Capítulo 17

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- Vem, vamos procurar um lugar legal. - Maria Eduarda disse e avançou na direção em que elas haviam caminhado no outro dia.

- Para quê? - Perguntou Bianca, a seguindo.

- Para o nosso romântico coração. - Explicou Maria Eduarda.

- Ah. - Fez Bianca. - E qual seria a localização correta de um coração na areia da praia? -

- Bom, tem que ser um lugar plano. - Maria Eduarda pulou um emaranhado de folhas de coqueiro. - E a areia não pode ser seca ou molhada demais! -

- Já fez muitos? - Perguntou Bianca, involuntariamente.

- Nenhum, na verdade. - Respondeu Maria Eduarda, enquanto Bianca a alcançava e andava ao seu lado. - Minha ex não gostava muito de praia. -

- Hum. - Fez Bianca. - Acho que encontrei um bom lugar. -

- Nem andamos muito observou Maria Eduarda para si mesma, observando Bianca correr até o lugar, seus cabelos ficavam brilhantes ao Sol. -

Maria Eduarda a seguiu.

- Parece bom. - Avaliou, procurando por algo no chão. - Ache alguma coisa para escrever. -

- Eu sou sua escrava, agora? – Perguntou Bianca.

- É uma oferta? -

- Não, idiota. -

Maria Eduarda achou um graveto um tanto comprido e o estendeu a Bianca.

- O que foi? - Perguntou Bianca, ainda olhando para a ripinha de madeira.

- Desenhe. -

- Eu não vou desenhar o coração. Faça você. – Falou Bianca.

- Você não se acha? Deve desenhar melhor eu. -

- Me elogiar não vai me convencer. -

- Não foi um elogio. Não diretamente, pelo menos. -

Bianca suspirou, pegando o graveto e olhando a areia pensativamente.

- Ok. - Murmurou, desenhando rapidamente um coração redondinho. - Só isso? -

- Está torto. -

- Não, não está. -

- Está, sim. Olhe. Esse lado está maior horizontalmente que esse. -

- Está chamando meu coração de gordo? -

- Eu quis dizer cheinho. -

- Put... - Murmurou Bianca, apagando com o pé o tal lado cheinho e o refazendo. - E agora? -

- Está perguntando minha opinião? – Maria Eduarda provocou.

- Você vai dá-la de qualquer jeito. -

- Er... Parece bom. - Respondeu Maria Eduarda.

- Então faça melhor. -

- Como é? -

- Você me fez desenhar isso para me dizer que parece bom? Qualquer um consegue desenhar um coração que parece bom! - E estendeu o graveto para Maria Eduarda.

- Você ficou ofendida... Porque eu disse que o coração que você desenhou na areia parecia bom. - Disse Maria Eduarda, pausadamente, tentando acreditar nas próprias palavras.

A frase pareceu chamar Bianca para a realidade.

- Talvez. -

Maria Eduarda suspirou.

- É o coração mais lindo do mundo. Pronto? -

- Não. Você consegue fazer melhor que isso. -

- É um coração digno do diário da... sei lá... Paris Hilton. -

Bianca pensou por alguns segundos.

- Certo. Obrigada. -

Maria Eduarda rolou os olhos. - Escreva seu nome aí. - Pediu.

- Por quê? -

- Porque é um coração romântico escrito na areia. E corações assim têm nomes dentro. – Maria Eduarda exclamou.

- Você mesmo disse que nunca fez um. -

- Você é uma puritana mesmo... -

Bianca ruborizou, ela suspirou, mas escreveu em letras finas e delicadas seu nome dentro do coração.

- Devo escrever o meu agora? - Perguntou Maria Eduarda.

-Não é você a especialista em corações de areia? -

- Deixa de ser dramática. -

Em letras de imprensa, Maria Eduarda escreveu rapidamente seu nome abaixo do de Bianca.

- Acho que o meu deveria ficar por cima. - Observou.

- Depois sou eu quem se acha. - Respondeu Bianca, ainda olhando pensativamente o desenho. E isso é estranho.

- Não é isso! É que Maria Eduarda e Bianca combina mais do que Bianca e Maria Eduarda, pense, se fossemos famosas Duanca seria melhor que Biarda. -

- Não se faça de idiota. -

- Então você assume que eu não sou idiota. – Maria Eduarda provocou.

- Se você quiser assim, vai ter que assumir que se faz de idiota às vezes. -

- Deixa para lá. - Respondeu Maria Eduarda, dando de ombros. - Vamos voltar. -

- Ansiosa para fazer o almoço? -

- Vou te envenenar. -

- Vou pedir para você provar primeiro. - Respondeu Bianca, andando do lado de Maria Eduarda no caminho de volta.

- Posso colocar o veneno só no seu prato. -

- E eu vou pedir para trocarmos de pratos. -

-Então vou colocar no meu prato, achando que você vai pedir para trocarmos de prato. -

- E eu vou te enganar e não vou trocar de prato. -

- Aí vou ter que ir até a cozinha e jogar minha comida no lixo. -

- Você não faria isso. – Bianca falou incrédula.

- Por que não? -

- Porque há pessoas passando fome no mundo. -

- Se eu comer elas vão continuar com fome. -

- Sua consciência é algo fantástico. -

Chegaram à porta da cozinha.

- Nem andamos muito. - Comentou Maria Eduarda.

Bianca deu de ombros.

- Vou tomar um banho enquanto você faz o almoço. -

- Não se esqueça de arrumar a mesa depois. -

-Eu sei. O que vai fazer para o almoço? -

- Depende. Que roupa você vai colocar? -

- Não sei. - Respondeu Bianca, confusa.

- Se colocar o vestido vermelho que eu te dei, pode escolher o prato. -

- Qualquer um? – Perguntou Bianca com um sorriso de orelha a orelha.

- Qualquer um. -

- E se você não souber fazer? -

- Eu invento. -

- Humm... certo. Vou colocar o vestido vermelho e você vai fazer espaguete com molho vermelho. -

- Só isso? Que fácil. Vou achar que você está doida para usar o vestido. -

- Ele realmente vestiu bem. - Respondeu Bianca, dando de ombros. - Como qualquer coisa que eu uso. - Acrescentou, satisfeita.

- Você n... -

- Vamos continuar essa animada discussão no almoço. - Cortou Bianca. - Me deixe tomar banho e... - Ela abriu um sorriso. - Se divirta empregada. -

E saiu saltitando, deixando uma Maria Eduarda aparvalhada para trás.

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