Capítulo 21

228 23 1
                                        

[...]

Bianca ruborizou.

- Não no sentido figurado, claro. – Acrescentou Maria Eduarda.

Bianca rolou os olhos.

- Só não entorne nada, por favor. –

Mas Maria Eduarda já havia ido e voltado com copos e travessas na mão; quando Bianca se sentou na cama, a mesa estava posta diante dela – só que sobre o colchão.

- É. Porque se cair um farelinho no colchão, milhões de vermes subirão nessa cama e te comerão viva. – Disse Maria Eduarda, tenebrosamente, se sentando ao lado de Bianca.

- Engraçadinha. Eu nunca como na minha cama. – Bianca acrescentou pensativa.

- Eu gosto de fazer isso. Prato? –

Bianca passou o prato para Maria Eduarda, que a serviu.

- Hum! Está quente. – Exclamou Bianca, pegando o prato por baixo.

Maria Eduarda soltou a colher com que servia e pegou rapidamente uma almofada, a colocando no colo de Bianca que colocou o prato sobre a almofada.

- Obrigada. – Bianca agradeceu.

- Salvei sua vida. Se fossemos romanas, você me deveria servidão eterna.

- Bem vinda à França, então. –

Maria Eduarda deu de ombros como quem lamente, terminando de se servir.

Bianca serviu um pouco da torta no próprio garfo e levava até a boca de Maria Eduarda.

- Espera. – Disse Bianca, parando no meio do caminho.

- Hum? –

E Bianca assoprou delicadamente, para esfriar. Qualquer coisa se aqueceu dentro de Maria Eduarda. E isso não tinha nada a ver com o prato quente sobre a almofada em seu colo. Não totalmente, pelo menos.

- Está quente? – Respondeu Bianca, depois de servi-la.

- Não. – Respondeu Maria Eduarda, sorrindo. – Mas sabe qual é a melhor parte? –

- Não faço ideia. - Bianca respondeu.

- Você esfriou minha comida. Você está cuidando de mim. – Maria Eduarda parecia genuinamente satisfeita com isso. Bianca arqueou as sobrancelhas, um pouquinho ruborizada.

- E daí? – Bianca respondeu com desdém.

- E daí que você não quer minha língua queimada, no fim das contas. –

- Lembra do item de mias constrangedor do roteiro de hoje? – Bianca perguntou.

- Humm... o coração na areia? – Bianca semicerrou os olhos para Maria Eduarda, que deu de ombros. – Certo, o beijo. –

- Exatamente. Eu não quero uma língua queimada na minha boca. – E voltou a servi-la.

- Isso não mudaria nada. Eu consigo te dar o melhor beijo da sua vida com a língua queimada ou não. – Acrescentou Maria Eduarda, sorrindo de forma convencida se encostando folgadamente sobre os travesseiros.

- O seu ego... me comove. – Bianca desdenhou.

- Só fale quando eu lhe permitir, serva. – Maria Eduarda afundou nas almofadas tal qual uma poderosa rainha faria. – Sirva meu vinho e me dê comida. –

- E o que mais, te chamo de "majestade"? - Bianca perguntou, cética.

- Sem dúvida. – Respondeu Maria Eduarda, suavemente. – Onde está minha comida, serva? –

The ExperimentOnde histórias criam vida. Descubra agora