- Vem, vamos procurar um lugar legal. - Maria Eduarda disse e avançou na direção em que elas haviam caminhado no outro dia.
- Para quê? - Perguntou Bianca, a seguindo.
- Para o nosso romântico coração. - Explicou Maria Eduarda.
- Ah. - Fez Bianca. - E qual seria a localização correta de um coração na areia da praia? -
- Bom, tem que ser um lugar plano. - Maria Eduarda pulou um emaranhado de folhas de coqueiro. - E a areia não pode ser seca ou molhada demais! -
- Já fez muitos? - Perguntou Bianca, involuntariamente.
- Nenhum, na verdade. - Respondeu Maria Eduarda, enquanto Bianca a alcançava e andava ao seu lado. - Minha ex não gostava muito de praia. -
- Hum. - Fez Bianca. - Acho que encontrei um bom lugar. -
- Nem andamos muito observou Maria Eduarda para si mesma, observando Bianca correr até o lugar, seus cabelos ficavam brilhantes ao Sol. -
Maria Eduarda a seguiu.
- Parece bom. - Avaliou, procurando por algo no chão. - Ache alguma coisa para escrever. -
- Eu sou sua escrava, agora? – Perguntou Bianca.
- É uma oferta? -
- Não, idiota. -
Maria Eduarda achou um graveto um tanto comprido e o estendeu a Bianca.
- O que foi? - Perguntou Bianca, ainda olhando para a ripinha de madeira.
- Desenhe. -
- Eu não vou desenhar o coração. Faça você. – Falou Bianca.
- Você não se acha? Deve desenhar melhor eu. -
- Me elogiar não vai me convencer. -
- Não foi um elogio. Não diretamente, pelo menos. -
Bianca suspirou, pegando o graveto e olhando a areia pensativamente.
- Ok. - Murmurou, desenhando rapidamente um coração redondinho. - Só isso? -
- Está torto. -
- Não, não está. -
- Está, sim. Olhe. Esse lado está maior horizontalmente que esse. -
- Está chamando meu coração de gordo? -
- Eu quis dizer cheinho. -
- Put... - Murmurou Bianca, apagando com o pé o tal lado cheinho e o refazendo. - E agora? -
- Está perguntando minha opinião? – Maria Eduarda provocou.
- Você vai dá-la de qualquer jeito. -
- Er... Parece bom. - Respondeu Maria Eduarda.
- Então faça melhor. -
- Como é? -
- Você me fez desenhar isso para me dizer que parece bom? Qualquer um consegue desenhar um coração que parece bom! - E estendeu o graveto para Maria Eduarda.
- Você ficou ofendida... Porque eu disse que o coração que você desenhou na areia parecia bom. - Disse Maria Eduarda, pausadamente, tentando acreditar nas próprias palavras.
A frase pareceu chamar Bianca para a realidade.
- Talvez. -
Maria Eduarda suspirou.
- É o coração mais lindo do mundo. Pronto? -
- Não. Você consegue fazer melhor que isso. -
- É um coração digno do diário da... sei lá... Paris Hilton. -
Bianca pensou por alguns segundos.
- Certo. Obrigada. -
Maria Eduarda rolou os olhos. - Escreva seu nome aí. - Pediu.
- Por quê? -
- Porque é um coração romântico escrito na areia. E corações assim têm nomes dentro. – Maria Eduarda exclamou.
- Você mesmo disse que nunca fez um. -
- Você é uma puritana mesmo... -
Bianca ruborizou, ela suspirou, mas escreveu em letras finas e delicadas seu nome dentro do coração.
- Devo escrever o meu agora? - Perguntou Maria Eduarda.
-Não é você a especialista em corações de areia? -
- Deixa de ser dramática. -
Em letras de imprensa, Maria Eduarda escreveu rapidamente seu nome abaixo do de Bianca.
- Acho que o meu deveria ficar por cima. - Observou.
- Depois sou eu quem se acha. - Respondeu Bianca, ainda olhando pensativamente o desenho. E isso é estranho.
- Não é isso! É que Maria Eduarda e Bianca combina mais do que Bianca e Maria Eduarda, pense, se fossemos famosas Duanca seria melhor que Biarda. -
- Não se faça de idiota. -
- Então você assume que eu não sou idiota. – Maria Eduarda provocou.
- Se você quiser assim, vai ter que assumir que se faz de idiota às vezes. -
- Deixa para lá. - Respondeu Maria Eduarda, dando de ombros. - Vamos voltar. -
- Ansiosa para fazer o almoço? -
- Vou te envenenar. -
- Vou pedir para você provar primeiro. - Respondeu Bianca, andando do lado de Maria Eduarda no caminho de volta.
- Posso colocar o veneno só no seu prato. -
- E eu vou pedir para trocarmos de pratos. -
-Então vou colocar no meu prato, achando que você vai pedir para trocarmos de prato. -
- E eu vou te enganar e não vou trocar de prato. -
- Aí vou ter que ir até a cozinha e jogar minha comida no lixo. -
- Você não faria isso. – Bianca falou incrédula.
- Por que não? -
- Porque há pessoas passando fome no mundo. -
- Se eu comer elas vão continuar com fome. -
- Sua consciência é algo fantástico. -
Chegaram à porta da cozinha.
- Nem andamos muito. - Comentou Maria Eduarda.
Bianca deu de ombros.
- Vou tomar um banho enquanto você faz o almoço. -
- Não se esqueça de arrumar a mesa depois. -
-Eu sei. O que vai fazer para o almoço? -
- Depende. Que roupa você vai colocar? -
- Não sei. - Respondeu Bianca, confusa.
- Se colocar o vestido vermelho que eu te dei, pode escolher o prato. -
- Qualquer um? – Perguntou Bianca com um sorriso de orelha a orelha.
- Qualquer um. -
- E se você não souber fazer? -
- Eu invento. -
- Humm... certo. Vou colocar o vestido vermelho e você vai fazer espaguete com molho vermelho. -
- Só isso? Que fácil. Vou achar que você está doida para usar o vestido. -
- Ele realmente vestiu bem. - Respondeu Bianca, dando de ombros. - Como qualquer coisa que eu uso. - Acrescentou, satisfeita.
- Você n... -
- Vamos continuar essa animada discussão no almoço. - Cortou Bianca. - Me deixe tomar banho e... - Ela abriu um sorriso. - Se divirta empregada. -
E saiu saltitando, deixando uma Maria Eduarda aparvalhada para trás.
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The Experiment
Fiksi PenggemarUm milhão de dólares, esse era o valor do prêmio que a maior rede de cientistas do mundo estava oferecendo para duas pessoas que fossem escolhidas para fazer parte de um experimento social. Esse experimento se baseava em colocar duas pessoas de pers...
