Capítulo 20

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Desceram as escadas enquanto o céu, de forma poética, já mudava de alaranjado para azul.

- Não vai segurar minha mão? - Perguntou Maria Eduarda, quando voltaram a andar tranquilamente a caminho do hotel.

Bianca rolou os olhos.

- Depende. O que você me dá em troca? -

- Eu não estou pedindo, estou fazendo uma observação magoada. - Afirmou Maria Eduarda.

- Você pode ficar magoada duzentas vezes por dia. -

Maria Eduarda pensou por alguns minutos.

- Devo supor que você não vai me consolar? - Disse Maria Eduarda.

Bianca rolou os olhos uma segunda vez.

- Por incrível que possa parecer, você não é o assunto mais interessante do mundo. -

Maria Eduarda arqueou as sobrancelhas.

- Qual vai ser nossa próxima tragédia, mesmo? - Perguntou Bianca.

Maria Eduarda sorriu.

- Roteiro. - E pegou o papelzinho. Maria Eduarda franziu o cenho ao lê-lo.

- O quê? O que foi? - Perguntou Bianca, se aproximando dela para ler.

"9⁰ Voltar ao hotel e ter um jantar romântico na sacada do quarto"

- Argh. - Fez Bianca, pondo em uma palavra tudo o que Maria Eduarda estava pensando. - Outra porcaria dessa? Eu havia me esquecido. -

- Eu também. - Maria Eduarda respondeu, guardando o papel dentro do bolso.

As luzes da cidade começaram a se acender.

- Quando será que iremos embora amanhã? - Perguntou Bianca, desviando de uma garota com uma bicicleta.

- Isso é pressa? -

- Não. - Respondeu Bianca. Pensou por alguns minutos. - Pressa para esse Roteiro acabar logo, claro, mas eu estava falando daqui. -

- Gosta de Paris, então? -

- Essa cidade é linda. - Respondeu Bianca, olhando em volta. Grandes casarões altos e imponentes, sacadas, ferro torcido formando arabescos e grandes janelas.

- O que mais gostaria de fazer aqui, então? -

- Gostaria de ver o rio Sena. -

- Sério? - Perguntou Maria Eduarda, surpresa. - Poderíamos ter ido lá hoje, se você houvesse falado. -

- Não, gostaria de vê-lo pela manhã, mais vazio. De tardezinha fica cheio de gente. -

- Ah. Vamos amanhã pela manhã, então. - Disse Maria Eduarda, com firmeza. - Duvido que viajemos de madrugada, mesmo. -

- Certo. -

Passaram em frente a uma padaria, e o cheiro das mui famosas baguetes francesas as distraiu por alguns minutos, enquanto elas continuavam andando.

- É o hotel? - Perguntou Maria Eduarda, ao se aproximarem do imponente prédio.

- Onde está seu senso de direção? Peça uma informação. - E Bianca fez um gesto para um homem que ia passando.

- Acabei de pedir, para você. - Maria Eduarda disse obvia.

Bianca deu de ombros.

- Sim, é o hotel. -

- Só sabe porque deve ter lido em algum lugar. -

- Neon rosa não é exatamente discreto, sabe. - Bianca exclamou.

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