Mackenzie parou em frente a uma casa de pedra, em uma área menos movimentada da cidade. Mas eu ainda podia sentir as bruxas observando escondidas pelas cortinas das janelas, como se soubessem que não era pra estarmos ali. Não gostava da sensação de estar sendo observada, ainda mais estando ao lado de um portador das sombras.
—Eris. sou eu, Mackenzie. Abre logo. —Mackenzie falou, logo depois de bater na porta e não ter nenhuma resposta, porque a casa estava inteira em silêncio. Mas depois de um momento, quando Mackenzie bateu na madeira com ainda mais força, finalmente ouvimos passos do lado de dentro.
—Achei que não ia aparecer tão cedo depois da última visita. —Eris falou lá dentro, antes de finalmente abrir a porta para Mackenzie. Ele pareceu levar um susto ao ver que ele não estava sozinho, além de arregalar os olhos quando me reconheceu.
Para um mago, Eris parecia muito bem. A pele estava bronzeada, como se ele passasse bastante tempo no sol, mas de uma forma que deixava claro que ele se cuidava. Os olhos, que me chamaram a atenção logo de cara, eram em um tom amarelo, diferente de qualquer coisa que eu já tinha visto. Além de ele parecer jovem demais para o que eu imaginava ser um mago.
—Holly Orion? —Questionou, abrindo e fechando a boca algumas vezes, como se não soubesse como reagir. Meu Deus, é você mesmo! Entra, por favor. Você quer alguma coisa? Café, água...
—Um café seria bom. —Afirmei, enquanto entrava atrás de Mackenzie, ouvindo soltar uma risada nasal.
—Bom dia pra você também, Eris. —Mackenzie falou, mas o mago já tinha disparado em direção a cozinha para preparar o café, como se não quisesse me deixar esperando demais. —Sente-se. Depois que ele voltar ele vai te encher de perguntas.
Me sentei na poltrona que havia ao lado da lareira apagada, observando a decoração simples da casa, sem deixar de notar os vários galinhos de plantas e ervas que estavam espalhados em vasos ou pendurados pelas paredes e pelo teto.
—Seu café. —Eris voltou da cozinha, trazendo uma bandeja de café e uma travessa cheia de bolinhos que pareciam ter acabado de sair do forno. Abri um sorriso quando ele soltou na mesinha de centro na minha frente, antes de se sentar no sofá ao lado de Mackenzie. —Não acredito que você está mesmo aqui, na minha casa. Eu sou um grande fã seu, sabia?
—Mackenzie me contou. —Falei, enquanto me inclinava e pegava minha xícara. —É uma surpresa para mim. A maioria das pessoas me odeia. Matar muita gente tem um preço.
—Então você se tornou uma assassina. —Eris falou, mais pra ele mesmo do que pra mim. —Eu me lembro quando a vi, matando quatro homens com uma faca, em segundos. Você era muito jovem. Deveria ter uns 16 anos. Nunca esqueci isso.
Olhei para Eris, porque me lembrava perfeitamente desse dia. Eu tinha começado a treinar desde o dia em que Frederick me tirou do mundo inferior. Peguei uma adaga aos 10 anos e desde então elas nunca saíram das minhas mãos. Tinham se tornado minhas favoritas. Eu matei a primeira vez quando tinha 14 anos e com 16, fui na minha primeira missão no mundo inferior, bem longe da segurança do reino.
—E você, Eris, o que faz? —Questionei, tentando fugir no assunto, porque não gostava de falar sobre mim ou sobre o que eu fazia.
—Ele? —Mackenzie soltou uma risada ao ouvir minha pergunta. —Nada além de resmungar durante o dia e ficar bêbado durante a noite.
—Ora, que audácia! —Eris soltou, parecendo ter ficado ofendido, enquanto dava um tapa na cabeça de Mackenzie. —Estou ajudando as bruxas com algumas magias antigas. Diferente de você, moleque, eu tenho emprego.
—Eu tenho um emprego. —Mackenzie retrucou, soltando uma risada e balançando a cabeça. —Meus bolsos pelo menos estão cheios de moedas.
—Trabalho sujo. —Eris sibilou, e Mackenzie deu de ombros, como se ele não se importasse nem um pouco com isso.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Reino de Fogo e Caos / Vol. 1.
FantasyLIVRO1 (TRILOGIA REINO DAS SOMBRAS) Nenhuma lâmina é mais afiada que as adagas de Holly Orion, a assassina cruel do rei de Arthenia. Quando criança, ela foi vendida pelo próprio pai e viu sua família ser escravizada pelo rei de Andalor, o feérico ma...
