Corvus

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É altamente recomendável ler esse capítulo ao som de 'From the Dining Table' do nosso neném Harry Styles.
Boa leitura!!
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Harry Pov

Poucas vezes na vida minha mente conseguiu ser silenciosa.

Em grande parte do tempo ela só era cheia de pensamentos conflituosos e barulhentos que gritavam pela minha atenção um atrás do outro, sem parar. Era como se ela trabalhasse a mil quilômetros por hora, e ainda assim, eu não conseguia acompanhar o mundo ao meu redor.

Sempre pensei demais, minha mente sempre foi a coisa mais alta que eu conseguia ouvir.

Mas em alguns pequenos momentos, isso mudava.

Tudo deixava de ser rápido e se tornava certo.

A primeira vez que eu encontrei meu azul, foi assim que me senti. Calmo. Seguro. Pacífico. Silencioso.

Quando eu desenhava, tudo também se tornava calmo.

A primeira vez que eu beijei Draco, também me senti assim.

Mas nada se iguala ao silêncio absurdo que a minha mente experimenta após sair de uma crise.

Nada se iguala ao silêncio que meus pensamentos fazem. Tão forte e intenso, que eu me sinto deslocado. Fora de órbita.

É um silêncio que rasga a minha alma. Faz o meu interior rachar e ruir dentro de mim.

Nada se iguala a sensação de voltar a realidade, e perceber que você perdeu o controle. Ficou exposto, sozinho e completamente vulnerável. E que de uma vez só, a vida te derrubou, de novo.

É a sensação de que você é uma bomba relógio. Que explodiu.

E como toda a bomba, sempre há um rastro de destruição após a explosão.

Após a explosão sempre há vítimas, alguém sempre sai machucado.

Não é diferente dessa vez, só que é pior, muito pior do que todas as outras vezes.

Eu sentia uma cama macia sob as minhas costas, e o movimento suave e longo de dedos desembaraçando meus cabelos. O quarto estava a meia luz, exatamente como a um segundo atrás, mas eu não sentia meu corpo ferver.

A um segundo atrás eu não estava deitado na cama. E a um segundo atrás eu não sentia aquele pânico que começava a se formar em meu peito e ia subindo pela garganta.

Mas tudo piorou quando ele me olhou. E tudo fez sentido.

Minha cabeça estava no colo dele. Draco suspirou, tocou meus cabelos e desceu os dedos por minha bochecha em um carinho suave. Ele ainda não tinha percebido que eu estava ali de verdade.

Eu não tinha coragem de me mover.

E o que mais me paralisou foi ver que os olhos dele estavam cheios de lágrimas. O que me deixou petrificado, foi ver que nos olhos dele, o meu azul estava aterrorizado. O meu azul estava em pânico, o meu azul estava com medo.

O meu azul estava com pena.

Era o mesmo olhar que a minha família me dava quando acontecia.

Blue Stars - DrarryOnde histórias criam vida. Descubra agora