Capítulo 46 (final)

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- Isto está ótimo! - Maria Eduarda disse enquanto provava o misto quente que Bianca havia preparado.

- Obrigada. Está tudo muito estranho, você não acha? - 

- Sobre o que? - 

- O roteiro. - 

- Talvez Gabriela tenha ficado sem ideias. - 

- Ou talvez este seja um plano para perdermos nosso dinheiro, de repente ela pode aparecer e dizer, opa vocês não cumpriram o roteiro hoje, adeus dinheiro. - 

- Pode ser... - 

- Pode ser? Pode ser? - Bianca indagou. - Nós estamos falando de perdermos milhões de dólares e você me diz que pode ser... - 

- Me desculpe, não precisa ficar brava. - Disse Maria Eduarda a interrompendo. - Eu só... Tem alguém batendo na porta? - 

- Eu acho que sim. - Disse Bianca com uma expressão aterrorizada.

- O que a gente faz? - 

- Abre? - 

- E se forem assaltantes? - 

- Sério? - Bianca encarou Maria Eduarda com deboche, se levantando e indo até a porta.

[...]

- Olá queridas! Eu estava tão animada para ver vocês, vocês não sabem como foi maravilhoso acompanhar vocês durantes esses dias. - Tagarelava a mulher enquanto entrava na casa. - E você Maria Eduarda. - Ela caminhou em direção a Maria Eduarda, que assim como Bianca estava boquiaberta. - Obrigada por ter sido a peça X desse experimento, se dependesse da Bianca vocês continuariam pobres. - 

- Oi? - Foi o que Maria Eduarda conseguiu dizer, enquanto Bianca continuava parada perto da porta.

- Oh, me desculpe, Gabriela Mag. - Disse ela cumprimentando Maria Eduarda que a olhava boquiaberta, ela se virou para Bianca e sorriu.- Vamos para a sala preciso conversar com as duas. - Então fez um sinal para a porta, e dezenas de homens e mulheres entraram na casa.

Maria Eduarda se sentou ao lado de Bianca no sofá, enquanto Gabriela e os outros cientistas continuavam de pé as observando.

Todos se calaram quando Gabriela começou a falar.

- Nós da Worldwide Scientific Corporation, gostaríamos de agradecer as senhoritas pela contribuição dada a ciência, pode parecer pouco, ou loucura, como vocês duas insistiram em dizer, mas a partir desse experimento poderemos compreender melhor como funciona o cérebro humano, e futuramente estaremos trabalhando em tratamentos para diversos distúrbios, baseados nos estudos que obtivemos com vocês duas. - 

- Obrigada... Eu acho... -  Disse Maria Eduarda. - Mas eu ainda não entendi. - 

- O nosso objetivo desde o principio era descobrir se sentimento humanos podem ser manipulados para usa-los a favor da saúde. - Disse Gabriela se sentando ao meio de Bianca e Maria Eduarda. - Vocês já devem ter ouvido sobre o efeito placebo, o nosso estudo se perguntava se era possível criar um "efeito placebo para traumas", se descobríssemos uma maneira de manipular a afeição, nós ajudaríamos pessoas que passaram por traumas por meio de ações roteirizadas. - Gabriela suspirou. - Vamos a um exemplo simples para que vocês entendam, se pegarmos uma pessoa que tem medo de rios, por exemplo, e criarmos um roteiro para ela , onde um dia ela verá belas pinturas de rios, no outro ela sentirá o cheiro da água doce, no próximo ela poderá ver o rio mais doce e brilhante a frente dela, mas não poderá tocar, aos poucos ela perderá o medo, a cada dia aquela sensação irá tomar conta dela, no fim do roteiro ela não terá mais medo do rio, pelo contrário, ela vai ter um desejo de se banhar no mesmo. Agora imagine isso sendo usado para pessoas que sofreram grandes traumas? - 

- Então... - Os olhos de Bianca estavam lacrimejando. - Você quer dizer que eu e a Maria Eduarda só nós apaixonamos porque fomos forçadas a isso? Que poderia ser com qualquer outra pessoa? - 

- Eu não vou lhe afirmar nada, mas provavelmente sim... - 

- Não, não tem como! - Disse Maria Eduarda se levantando.

- Bom, como já conseguimos todo o material que precisávamos para nosso estudo, o experimento está encerrado, o cheque de vocês já está  depositado nas respectivas contas, há um taxi as esperando, ele as levará até o aeroporto. - Gabriela dizia enquanto andava em direção a porta. - Não se preocupem com as malas. - 

- Espera, a gente precisa da sua ajuda, a mãe da Bianca. - Maria Eduarda dizia, mas foi interrompida.

- Eu sei, eu ouvi quando vocês disseram do problema com a mãe dela, mas infelizmente, o que acontece com vocês depois que deixarem essa casa não é mais da minha conta, bon jour. - 

Gabriela e os cientistas deixaram a casa em questão de minutos.

- Ela é louca! Por que você você está triste? -  Perguntou Maria Eduarda secando uma lagrima do rosto de Bianca.

- Não te incomoda, saber que isso só aconteceu porque fomos manipuladas? - 

- Não, porque eu não acredito, talvez, se fosse outra pessoa eu poderia ter criado um crush, mas o que eu sinto por você é muito mais que isso. - 

Bianca sorriu.

- Minha cabeça vai explodir com essas ideias. - 

- Nem me diga, Bim. - Disse Maria Eduarda,

- Temos apelidos agora? - Disse Bianca secando suas lagrimas.

Maria Eduarda sorriu.

- Talvez, ao invés de ir pra sua casa, você poderia ir para a minha... - 

- Você está me chamando para morar com você? - 

- Estou.. - 

- Com você fazendo essa cara de cachorrinho sem dono fica bem difícil de negar. - 

- Então não negue. -

- Eu tenho um emprego. - 

- Fala sério, você está milionária. - 

- Você esta certa, eu adoraria. - 

Maria Eduarda a abraçou.

- E o que faremos com a minha família? - Bianca perguntou, sua feição se entristeceu ao citá-los.

- Eu não sei, nós podemos conversar com sua mãe, já faz muito tempo desde você e Maria Julia, ela pode ter mudado a forma de pensar... - 

- E se não mudou?  -

- Se não mudou, eu tenho você você tem a mim e nós temos s milhões de dólares, a gente pode construir nossa família em qualquer lugar do mundo, você pode escolher! - 

Bianca encarou a parede por alguns segundos, pensativa. 

- Diga a ultima frase novamente! - 

- A gente pode construir nossa família em qualquer lugar do mundo, você pode escolher! - 

- Bianca fechou seus olhos e suspirou.

- Eu quero Islândia. Eu, você e futuramente vários bebês, nas Islândia. - 

- Naquele gelo? - 

- Você disse que eu podia escolher. - 

- Maldita boca grande. - Elas riram. - Da pra aguentar o frio da Islândia se eu tiver você pra me abraçar. - 

- Eu não quero ir pra casa, eu quero ir com você pra Islândia! - 

- Nós temos nossos documentos e muito dinheiro acho que já é um bom planejamento. - 

- Então vamos fazer um acordo, quando a gente sair dessa casa, vamos esquecer tudo que aconteceu, vamos esquecer de todos, as únicas lembranças que teremos vão ser de eu e você, então nós vamos começar nossa vida de novo, lá.- 

- Completamente de acordo! - Disse Bianca segurando a mão de Maria Eduarda. 


FIM

The ExperimentOnde histórias criam vida. Descubra agora