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Holly

As tábuas da casa antiga estalavam à medida que eu caminhava pelos cômodos empoeirados, ouvindo o som de algumas goteiras que vinham de algum canto onde o telhado já estava em pedaços. Não havia moveis na casa, como se tudo já tivesse sido roubado com o tempo, depois que ela foi abandonada.

Quem olhasse lá de fora, da floresta, acharia que a casa estava vazia. Não havia uma alma viva ou morta ali dentro. Era uma mentira. Eu costumava usar essa casa pra todos os trabalhos sujos que precisava fazer. Era distante da cidade. Não havia outras casas ao redor. Ninguém para atrapalhar ou ajudar os prisioneiros a fugirem.

Hoje só havia um prisioneiro. Eu o havia capturado no dia anterior, tentando fugir escondido embaixo de uma lona, em meio a mercadorias em uma carroça. Ele não teve muita sorte, porque meus olhos estavam nele desde que meu rei começou a desconfiar que alguém estava o traindo.

Passei pelo arco de madeira quebrado que dava para a sala da casa. No meio dela, com os braços acorrentados à pilastra do teto, o homem gemeu quando me viu, como se soubesse que suas últimas horas tinham chegado. Não havia como ele fugir. Todo mundo no reino sabia que quando uma tarefa era designada pra mim, não havia nada que eu não fizesse para conclui-la. E quando eu pegava a minha presa, ela já podia se considerar morta.

—Ergam a cabeça dele. —Falei, e os dois homens que estavam parados perto da parede, o vigiando, se apressaram para fazer o que eu tinha mandado. Kael, o mais alto dos dois, com cabelos loiros longos presos em um coque alto, parou ao lado do homem e segurou seu queixo, fazendo-o olhar pra mim.

Seu olhar estava repleto de medo quando ele engoliu em seco. Não tentou implorar. Nem um mísero por favor escapou pelos seus lábios. As lágrimas grossas escorriam pelas suas bochechas, enquanto ele aguardava que eu resolvesse o que faria com ele. Que tipo de morte ele teria.

—Minha senhora. —Bryn deu um passo para perto de mim, acenando com a cabeça como se estivesse pedindo autorização para falar. A pele negra estava suada, enquanto suas roupas estavam empoeiradas e cheias de teias de aranha. —Tentamos arrancar qualquer informação dele, mas ele continuou a se recusar a falar.

Olhei para Juan, vendo o sangue que escorriam pelos seus braços, dos cortes que as correntes estavam causando a sua pele. Ele deveria estar sentindo dor, porque seu rosto também estava inchado da surra que Bryn e Kael deveriam ter dado nele.

—Nós sabemos que estava repassando informações para os nossos inimigos, Juan. Enviando cartas sobre nossos soldados, sobre nossas remeças. Sabemos também que você não estava fazendo isso sozinho. —Afirmei, e ele engoliu em seco quando caminhei até parar na sua frente, torcendo o nariz para o cheiro ferroso de sangue. —Você sabe que confraternizar com o reino feérico é considerado um nível muito alto de traição. Eu podia entregar a sua cabeça em uma bandeja para o meu rei, se ele não fosse tão indiferente a sua existência.

—Minha lealdade nunca pertenceu a este reino. Ele sempre pertenceu a uma única pessoa. —Juan sussurrou, com os lábios tremendo quando me encarou com uma determinação indestrutível. —Você não sabe ainda, Holly, mas assinou um acordo com o diabo. Hoje sou eu que estou acorrentado aqui, quem te garante que amanhã não será você?

Eu soltei uma risada baixa, inclinando meu rosto para perto dele, enquanto uma das minhas adagas deslizou para a palma da minha mão. Acho que Juan podia ver a sombra da morte pairando pela sala, porque estremeceu quando eu abri um sorriso.

—A garantia que eu tenho, Juan, é o fato de que eu e o rei desejamos a mesma coisa. —Sibilei, e minha mão se ergueu tão rápido que meus olhos não foram capazes de acompanhar, antes de eu cortar a garganta dele de forma limpa e precisa.

Reino de Fogo e Caos / Vol. 1.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora